*Por Hiran Eduardo

Todo mundo que mexe com startups já ouviu falar em ‘due diligence’, mas poucos são os que estiveram realmente envolvidos neste processo. A grosso modo, ‘due diligence’ é uma diligência prévia da empresa, uma investigação realizada por um auditor independente e contratado pelo potencial investidor para entender os números e procedimentos da empresa e dos sócios e, basicamente, entender onde está pisando e colocando o seu dinheiro.

Porém, como tudo no mundo, existem diligências e diligências. Alguns investidores focam a diligência mais na ‘confiança’ do que em qualquer outra, satisfazendo-se em mandar um questionário para os futuros investidos e aceitando toda e qualquer resposta fornecida. Sinto informar que isso não é uma diligência, e mesmo que o empreendedor assine um documento informando verídicas as informações, na prática isso não vai acabar tendo valor algum.

A ‘due diligence’ é um processo de busca e que vai vasculhar o histórico da empresa e dos seus sócios. Vai pedir uma grande quantidade de documentos e informações, vai vasculhar informações que os empreendedores não imaginavam existir e também o seu passado. Uma ‘due diligence’ bem feita é chata e provavelmente vai deixar o empreendedor incomodado, mas é para isso mesmo que ela serve.

Seu objetivo, como dito, é um só: segurança do investimento. O Brasil é um país burocrático e cheio de processos e procedimentos legais, contábeis e financeiros, que muitas vezes fogem da alçada de conhecimento dos empreendedores, mas que possuem um efeito devastador em caso de alguma falha.

A ‘due diligence’ vai pesquisar pontos óbvios, como a existência de certidões negativas – que apontam problemas com o Estado – e protestos, como também entender como é o regime de contratação da empresa – e seu potencial de passivo trabalhista futuro -, se todas as obrigações contábeis estão corretas e em dia e se os empreendedores não deixaram alguma rebarba em empreendimentos passados que possam contaminar o negócio presente.

Já presenciei diversos empreendedores questionando o motivo de tantas pesquisas e até incomodados com alguns pedidos, assim como já ouvi de investidores que estas diligências não se fazem necessárias – mesmo quando estamos falando em investimentos de seis dígitos –, porém elas são sim necessárias, extremamente importantes para a segurança do investimento e também tem sua função de profissionalizar o ecossistema de startups, visto que é um procedimento padrão em qualquer fusão ou aquisição em mercados mais maduros.

Assim, quando seu investidor pedir uma ‘due diligence’ antes de aportar o dinheiro, não ache que ele não confia em você. Ele está sendo profissional e apenas está fazendo o que deve ser feito.


HiranHiran Eduardo Murbach é Advogado com MBA em Marketing na PUC-SP, vive o ambiente das startups há pelo menos cinco anos. Foi o responsável pelas relações com os investidores no Startup&Makers da Campus Party 2014, professor convidado do Laboratório de Startups, do Centro de Inovação e Criatividade – ESPM, e Autor dos livros “Quebrando: aprendendo com os erros dos outros”, “O Grátis no Marketing Digital” e “O que é essa tal criatividade?”. Atualmente é sócio e responsável pela área de startups e novos negócios na empresa SeuApoio.