*Por Lindalia Reis

Um dos momentos mais fascinantes para um investidor é quando ele reconhece que fez o investimento na melhor startup que poderia escolher. Mas como medir isso? Será que existe uma fórmula para sabermos rapidamente as melhores decisões na hora de fazermos um novo investimento?

Sinto muito em dizer, anjos, mas não existe. Até porque no mundo dos negócios, a velha máxima de estar no lugar certo e na hora certa tange muitas das nossas decisões. O mais importante: saber reconhecer se o empreendedor está pronto para o desafio e como você poderá moldá-lo para chegar ao topo é fundamental para evitar as armadilhas dos investimentos.

Possivelmente, quem está começando hoje como investidor deve já saber de antemão que nem todo investimento vai trazer o retorno esperado. Mas há algumas pistas que podemos seguir para evitar os erros já conhecidos pelos mais experientes – me incluo nessa.

Momento pitch: a startup faturou R$1 milhão no ano passado. Devo investir por isso?

Quando você ouvir esta frase de um empreendedor, pare tudo e peça para ele te explicar de onde vem esse número, o histórico de clientes, como eles se comportam, houve maior aderência ao produto ou abandono? Nem sempre o faturamento é o único fator que retrata o verdadeiro potencial da empresa ter fôlego para se manter por muito tempo lucrativa. Explico.

Em alguns casos, o lançamento de um produto terá muita aderência no início, por conta de ser novo na “prateleira”, mas depois de algum tempo, que vai variar para cada produto e empresa, poderá ser esquecido por alguns clientes ou não aumentar a sua aderência, por falta de prospecção.

Outra métrica importante que nem sempre o próprio empreendedor consegue realizar é o Custo por Aquisição de Cliente (CAC). Nesse ponto, vale entender a fundo quanto a empresa já gastou para conquistar um cliente e fechar uma venda.

Então vale mais analisar o histórico antes de só se prender aos números de faturamento, que podem ser uma armadilha para o próprio empreendedor, que confia em sua evolução eterna, sem mensurar a perda de clientes.

Uma boa ou péssima apresentação no pitch nem sempre é o bastante para bater o martelo

Cuidado ao embarcar na empatia ou, pelo contrário, na falta de empatia com um empreendedor e isso acabar influenciando muito na avaliação que você está fazendo do negócio – porque sabemos que é impossível também não se deixar influenciar. Mas leve em conta que há muitos empreendedores que não sabem se expressar muito bem, ou até que não estavam no seu melhor dia para uma apresentação e nem mostraram o que realmente são capazes, mas que trazem um projeto inovador com grande potencial de venda. É nesse ponto que devemos parar para refletir. Retirando o apresentador do produto, ele é suficientemente bom para um negócio?

O empreendedor está preparado?

Esta não é uma pergunta tão difícil para responder. Você pode identificar facilmente quando o empreendedor nasceu para aquilo, quando ele possui informação e conhecimento sobre o mercado em que atua, consegue definir as fases do seu negócio muito claramente, suas reais habilidades e o que precisa incorporar na sua empresa, por exemplo.

Vale dizer que há diversos fatores que podem nos dar as características de um empreendedor e nem sempre elas serão as mesmas que você possui. Portanto, evite projetar o que você acha que o empreendedor deveria ser. Muitas das vezes, estamos apenas expressando a nossa visão sem contextualizar com o negócio, momento de lançamento, imagem da marca, e muitos outros fatores que interferem na construção da personalidade de um empreendedor.

Você está preparado para investir?

Agora vem o momento também de se autoavaliar. Por que não? Nem sempre o investidor vai estar preparado para entrar em um novo mercado, pois ainda desconhece os números e como se dão os negócios naquele ecossistema.

Pode também acontecer de o investidor estar quase certo da decisão, mas tem um detalhe ainda o incomodando ou deixando dúvida. Não dê um passo à frente, pois você pode estar ainda precisando de mais informações sobre a startup.

Qualificação sempre!

Para terminar, é importante lembrar que a decisão final de fazer ou não o investimento é muito particular e varia de acordo com a formação, experiência e personalidade de cada anjo. Não podemos, portanto, padronizar todas as tomadas de decisão baseados apenas alguns casos particulares, mas é importante que cada investidor busque se qualificar constantemente, medindo os próprios erros e acertos para promover novas jornadas de sucesso não só em seus negócios, mas também na vida dos empreendedores.


lindalia-reisLindalia Reis é Diretora Executiva Anpei,  Membro do Conselho Finep, do Comitê Inovação SET, do Board MIT Technology Review e Diretora de Educação do Gávea Angels. Engenheira de Produção UFRJ, Bacharel em Música, MBE UFRJ Gestão 3° Setor e selecionada pela Singularity University NASA em 2010. Foi responsável pelo Programa de Inovação I9 Rede Globo, conquistou Prêmio IBC Awards 2012, e como Diretora de Inovação da Universidade Estácio, criou o Espaço NAVE Núcleo de Aceleração e Valorização de Empreendedores, eleito a Melhor Aceleradora pelo Bizpark Awards 2015.