* Por João Kepler

Com toda certeza o tema deste artigo de hoje vai incomodar muita gente. Isso porque vou falar da vaidade partindo da seguinte definição: “que é o cuidado exagerado da aparência, pelo prazer ou com o objetivo de atrair a admiração ou elogios de terceiros. É a necessidade de vangloriar-se, de ostentar, de se exibir”. Por que falar sobre isso? Muito simples, porque atualmente o que mais tem são pessoas focadas em “métricas de vaidade” ou invés de focar nos fundamentos de fluxo de caixa e capital de giro.

Tenho certeza que ao ler apena este primeiro parágrafo você leitor já deve ter lembrado de algum empreendedor vaidoso e que frequentemente coloca sua vaidade e metas pessoais a frente do que realmente importa para o negócio: resultados efetivos e crescimento constante.

Quando o Empreendedor Yogendra Vasupal anunciou o fim do atual modelo de negócio da sua famosa startup indiana Stayzilla sua justificativa foi justamente essa, a métrica da vaidade.  Em mensagem em seu blog, ele disse: “Estava focado em métricas de ‘vaidade’ em vez dos fundamentos de fluxo de caixa e capital de giro” e disse também: “Os últimos 11 anos tem sido uma grande experiência de aprendizagem, no começo fizemos tudo certo, mas nos últimos 3-4 anos, posso dizer honestamente que em algum lugar eu perdi meu caminho.”  E completa agradecendo a todo time, os co-founders e os investidores dizendo ser “ eternamente grato aos anjos da rede indiana” que deram a ele capital para escalar seu negócio.

Mas o objetivo deste artigo é comentar não somente que mais uma startup termina o sonho, mas para debater os motivos que levaram a isso.

Aliás, na Índia tem diversas startups incluindo as famosas que reduzindo custos para tentar sobreviver, o SnapDeal, por exemplo, vai demitir 600 pessoas nos próximos dias. Os cofundadores Kunal Bahl e Rohit Bansal admitiram cometer alguns erros na gestão da empresa, distraídos pelo excesso de caixa nos últimos anos. “Começamos a crescer o nosso negócio muito antes de o modelo econômico certo. Também começamos a diversificar e iniciamos novos projetos enquanto ainda não tínhamos encontrado o caminho do lucro. Construímos uma equipe muito grande e maior do que o que era realmente necessário com a escala atual“. O Investidor Anjo, Mohandas Pai, foi mais enfático que isso: “Os fundadores do SnapDeal foram incitados por pessoas que escreveram cheques grandes e disseram para gastar na esperança de obter mais e mais dinheiro. E tudo finalmente explodiu!”.

E o que exemplos como este nos mostram? Que uma grande quantidade de capital com muita ambição é a fórmula dos sonhos, mas por outro lado, pode ser uma mistura potente para levar uma startup a derrocada em um futuro próximo e altamente perigoso para os envolvidos.

Meu alerta neste momento ao falar sobre isso é para que os empreendedores tenham atenção redobrada para não se perderem no meio do caminho e principalmente para que não sejam dominados pela vaidade que existe e pode seduzir até os mais céticos.

As métricas da vaidade nada mais são do que tudo aquilo que não traz nenhum resultado concreto e financeiro para o negócio, ou seja, causam imensa satisfação pessoal, sensação de orgulho e ego lá em cima. O problema é que muitas curtidas ou comentários não significam conversão, dinheiro em caixa e aumento de vendas e é aí que mora o perigo. Muitos se entretêm neste sentido e acabam até construindo suas estratégias em cima do “falso sucesso” que além de momentâneo provavelmente não condiz com a realidade da startup.

O que deve ser mensurado então? Métrica de Vaidade não tem nada a ver com KPIs corretos para medir SE as suas iniciativas estão sendo eficazes em suas propostas. Atualmente podemos contar com vários tipos de indicadores diferentes e a questão é: quais serão mais assertivos para os objetivos definidos? Um KPI muito importante é CAC (Custo de Aquisição de Clientes e o LTV (Life time Value). Acima de tudo, é preciso saber avaliar bem quais são os indicadores utilizáveis para a realidade do seu negócio. Isso evita que métricas de vaidade sejam definidoras do seu planejamento. Leia o livro A Startup Enxuta de Eric Ries e descubra as métricas Acionável, Acessível e Auditável, lembre-se sempre delas e fuja das Métricas de Vaidade!

É isso meus amigos e resumindo, é mais uma lição sobre CONTROLE, GESTÃO e GASTOS.  Gastar como se não houvesse amanhã e de forma irresponsável me faz lembrar do que eu sempre eu digo: “dinheiro nunca aceita desaforo, mesmo que tenha em abundância”.

Pense nisso e conte comigo em sua jornada!


joãoReconhecido como um dos conferencistas mais sintonizados com Inovação e Convergência Digital do Brasil; Especialista em empreendedorismo, startups, marketing e vendas; Investidor Anjo desde 2008; Participa em mais de 100 StartUps; Lead Partner da Bossa Nova Investimentos; Premiado como melhor Investidor Anjo do Brasil pelo Spark Awards da Microsoft; Palestrante internacional; Escritor e autor e coautor dos Livros O vendedor na Era Digital, Vendas & Atendimento, Gigantes das Vendas e Educando Filhos para Empreender; Premiado como um dos maiores Incentivadores do Ecossistema Empreendedor Brasileiro.