Recentemente recebemos a notícia de que o Airbnb, uma das startups mais valiosas do mundo, finalmente começou a lucrar. Hoje, a empresa criada em 2008 vale mais de US$30 bilhões e as receitas da empresa cresceram 80% em 2016.

De acordo com informações da Bloomberg, o Airbnb tornou-se rentável pela primeira vez durante o segundo semestre de 2016, segundo fontes próximas à empresa. A startup de aluguel de casas e apartamentos por curtos períodos prevê que vai manter a rentabilidade em 2017.

No fim do ano passado, o STARTUPI também noticiou que a Giphy, plataforma de GIFs sediada em Nova York, levantou US$72 milhões em financiamento liderado pela Draper Fisher Jurvetson, Institutional Venture Partners e China Media Capital.

Alex Chong,CEO do Giphy

Com este, a startup soma US$161 milhões em aportes e passou a valer US$600 milhões. Apesar disto, a plataforma não ativou qualquer forma de monetização, oferecendo suas ferramentas e recursos para editores e empresas de mídia de forma gratuita.

Pensando nisso, selecionamos algumas grandes startups com capilaridade nacional para explicarem um pouco sobre a forma de monetização dos seus produtos. Afinal, como estas empresas ganham dinheiro?

Guiabolso

A startup surgiu em 2012 e tem milhões de usuários no Brasil. Segundo Thiago Alvarez, CEO da empresa, o projeto nasceu como fruto da experiência complementar dos fundadores. Na McKinsey, Thiago focou em projetos de serviços financeiros e percebeu o grande problema por parte dos consumidores.

“No Groupon, Benjamin Gleason viveu a explosão de e-commerce impulsionada por maior acesso dos brasileiros à internet via banda larga e aumento do uso de cartões de crédito. Além disso, nós dois tínhamos trabalhado com iniciativas de impacto social e trouxemos essa missão para o GuiaBolso”, explica.

Até agora, a empresa já recebeu quatro rodadas de investimento, levantando R$90 milhões de diversos fundos e investidores-anjo. Na última rodada, receberam aporte da International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial.

Thiago Alvarez e Benjamin Gleason, CEO’s do GuiaBolso

O GuiaBolso começou a buscar recentemente um modelo de monetização. “A dica que daríamos (para quem está nesta fase) é que para a sobrevivência do negócio é importante encontrar um modelo de monetização o quanto antes ou ser muito bom de fundraising. De forma geral, para conseguir funding e não ter que trazer receita desde o início é importante criar algo inovador que resolva um problema muito real em um mercado grande e lucrativo, com alguma diferenciação (“barreira de entrada”), seja tecnológica, de network effect ou outra”, diz Thiago.

Ontem o GuiaBolso anunciou o lançamento de uma plataforma de crédito com juros até 16 vezes menores que os empréstimos tradicionais. Cerca de 35% dos novos usuários do GuiaBolso possuem dívidas no cheque especial.

“Por causa deste número elevado, entendemos que este é um dos problemas financeiros que atormenta os brasileiros e que poderíamos atuar de maneira positiva trazendo uma solução inovadora e com boas ofertas de empréstimo”, completa.

Reduza

A Reduza é uma startup que encontra as melhores promoções e descontos na internet utilizando apenas o link do produto. ” Ficamos dois anos desenvolvendo a ideia, e lançamos oficialmente em abril de 2015 a primeira versão do Reduza, uma ferramenta que chamou a atenção de todos pela praticidade na forma de gerar economia para nossos consumidores, reduzindo preços em milhares de produtos em grande lojas online”, explica Amador Gonçalves, fundador da empresa.

A startup ainda não recebeu aportes, e se mantém com as comissões que recebem em cima das vendas dos produtos para as mais de 100 lojas parceiras. “O site já estreou monetizando para 20 lojas, pois já tínhamos uma experiência anterior nessa área através da startup Ofertas de E-mail”, conta Amador.

Para 2017, a meta da empresa é chegar a mais pessoas, por meio de parcerias estratégicas, e também deixar a ferramenta cada vez mais eficiente, de forma a garantir o “menor preço sempre”, para qualquer consumidor que queira economizar.

