A Comunidade Manguez.al, que reúne empreendedores em startups e segmentos relacionados em Pernambuco, está maior e mais forte. Dados do Mapeamento de Negócios Inovadores — Manguez.al 2017, divulgados recentemente, mostram que o número de respondentes mais do que dobrou em relação à edição de 2016, chegando a 123 negócios e mais de 300 empreendedores.

O mapeamento foi elaborado no ano passado por Efrem Maranhão Filho, empreendedor pernambucano que hoje é head do Núcleo de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo da Universidade Ceuma (MA); e Filipe Marques, analista de Investimentos da Triaxis Capital. O objetivo foi identificar quantas são e o que fazem as startups e outras empresas ligadas à Manguez.al e ao polo de inovação e tecnologia do Estado.

O formulário foi respondido por 123 negócios, a maioria startups, geridos por 327 empreendedores, que enviaram espontaneamente as respostas entre dezembro de 2016 e janeiro deste ano. Na primeira versão da consulta, feita no início do ano passado, foram 53 respostas.

Ed Dantas, gestor de Inovação da CMTech, ficou responsável pela análise dos dados, que foi apresentada no Mangue.bit 2.0 na última quinta-feira (4). Em relação ao incremento da participação, ele comenta que os empreendedores sentiram-se mais à vontade para compartilhar informações, como um reconhecimento da importância da Manguez.al para o ecossistema.

“A Manguez.al é mais próxima, literalmente, já que as pessoas se conhecem pessoalmente. Isso desperta um senso de pertencimento que faz o empreendedor querer colaborar”, analisa Ed. Além disso, ele pontua que todos estão interessados em conhecer melhor quem está na comunidade: “O ganho para a empresa é que ela tem acesso a um overview sobre negócios do mesmo segmento de mercado e, sobretudo, de parceiros que estão por perto”.

INVESTIMENTOS

Outro ponto em destaque é o volume de investimentos captados, estimado em R$13 milhões, através de 38 empresas. Para Ed Dantas, o valor é reflexo da evolução do ambiente de investimentos local. Saints (da holding Ikewai), Triaxis e Tynno figuram entre os principais protagonistas dessa nova cena. “Até bem pouco tempo, a figura do investidor local era muito discreta. Agora sabemos quem são e como é possível acessá-los”, esclarece Ed Dantas.

Aliado a isso, houve amadurecimento de startups, gerando, inclusive, fusões e aquisições, tanto entre negócios locais quanto entre empresas pernambucanas e de outros Estados. Entre os casos estão o da compra da pernambucana Eventick pela mineira Sympla, que agora opera em Pernambuco; e o da Tempest adquirindo a El Pescador (ambas de Pernambuco).

Ed destaca ainda que o conceito de recycling capital já pode ser observado, como no caso da aquisição da startup Audio Alerta pela Avantia — ambas de Pernambuco, porém a Avantia é uma empresa da área de segurança com mais de 300 colaboradores. “Todos esses negócios mostram que estamos reciclando o capital, o qual até então ia para o mercado tradicional e tinha receio de chegar ao mercado de inovação”, acrescenta.

MAIS SEGMENTOS

A diversidade de segmentos de negócios começa a fazer diferença no perfil das startups de Pernambuco. O mapeamento mostra que áreas como educação, saúde, e-commerce, finanças e jogos têm avançado entre os empreendedores. Os negócios dessas áreas já representam cerca de 35% das empresas consultadas. As demais, em sua grande maioria, são de serviços no segmento de TIC. Há ainda, em menor número que todos os outros, iniciativas de economia criativa e consultorias empresariais.

Ed Dantas ressalta que saúde é uma vertente que vem ganhando mais espaço. No ano passado, foi criado o Manguehealth, o braço de saúde da Manguez.al, que no início contava com dois ou três negócios, e agora já foram mapeados 10. “Isso mostra que tem muita gente querendo interagir comercialmente e aprender, adotando posturas inerentes às startups, como failfast e prototipação”, conclui Ed.

SOBRE A MANGUEZ.AL

Comunidade empreendedora de Pernambuco que reúne startups e empresas afins, a Manguez.al apoia práticas colaborativas de aprendizado, inovação, design e negócios no ecossistema de startups do Estado.

Os principais objetivos são promover discussões de alto nível, eventos e programas educacionais, no método aprender-fazendo, visando fomentar empreendedores de alto potencial, além de dar visibilidade a negócios iniciantes junto a investidores e ao mercado.

Entre as iniciativas estão o Mangue.bit 2.0, maior evento de startups do Nordeste, que reuniu cerca de 400 pessoas no Arcádia do Paço Alfândega, no Recife, no dia 4 de maio deste ano. A conferência é realizada de forma voluntária e independente por membros da Manguez.al.