O STARTUPI foi conhecer o escritório brasileiro da CargoX, startup de logística líder do mercado. Durante a visita, Bruno Torres, diretor de marketing, apresentou a empresa, que hoje ocupa um escritório de 300m² em Pinheiros, zona Oeste de São Paulo.

Para comportar o tamanho atual da empresa, a CargoX migrará para um espaço de mais de 1200m² nos próximos meses. “Nosso turn over é muito baixo. Em todo o tempo de CargoX, apenas duas pessoas foram desligadas.” Atualmente, trabalham na CargoX 120 pessoas. O plano é chegar ao fim de 2017 com cerca de 400 colaboradores, entre o escritório brasileiro e o argentino, onde fica a maioria dos desenvolvedores.

“Aqui nós costumamos dizer que não somos fazendeiros, somos caçadores. Uma empresa fazendeira é aquela que cresce até um ponto e a partir dali começa a só administrar o que já tem. Aqui não, nosso objetivo é crescer cada vez mais e estamos trabalhando para isso”, comenta Bruno.

Tudo no dia a dia da empresa, desde decoração do espaço até a gestão da empresa, reflete o que os diretores e colaboradores acreditam como cultura de startup. “Nós costumamos dizer que temos um pé no mundo de startups e o outro no mundo corporativo. Isso porque aqui dentro temos um pouco da informalidade de uma startup e as análises de métricas e crescimento mais agressivas de uma grande corporação “, explica o diretor.

Os graffitis do escritório são assinados por Ronah Carraro

Para isso, a empresa está com as portas abertas para a contratação de muitos novos colaboradores. E, como tudo na CargoX, a forma de seleção de novos talentos não é tão tradicional assim. Em 2016, a CargoX levou candidatos a vagas na empresa para participar de um escape game. Após avaliar a reação e o comportamento dos candidatos durante o jogo de fuga, o RH levou em conta os resultados na hora de assinar o contrato de emprego.

“Quando trazemos novos colaboradores, procuramos contratar o lado humano e comportamental das pessoas, para que elas se adequem à cultura da empresa. O lado técnico, na maioria das áreas, nós desenvolvemos internamente. Startup é isso, é o aprendizado direto. Nós erramos acertamos direto, o importante é sempre trazer uma solução para os problemas propostos”, diz.

Para acompanhar esse crescimento meteórico, Bruno conta que mensalmente são desenvolvidas campanhas sobre as metas para estimular os vendedores. Desta vez, a campanha é O Dono do Trono, onde os melhores vendedores do mês ganharão poltronas de escritório presidenciais. E não são apenas os colaboradores internos que recebem incentivos extra da empresa: os caminhoneiros, principalmente, têm uma atenção especial.

Assim como a Uber é a maior empresa de transporte privado urbano sem possuir nenhum táxi, hoje a CargoX é a maior transportadora do País, em número de caminhoneiros, sem ser dona de um único caminhão. O modelo de negócio da empresa é formado por uma rede de caminhoneiros, que são conectados com as empresas que têm carga para transportar a partir da plataforma da startup. Utilizando o conceito de transporte colaborativo, a startup cruza as rotas de transporte das cargas dos clientes, fazendo assim um melhor aproveitamento do caminhão.

Desta forma, a empresa reduz a ociosidade dos caminhões, aumenta a produtividade dos motoristas, reduz o tempo de entrega das cargas e, consequentemente, aumenta a renda mensal do caminhoneiro em até 20%. Fundada em março de 2016, hoje a CargoX já atende grandes empresas como Unilever, Ambev, Whirlpool e Leroy Merlin. A rede de materiais de construção foi, inclusive, um dos clientes que mais cresceu dentro da startup.”Hoje já transportamos 70% da carga da Leroy”, diz Bruno.

No fim de 2016, em reconhecimento ao trabalho prestado para a startup, Emílio Carlos Gorgulho – caminhoneiro da rede da CargoX há um ano -, recebeu uma premiação da empresa. Confira aqui a surpresa preparada pela CargoX para Emílio e sua esposa:

Investimentos

Até agora, a empresa realizou duas rodadas de investimento, em um total de R$49 milhões. Os aportes foram realizados pela Valor Capital, Goldman Sachs e outros investidores, entre eles, Oscar Salazar – cofundador e CTO da Uber -, que agora também é um dos sócios-diretores da CargoX. “Ele tem participação ativa nas tomadas de decisão da empresa, então ele traz todo este know-how que adquiriu empreendendo, nos auxiliando em todos os processos de tecnologia”, explica Bruno.

Outro nome que ocupa um cargo na equipe de gestão e criação empresa é Eddie Leshin, ex-COO da Coyote Logistics. A Coyote é uma empresa que opera nos Estados Unidos com o mesmo modelo que a CargoX. Em 2015, a transportadora foi vendida para a UPS por US$2 bilhões.

Para Bruno, o mercado de transporte e logística no Brasil tem um cenário muito promissor, principalmente para as startups que estiverem ingressando neste segmento. Em 2016, a empresa entrou na lista das 150 startups de logísticas mais expressivas do mundo, segundo estudo da CB Insights. “Tem muito espaço em outras áreas da logística para o surgimento de mais empresas no País. Grande parte das startups deste mercado ainda estão em fase de crescimento, e estamos percebendo um maior interesse dos empreendedores para este segmento”, finaliza.

Bruno Torres, diretor de marketing e Federico Vega, CEO da CargoX