“O valor de frete, por exemplo, ainda é um grande vilão nesse mercado, e vamos melhorar isso através de novos recursos em nossa plataforma, além de apontar para o consumidor o menor preço à vista e o menor preço parcelado de forma diferenciada”, diz.

Cuponomia

A ideia de criar o Cuponomia surgiu em 2012, quando os empreendedores Antônio Miranda e Vinicius Dornela perceberam uma mudança de cultura dos brasileiros dentro do comércio eletrônico e identificaram que a busca online por cupons estava crescendo. “Decidimos levar o cupom, que até então só podia ser utilizado em lojas físicas, para o e-commerce”, diz Antônio Miranda, CEO do Cuponomia.

O Cuponomia recebeu investimento da 500 startups. A empresa foi uma das três brasileiras selecionadas para participar do programa da aceleradora americana. Os cupons de desconto são monetizados através da parceria com grandes lojas do comércio eletrônico. Para cada transação gerada a partir de cupons e ofertas divulgadas no portal, a startup recebe o comissionamento das redes.

Antônio Miranda e Vinicius Dornela, fundadores do Cuponomia

O modelo de monetização do negócio funciona desde o início da empresa até hoje. “No começo, foi mais difícil para fechar as parcerias com as lojas, uma vez que, no Brasil, as varejistas não conheciam o mercado de cupons e como funcionava” , comenta Antônio.

A previsão de crescimento  da startup para este ano é otimista, considerando os resultados do último ano. Mais de 15 milhões de cupons de desconto foram utilizados em 2016. A expectativa agora é aumentar ainda mais o número de parcerias e de cupons de descontos oferecidos em segmentos de lojas departamento e viagens e turismo.

“A grande novidade para 2017 também é ampliação do programa Cuponomia +, onde os usuários cadastrados ganham pontos ao comprarem nas lojas parceiras utilizando os códigos promocionais e podem trocar por prêmios como ingressos para shows, cinema, recargas de celular, créditos para compras, entre outros benefícios”, completa o CEO.

Waze

O app foi criado em 2009 e comprado pelo Google em 2013, por US$1.3 bilhão. É utilizado por mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, e cerca de 76% dos brasileiros usuários de smartphones utilizam o serviço.

Flavia Rosário (foto), gerente de marketing do Waze no Brasil, diz que criar um produto para acomodar voluntários foi a coisa mais inteligente que a empresa fez, porque os permitiu manter a equipe interna focada na inovação de produtos e simultaneamente iniciar operações tanto na Malásia como na América Latina.

“Nossos voluntários nos ajudam a editar o mapa do Waze porque se sentem orgulhosos em fazer isso, mas também por necessidade. Simplesmente não havia um serviço melhor de navegação para muitos de nossos usuários em seus países. Na nossa proposta de valor, sempre ficou muito claro que você recebe o que você dá, estamos nisso para solucionar o trânsito juntos. O que dizem é verdade: se você tem um produto respeitado mundialmente, o marketing é secundário”, explica Flavia.

Ela diz que o crescimento da empresa e a popularidade no Brasil são fruto da sensação que os usuários têm de que a plataforma foi criada especificamente para suas cidades. “Nosso serviço para alertar os motoristas sobre as restrições de rodízio foi bastante popular em 2016. Nós pretendemos expandir esse apoio em todo o Brasil (onde isso começou), mas também globalmente, quando relevante. Você poderá ver mais recursos hiperlocais que são personalizados para cada motorista e sua região.”

Para ela, a monetização raramente vem primeiro. E a maneira da empresa alcançar este objetivo é compartilhar seus dados gratuitamente. Isso permitiu que a empresa encontrasse parceiros que pensam do mesmo modo que o Waze e que tiveram algo a dar em troca também, como exposição em TV e rádio por meio de programas, por exemplo.

“Nós jamais poderíamos ter pago pelo espaço nesses programas de TV, e ainda assim, o Waze é agora o provedor de tráfego gratuito para muitas transmissões de notícias ao redor do mundo. Eu aconselharia startups primeiramente a ‘acertar’ seu produto. Se as pessoas gostarem, o valor da sua audiência vai se multiplicar e, em seguida, isso te dará uma base para começar a cobrar”, finaliza.