Nós sabemos que para os empreendedores, conseguir um investimento é algo que ainda não é tão fácil no Brasil. De uns tempos para cá, temos visto o movimento de muita gente interessada em investir em alguma startup, mas sem saber por onde começar. Para facilitar o acesso ao capital existem outras formas de investimento como o Equity Crowdfunding.

O mercado de equity crowdfunding no mundo representou em 2015 US$34 bilhões seguindo a Goldman Sachs e deveria atingir US$1 trilhão até 2026. No Brasil, o equity crowdfunding movimentou R$14 milhões para um total de 43 empresas entre 2014 e 2016 seguindo o Banco Mundial. O volume médio de cada campanha era R$331,139. Esse mercado deveria atingir R$15 bilhões.

Foi ao perceber a dificuldade dos empreendedores ao lidarem com tantos investidores e o sucesso desse mercado na Holanda que Diego Perez e Fabio Silva decidiram trazer o modelo para o Brasil em 2012. Assim surgiu a StartMeUp, constituída em 2014 e lançada em 2015. Nesse meio tempo, todo um trabalho foi feito junto com a CVM para poder lançar a plataforma.

Da esquerda a direita: Pedro Rodrigues, Fabio Silva, Diego Perez, Benjamin Cheval – Time StartMeUp

A StartMeUp é a primeira plataforma a oferecer um meio de pagamento integrado (cartão de crédito, boleto etc.) e uma plataforma de RI 100% integrado, assim como um sistema de assinatura eletrônica. A plataforma também oferece um ambiente completo de relações com investidores onde a startup captando, consegue se comunicar com os investidores.

Em entrevista ao STARTUPI, Benjamin Cheval, responsável pelo Business Development do negócio, conta que o modelo de investimento da plataforma não é baseado em um título de dívida conversível, o que torna o investidor mais próximo de um sócio de que um credor, como a grande parte das outras plataformas suportam suas operações. “A empresa não fica muito endividada logo no seu início. No caso da StartMeUp, o título emitido pelas empresas em captação é um Contrato de Investimento Coletivo, com opção de conversão do investimento em participação no capital social de sua emissora, o qual permite ao investidor participar, efetivamente, dos resultados da empresa investida, mesmo antes da conversão”, comenta ele.

Até agora, a StartMeUp realizou duas captações de investimento públicas e três privadas. A primeira captação foi realizada pela própria conta da empresa. Em apenas 19 dias, a StartMeUp conseguiu arrecadar R$300 mil através de 36 investidores de todo o Brasil. A segunda captação pública foi realizada para a Nuveo, startup que fornece uma nuvem inteligente, que conseguiu arrecadar R$1,3 milhão, incluindo R$580 mil numa captação publica em 6 meses. A plataforma conta hoje com mais de 4 mil investidores.

A nova regra da CVM permite captações de até R$5 milhões por uma sociedade anônima ou limitada que fatura até R$10 milhões por ano. Uma sociedade limitada que fatura até R$4,8 milhões por ano consegue captar até R$2,4 milhões a cada 12 meses.

Para captar investimentos com a StartMeUp, qualquer startup pode se cadastrar na plataforma e enviar a documentação exigida para que a equipe possa avaliar a viabilidade dessa potencial captação. “Obviamente, evitamos startups em estágio muito inicial e favoritamos startups com um produto ou serviço já desenvolvido para garantir o menor risco possível para nossos investidores”, destaca Benjamin. Depois do processo de due diligence, é apresentada a resposta, negativa ou positiva, para o empreendedor. Para o investidor, a StartMeUp oferece participações a partir de R$1000 e caso a startup não atinja o valor alvo, o dinheiro volta para o investidor.

“É importante que o investidor aporte apenas quantias que não sejam consideráveis perante o seu patrimônio e que diversifique os aportes em mais de uma empresa listada na plataforma da StartMeUp para que as chances de recuperação do valor investido sejam maiores”, aconselha Benjamin.

Já os empreendedores que estão em busca de investimento, precisam fazer uma autoavaliação para entender o modelo de investimento mais adequado para o seu estágio de maturidade. “Por exemplo, uma empresa com um produto que ainda precisa ser validado, é mais adequada para receber investimento-anjo. Já no crowdfunding, a empresa precisa ter seu produto já testado e validado e preferencialmente com clientes contratantes”, comenta.

A StartMeUp reformulou toda a plataforma recentemente e além de um novo projeto gráfico, foi criada uma navegação mais simples e dinâmica com novas ferramentas e serviços. Novas ofertas de investimento também estarão disponíveis na plataforma nos próximos meses e estão previstas captações públicas e privados para startups de vários setores como drones, marketplace, mobilidade urbana, recursos humanos e TI.