* Por Exame.com

O que você faria se tentasse abrir um negócio e falisse três vezes? Desistir parece a opção mais óbvia, mas não foi o que Thiago Sarraf fez. Demorou, mas ele atingiu seu primeiro milhão quando entendeu que precisava acreditar muito no que fazia – e algumas outras lições.

Sarraf é fundador da Dr.e-commerce, consultoria para e-commerces do todo o Brasil que faturou um milhão de reais no ano passado. Hoje, o empreendedor se diz realizado, mas passou por muitas frustrações para chegar até aqui.

Sarraf nunca teve nenhum empreendedor na família para se espelhar. Mas era caxias, daqueles que tirava nota dez para não perder a bolsa na escola particular. Aos 14 anos, foi matriculado pelo tio em uma escola de informática, para se profissionalizar.

“Ganhei meu primeiro computador em 1998, parcelado em 12 vezes, e comecei a fuçar incansavelmente”, conta. Formado em Marketing, Sarraf passou por quatro grandes empresas de tecnologia em quatro anos. Aos 18 anos, já era líder de uma equipe e, aos 19, comprou o primeiro apartamento.

A primeira quebra

Aos 22 anos, os desafios do universo corporativo não seduziam mais Sarraf. Ele achou que entender de internet era suficiente para abrir sua primeira empresa, especializada em hospedagem de sites. Sem juntar dinheiro algum, quebrou em seis meses.

“Eu não sabia nada de CNPJs e de contabilidade. Não me preparei o quanto deveria e não tive maturidade ”, explica. Pelo menos, deu pra aprender como se quebra um negócio.

Para pagar a dívida de 50 mil reais, voltou a ser gerente no mercado corporativo. Mas as insatisfações continuavam.

“Fiz a maior venda da história da empresa e não ganhei um real a mais por isso. Não colher os frutos que eu plantava era uma frustração”, relata.

Sarraf abriu, então, o segundo negócio próprio, uma agência de links patrocinados, que ajudava outras empresas a aparecer na pesquisa paga do Google. Mas, desta vez, em vez de pedir demissão, ele tentou tocar os dois trabalhos ao mesmo tempo. Sem dedicação exclusiva? Não funcionou.

Na terceira tentativa, o empreendedor insistiu na ideia de abrir um e-commerce de lingeries para a esposa, que chegava do interior para morar em São Paulo. Mas Sarraf não era um bom comprador para negociar com fornecedores, e o principal: o sonho de abrir um negócio era dele, não da esposa. Resultado? Naquele ano, a família toda ganhou de presente o que sobrou de lingeries do estoque de mais uma empresa falida.

“Aprendi que, sem acreditar muito na ideia, você não se entrega para o negócio”, conta.

Consultoria para e-commerces

Em paralelo à loja online de lingeries, Sarraf abriu seu quarto negócio, uma agência especializada em criar e-commerces para outras empresas. Até que percebeu que o que mais lhe dava prazer não eram as operações em si, mas a estratégia por trás das vendas online.

Então, vendeu a agência para abrir o seu negócio atual, a consultoria Dr.e-commerce, que já orientou mais de 400 projetos de lojas online. Em vez de produzir e-commerces, a empresa ensina pequenos e grandes negócios a pensar na estratégia para vender mais e melhor na internet.

Este ano, a meta da Dr.e-commerce é faturar um milhão e meio de reais. E por que desta vez deu certo?

“Eu acredito muito no que eu faço, aprendo muito com cada projeto e tenho um método de trabalho muito planejado, com hábitos e horários pré-definidos para seguir”, diz Sarraf.

* Por Júlia Lewgoy, da Exame.com