*Por Heloísa Motoki

O tempo para as mulheres é um dos itens que motivam a empreender, principalmente buscar flexibilizar o tempo entre a dedicação de um novo negócio e o cuidado com os filhos.

Segundo a pesquisa “Quem São Elas?”, 75% das mulheres começam a empreender após o nascimento dos filhos e, muitas vezes, ela também é responsável pelo cuidado da casa e das crianças, dedicando mais de 50% de seu tempo.

Minha história empreendedora também se enquadrada nestas estatísticas. O incômodo de dedicar muito mais tempo ao trabalho que a família começou quando engravidei da minha primeira filha, Leticia, hoje com 12 anos. Antes dela, tinha turnos de 10 a 12 horas por dia, tomava apenas um café preto pela manhã, almoçava em no máximo 15 minutos e jantar só lá pelas 22h.

Comecei a desacelerar durante a gravidez dela, mas logo voltei a rotina enlouquecida após o retorno da minha licença maternidade. Só voltei a pensar no assunto novamente quando engravidei do Jonathan, hoje com 6 anos. Meu negócio nasceu quase junto com ele, que com 20 dias me acompanhou na primeira reunião.

Para equilibrar toda essa rotina é preciso organização, apoio, desapego e consciência que nem tudo funciona da mesma forma com todo mundo. Quando se tem filhos, imprevisto é regra. Algumas coisas que funcionam para mim:

  • Organização – Eu uso e abuso de tecnologia, algumas ferramentas que eu uso:
  • Agenda do Gmail, pois compartilha informações no computador e no meu smartphone, uso códigos para facilitar a busca de informações e lembretes para que eu consiga me programar;
  • WhatsApp Web, fico com a tela do WhatsApp aberta no meu navegador, pois consigo filtrar e responder rapidamente, mantenho ativo apenas conversas que tenho algum tipo de ação para fazer e mensagens previamente digitadas para apenas copiar e colar.
  • TeamViewer, com ele é possível acessar remotamente outro computador, acesso de casa o computador do escritório, e posso dar andamento a alguma consulta que teria que ser feito de lá.
  • Dropbox, com ele compartilho todos arquivos que tenho na nuvem, além de ser um ótimo backup, posso acessar qualquer informação pelo computador ou pelo smartphone.
  • Rede de Apoio – Faz parte da minha rotina levar e buscar as crianças na escola, deixo meu smartphone com alarme para buscá-los. É uma forma para que eu me organize em desacelerar alguma atividade, encerrar alguma reunião sem atrasar o restante da programação e não criar qualquer “trauma” pela mãe ter esquecido de buscar os filhos na escola.

Fora isso, tenho alguns “anjos da guarda” que sempre são acionados quando preciso marcar algum compromisso nesses dias. A maioria das vezes não consigo dividir isso com meu marido e esses anjos têm total liberdade com as crianças. Eles cuidam da forma que podem e se sentem melhor em fazer. Vale almoçar nuggets com batata frita, um macarrãozinho instantâneo e até medicar se as crianças não se sentirem bem.

O desafio que constantemente teremos, e que ouvi esses dias é: “Trabalhe como se não tivesse filhos, seja mãe como se não trabalhasse”. Para isso livre-se de qualquer culpa.


heloisa motoki rede mulher empreendedoraHeloisa Motoki  é diretora administrativa e financeira da Rede Mulher Empreendedora, fundadora da Quali Contábil e Consultora Especial no site Fórum Contábeis.  Com formação em MBA em Controladoria, Graduada em Ciências Contábeis e Técnico em Contabilidade, participante do programa de Empreendedorismo pela FGV/Goldman Sachs – 10.000 mulheres. Há 18 anos no mercado contábil, atua diretamente com pequenas e médias empresas em São Paulo.