Karen Kanaan é filha de libanês com baiana, e segundo ela, foi essa mistura de acarajé com kibe que a deram jogo de cintura e uma veia de vendas para ajudá-la a chegar no lugar que está hoje. Karen fundou a Baby&Me, uma marca para primeira infância que busca fortalecer o vínculo do cuidado através de produtos práticos para o dia a dia e hoje é residente do Google Campus São Paulo.

Em conversa com o STARTUPI, Karen conta que trabalhou aproximadamente dez anos com publicidade, mas foi trabalhando na Endeavor que conseguiu fazer algo realmente transformador e se transformar. “Foram seis anos como Diretora e foi aí que pude conhecer meus pontos fortes, limites, medos e viver nesse ecossistema empreendedor”, comenta.

Karen é mãe do João e da Maya e foi durante o desfralde de João que percebeu uma oportunidade de negócio. “João ficou doente, fui atrás de um protetor descartável para o berço. Achei que pesquisando encontraria algumas opções, afinal quantas mães não precisavam do mesmo… Mas encerrei minha busca sem sucesso e nenhuma solução em mãos. Me virei com um protetor de colchão sintético na cama que dava expediente quase que diário na lavanderia (as vezes em mais de um turno). Até que veio uma sugestão (mães abraçam qualquer dica ou simpatia em um momento de desespero) de usar um tapete para cachorros no berço. Gostei da ideia e funcionou a princípio, mas dentro das comunidades de mães que participo, descobri que ele é composto de material reciclado e muito químico, ou seja, nada indicado para o contato com a pele dos bebês”.

Foi aí que Karen enxergou um oportunidade: adaptar aquele conceito para que fosse adequado para o contato com bebês, absorventes como uma fralda, e práticos para não tomar mais tempo da rotina das mães. Mas não pense que foi fácil! Ela conta que por mais que tivesse um “MBA” na Endeavor, estar do outro lado da mesa foi difícil e ela teve que enfrentar vários desafios na hora de validar seu negócio, montar a estratégia Go to Market e buscar investimento, por isso buscou mentores que pudessem auxiliá-la. “Não teria chegado aqui sem mentoria”.

O objetivo do mentor é provocar questionamentos, contribuir com novas perspectivas e expertise, além de compartilhar informações relevantes sobre o mercado e também evitar que os novos empreendedores cometam os mesmos erros cometidos por eles no passado.

A startup conta hoje com 10 produtos e um modelo de negócio multicanal: B2B – lojas de bebês, supermercados e farmácias (online e offline); B2C – um e-commerce e feiras de bebê e ainda uma rede de mães de venda direta chamada HappyMoms. A missão é descomplicar a vida de outras mães. A rede está dividida por bairro e possui um estoque dos produtos, conseguindo entregar os pedidos de forma rápida a um custo muito melhor. Entre os parceiros da startup estão nomes como: RiHappy Baby, Best Baby, TipTop, Bebê Store, Lojas Americanas, St Marche, Drogaria Iguatemi e Panvel.

Todos dizem que ser mãe e empreender ao mesmo tempo não é uma tarefa fácil e para Karen, “Ser mãe é um dos papéis que a gente representa. Se não o melhor deles, um papel que exige um estado de presença e dedicação profunda”. Apesar disso, Karen afirma que é muito importante ser ela mesma além de mãe, ou seja, fazer o que ama e construir o que acredita. “Aprendi a priorizar o meu tempo e encontrar formas de não gastá-lo com o que não importa. A minha rotina é acordar cedo, 6h, correr no Parque do Povo, voltar para casa, tomar café da manhã com as crianças e com meu marido e ir para o Google Campus. Pelo menos três vezes por semana almoçamos juntos, volto pro Campus onde consigo ficar até às 18h30. Chego em casa, banho, jantar, história e sono”.

O tempo para as mulheres é um dos itens que motivam a empreender, principalmente buscar flexibilizar o tempo entre a dedicação de um novo negócio e o cuidado com os filhos. Uma pesquisa realizada pela RME – Rede Mulher Empreendedora – com 1376 mulheres mostra que 75% delas resolveu empreender depois da maternidade. Na classe C, a porcentagem aumenta para 83%.

“A maternidade pra mim foi uma proposta de revistar valores, repensar futuro e fertilizar uma nova pessoa. Sempre fui workaholic e me enfiava naquilo que me propunha fazer. Não foi diferente ao ser mãe, fiquei imbuída nesse universo, vivendo intensamente o momento para entender o quanto isso fazia parte de mim. Acredito que a escolha de empreender é por fazer algo que tenha um significado maior que justifique a ausência com os filhos e tenha uma agenda flexível. Se trabalha o mesmo senão mais, embora a liberdade e gerenciamento do tempo compete a nós”, destaca Karen.

Hoje a startup tem cinco pessoas na equipe e está instalada no Google Campus São Paulo. Durante um período de 6 meses, o time do Campus atua junto com os empreendedores na identificação dos principais desafios das suas startups, na definição de seus objetivos e no acompanhamento de resultados. Para Karen, tem sido uma experiência maravilhosa, pois dividir sonho, espaço e agenda com quem está no mesmo barco, acelera o ritmo da sua jornada e economiza tempo. “Ouvir somente o que você diz, verdades e mentiras todos os dias, é pouco agregador. Acabamos ajustamos o nosso modelo de negócio, trouxemos processo, formamos um time e o mais importante de tudo é que não me sinto sozinha. Existe uma troca rica de conhecimento, um ajudando o outro, um senso de comunidade muito forte. É um privilégio fazer parte do Campus”, destaca a empreendedora.

Karen conta que um momento bem marcante que passou no Google Campus foi durante um Demo Day realizado com os residentes onde tiveram que apresentar um pitch de cinco minutos para uma banca avaliadora e plateia (presencial e online). Nessa dia, a Baby&Me foi escolhida pelo público e recebeu um prêmio como a melhor empresa pra se investir, para Karen foi uma grande conquista e reconhecimento.

E você é mãe e quer se aventurar no universo do empreendedorismo? Aqui vai uma dica da Karen: “É preciso empreender você antes de empreender qualquer coisa. Entender o que te move, seus limites, o momento e o que quer construir com tudo o que possui de bagagem. Legitimar essas premissas é fundamental e conversar com quem já empreendeu e empreende, ajuda bastante! Empreender não é uma opção, mas uma escolha!”