*Por Giovanni Salvador

Hoje em dia, todos que têm uma grande ideia, um momento “eureca” pensam: e se tivesse um app para… E aí começa o problema. Veja, não estou dizendo que um app não seja uma boa opção para viabilizar um novo modelo de negócio, mas nem sempre é a melhor opção. Principalmente para modelos que não exigem uma recorrência alta ou um engajamento diário ou semanal do usuário.

Isso pode ser um choque para você. É, também foi para mim, até que eu percebesse.

Eu tive exatamente o comportamento que descrevi há quatro anos, quando quis desenvolver um app de Cupons para bairros isolados dos grandes centros, para fomentar comércios locais. Como um Peixe Urbano, só que para bairros. Na época, quando o Peixe Urbano ainda bombava, isso fazia sentido.

Quer saber o que aconteceu?

Gastei R$49.750,00 reais no meu “MVP” – que de MVP não tinha nada. Não que eu tivesse todo o dinheiro do mundo para desenvolver meu MVP, mas tinha uma empresa de desenvolvimento por trás desse novo modelo, uma empresa composta por investidores e familiares. Esse foi o primeiro erro: tinha muitos recursos disponíveis para um simples MVP. Mas já chegaremos lá.

Sabem qual foi o resultado desse investimento? Um app iOS bem bonito e funcional. Mas que, claramente, não era o suficiente.

Uma das minhas hipóteses de teste para esse MVP, era que o público que eu atingiria eram pessoas da “classe A/B”, por isso um MVP iOS parecia fazer mais sentido, mas o modelo nem foi tão longe assim, a ponto de conhecer meu usuário. Eu havia criado um app que até tinha valor para o usuário final, mas não tinha valor para quem iria realmente pagar a conta: o estabelecimento que compraria meus Cupons.

O que eu aprendi com isso? Bastante coisa, mas vou resumir tudo mais pra frente. Antes quero contar minha segunda empreitada, que também tem haver com apps.

Bom, achei que tinha aprendido bastante sobre apps e mobile e que havia muitos empreendedores com vontade de desenvolver um, então criei a Bossa iNova, uma softwarehouse de desenvolvimento de mobile. É, eu não tinha aprendido o suficiente sobre apps, mas essa empreitada, foi com certeza a que mais me ensinou, a fundo, sobre a necessidade de se desenvolver um app.

As conclusões a que cheguei depois disso, são:

  • Apps são muito caros e complexos de serem desenvolvidos para testar hipóteses. Isso acontece pelo fato de um desenvolvedor mobile ter uma hora mais valorizada e o desenvolvimento de um app exigir um tempo e complexidade maior de testes, em relação a sites e aplicações web. E como o desenvolvimento de software é medido, principalmente, pela quantidade de horas, complexidade e risco do projeto, esse é o motivo do aumento de custo e, por consequência, de preço.
  • Modelos de negócios que, como eu disse acima, não têm uma alta recorrência e/ou não exigem um engajamento diário ou semanal do usuário não exigem que o MVP seja um app – apesar de poder evoluir para um, quando as hipóteses estiverem validadas.
  • O valor de um app, desenvolvido por uma softwarehouse, agência ou freelancers de alta performance (que são os que de fato vão entregar o que você idealizou) costuma ser mais alto do que um empreendedor em estágio embrionário pode pagar.
  • Por fim e, ao meu ver, a conclusão mais interessante para você que quer desenvolver um app: uma aplicação web-móvel bem desenvolvida, responsiva, mobile first, pode ser uma alternativa tão boa quanto um app, para testar suas hipóteses. Porém, com um custo menor. Uma aplicação web precisa ser desenvolvida uma só vez e acessada por qualquer device, sendo iOS, Android, WindowsPhone, desktop e qualquer navegador

Entre os pontos mais interessantes que aprendi nas empreitadas de desenvolvimento mobile, esse último de desenvolver um MVP web-móvel é o ponto que eu gostaria de explorar mais, para você, que está nesse momento de desenvolver seu MVP, possa ter uma perspectiva a mais, para tomar sua decisão.

A Gartner, em sua conferência anual, Gartner Symposium/ITExpo comunicou dez previsões tecnológicas de curto prazo e uma delas é que em 2019, 20% das grandes marcas vão abandonar aplicativos móveis. O argumento é que “o custo ainda é maior que o benefício” e que existe uma tendência global para que o mundo volte à web-móvel, principalmente com o surgimento dos Progressive Web Apps que são apps que você navega através de uma aba do Chrome que se tornarão progressivamente mais apps.

Além disso, hoje são milhares de apps para milhares de objetivos diferentes, que ocupam memória e ficam inutilizados. Segundo Gartner, os apps não vão desaparecer completamente, mas já estamos entrando na “era pós-app”.

Muitas startups de sucesso tiveram MVPs web: Spotify, Airbnb e GetNinjas usaram essa estratégia, por exemplo. No caso do GetNinjas, o Eduardo, CEO e Fundador, comprou um por US$700 de um site indiano e depois adaptou para rodar o modelo, para depois de algum tempo desenvolver um app híbrido e só mais recentemente desenvolver apps nativos. O Airbnb lançou um site bem simples, colocaram fotos de seus apartamentos e logo tinham 3 pessoas interessadas.

Bom, a conclusão é que seu MVP não precisa ser um app. Você pode muito bem ter uma aplicação Web-Móvel ou os Progressive Web Apps, que logo mais a Apple lançará algo similar, para ter uma experiência muito próxima do que um app proporciona e conseguir testar suas hipóteses e alterar o MVP sem muitas dificuldades, já que um no caso de um MVP Web, você não precisará aplicar as mudanças em todas as plataformas.


_dsc8401Giovanni fundou sua primeira startup aos 16 anos, um marketplace de cupons para bairros isolados dos centros, investiu R$50 mil e não sucedeu, mas aprendeu muito sobre investimentos, startups, tecnologia e mobile. Depois, implementou uma área de desenvolvimento mobile em uma consultoria de TI, desenvolveu projetos para grandes clientes e faturou R$350 mil em vendas. No final de 2015, fundou a Bossa iNova, uma softwarehouse com foco em startups. Da softwarehouse, nasceu o bossabox.com, um marketplace de desenvolvimento de software.