Os conceitos de realidade aumentada começaram a aparecer ainda no século passado. As experiências e invenções que utilizam o conceito de realidade imersiva começaram a datar a partir do século XVIII. Nessa época, em que ainda não tínhamos tecnologia eletrônica como temos hoje, já se faziam espetáculos e demonstrações publicas com luz de vela, luz de projeções que, por meio de telas com back projection, era possível realizar experiências bastante imersivas.

Assim como aconteceu com os espetáculos, o potencial da realidade virtual é muito maior do que pensamos, e poderá ser explorado por diversas áreas e os empreendedores Ohmar Tacla, Rodrigo Schneider e Diego Gonzalez, que há 9 anos trabalham juntos no desenvolvimento de jogos 3D, sistemas e marketing digital já perceberam isso.

Em 2011 eles criaram a Loox VR, startup que desenvolve hardware e software de realidade virtual, aumentada e mista com o objetivo de democratizar a realidade virtual, oferecendo produtos acessíveis e fáceis de usar.

Trabalhando com Realidade Aumentada desde 2009, eles criaram seu primeiro protótipo de óculos VR em 2012, utilizando como base uma máscara de ski, lupas e um iPhone 4. Este experimento resultou em uma linha com 6 modelos de óculos de realidade virtual para smartphones, desenhados e patenteados pela empresa.

Hoje a realidade virtual pode até estar mais acessível e reconhecida pelo público, mas desenvolver essa tecnologia aqui no Brasil tem lá seus desafios. Em entrevista ao Startupi, Ohmar contou que acompanhou de perto a mudança de opinião das pessoas quanto à RV.

“No começo os clientes e investidores riam de nós, diziam que aquilo nunca ia pegar. Em 2014, chegamos a apresentar os óculos para centenas de investidores de tecnologia americanos e brasileiros, que não acreditavam que Realidade Virtual teria tração. Isto começou antes do surgimento do Google Cardboard e da compra da Oculus pelo Facebook. Apresentamos nosso óculos até para a Samsung americana, oito meses antes do lançamento do Gear VR“. Ohmar destaca que hoje as coisas mudaram bastante e estão recebendo um feedback muito positivo de consumidores e empresas.

O empreendedor acredita que a Realidade Virtual se tornou a bola da vez para grandes marcas e agências de publicidade, que utilizam a tecnologia para criar campanhas de alto impacto e baixo custo. “Acredito que a massificação da RV se dará através de conteúdo patrocinado, brindes e ações de marketing direto, pois utilizando um par de lentes e a distância focal correta, é possível transformar embalagens de produto em óculos VR“, argumenta Ohmar.

Visualizando o potencial do mercado imobiliário, em 2013 a startup começou a comercializar showrooms imobiliários VR, produzindo projetos para Cyrela, Tecnisa, AG7, Mabu Resorts e Brava Beach.

Seu primeiro óculos VR vendido no varejo foi o Loox VR Alpha, lançado em 2015 para vendas online através de e-commerce e marketplaces como Americanas, Submarino e Walmart. Seu formato ergonômico, com leveza e lentes grandes atraíram consumidores e empresas como Visa, Banco do Brasil, Santander e Positivo, que utilizam os óculos para ações de marketing e treinamentos.

No mercado automobilístico, a Loox VR criou para a Renault uma série de vídeos 360º para o lançamento do veículo Duster Oroch, simulando um test-drive virtual por pontos turísticos.

Para o stand da Renault no Salão do Automóvel 2016, a Loox VR produziu um box de Fórmula-1 onde o usuário podia caminhar pelo cenário e interagir com veículos e um motor utilizando tecnologia room-scale.

A Loox VR cria também óculos em formatos especiais e sustentáveis, como garrafas e potes que se transformam em óculos VR quando vazios, incitando os compradores a reciclar as embalagens. “Estamos focando muito neste mercado, tendo criado e patenteado garrafas e potes que viram óculos. É um presente moderno e interessante que todos gostam de dar e ganhar”.

Ohmar conta que o maior problema ao desenvolver a Loox VR foi o fluxo de caixa para investir em moldes industriais e estoque de produtos. Eles ficaram muito desapontados com os investidores que não acreditavam na força da Realidade Virtual, e então pararam de prospectar fundos de investimento e focaram 100% da energia no mercado, fazendo a prospecção de grandes contas e no desenvolvimento de novos produtos. “Foi a melhor coisa que fizemos, pois em 1 ano conseguimos aumentar em 2.000% nosso faturamento comparado ao ano anterior e hoje trabalhamos com algumas das maiores marcas, agências de publicidade e produtoras de conteúdo do mundo”, conta Ohmar.

A startup conta em seu portfólio trabalhos para Renault, Faber-Castell, Universal Music, Visa, Volkswagen, Banco do Brasil, Santander, entre outras.

Agora em março começa a pré-venda de um novo óculos voltado para Realidade Mista, o que segundo Ohmar, é um nicho que em breve será maior do que a Realidade Virtual em si. “A demanda e reconhecimento da marca estão crescendo exponencialmente e 2017 será um ano para colhermos tudo o que viemos plantando. Já temos uma série de projetos em desenvolvimento para grandes marcas, com lançamento agendado para os próximos meses”.

Um dos projetos com maior potencial de viralização é o aplicativo Floresta Sem Fim, da Faber-Castell, criado para a Vetor Zero Lab e David the Agency. Eles participaram do desenvolvimento do app, que foi lançado em Janeiro no Brasil e em breve será lançado em outros países. O app de realidade aumentada permite que, a partir da transformação dos EcoLápis Faber-Castell, o consumidor colecione os animais que existem na Floresta sem Fim da empresa, de forma lúdica, interativa e informativa.

Além disso, a startup foi selecionada pela Apex Brasil e embarca em março para o SXSW, um evento único e, talvez, o mais importante do mercado de marketing, publicidade e internet do mundo. “Participar de um evento como esse nos ajudará muito a expor a marca, nossos produtos e serviços, que são bastante raros de encontrar no mercado, uma vez que somos uma das poucas empresas no mundo especializadas em engenharia de óculos VR para marcas”, finaliza Ohmar.