* Por Gabriela Manzini

Ampla concentração de headquarters de tecnologia e firmas de investimento Venture Capital, aceleradoras e incubadoras, educação de ponta e alto índice de empregos relacionados à tecnologia e inovação. Esse conjunto torna hoje o Vale do Silício o principal polo tecnológico e de inovação do mundo.

De acordo com Fernando Franco, representante da Câmara de Comércio de São Francisco e especialista em negócios com a América Latina, o Vale tem um clima, uma economia e um mindset completamente diferentes do que o mundo corporativo está acostumado. “Aqui as coisas são mais relaxadas, você não vai ver as pessoas correndo na rua”, disse o especialista ao grupo de 30 brasileiros durante o primeiro dia da Silicon Valley Digital Mission, imersão organizada pelo Startupi em parceria com o Digitalks.

Este é o segundo ano que levamos brasileiros ao Vale do Silício com o propósito de enriquecer seus conhecimentos, trocar experiências e fomentar negócios.

Franco explicou, no entanto, que, se você não tiver cooperação, nada no mundo empresarial funciona. E ele acredita que é exatamente esse o diferencial do Vale. “Cooperação é o que traz todos esses elementos juntos. É um estado de espírito que você leva aonde for. Isso se reflete nas pessoas. E as pessoas talentosas são o que movimentam tudo.”

Ele comentou que essa forma de ver a vida e seu lado profissional é o que atrai muitos jovens para o Vale, e manter um clima mais descontraído ajuda a reter esses talentos. “Jovens não querem viver em lugares entediantes.”

Construindo empresas inovadoras e fazendo negócios

“A América Latina é uma montanha russa, então pensar globalmente na hora de montar sua empresa é uma vantagem.” Em uma conversa muito produtiva, Franco comentou sobre os altos e baixos da América Latina e ainda aconselhou os participantes do grupo sobre a internacionalização de empresas, falando ainda como deve ser a abordagem se você deseja fazer negócios com organizações do Vale. “Empresas latino-americanos vêm para cá para vender, não aprender. E aqui é um lugar para aprender”, declarou o especialista. Ele lembrou que, assim como é necessário “tropicalizar” estratégias quando se vai para o Brasil, é necessário que a regionalização também aconteça se você vem do Brasil para o Vale.

Ele comentou que, para inovar, você pode criar a sua própria inovação ou pode ainda investir em outras empresas com esse mindset, acelerando-as. Como exemplo, ele citou a Coca-Cola como uma marca que soube fazer bem isso.

Por fim, o representante da Câmara de Comércio da cidade declarou que, para “medir o sucesso”, vale olhar para além dos números e entender o tipo de relacionamento desenvolvido. Se o negócio foi bom e um vínculo foi criado, isso se transformará em recomendação. “O governo, por exemplo, quer números para anunciar nos jornais. Eu meço sucesso [também] de uma outra forma: se a companhia que eu trabalho junto recomenda mais duas empresas que estão interessadas em fazer negócios na cidade e investir por aqui, é assim que eu entendo o [que é] sucesso.”

Twitter HQ

A segunda visita do dia foi uma visita bem bacana ao headquarter (HQ) do Twitter, no qual fomos recebidos pela “Patty”, do time de Eventos e Marketing. Ela explicou ao grupo um pouco sobre a cultura da empresa – “aqui, todos podem perguntar o que quiserem para seus chefes” – e também sobre a importância de “se devolver à sociedade” o que investimos enquanto empresa.

“Aqui tudo é gratuito. Para funcionários e, duas vezes por mês, para convidados. Temos diferentes culturas e isso se reflete na comida [que disponibilizamos], inclusive”, comentou a respeito das comidas e refeições que servem na sala do início do nosso tour.

Área de conveniência – Twiter

Área de conveniência – Twiter

Patty ainda citou outros dois programas sociais da empresa:

Twitter for Good – iniciativa que leva voluntários da empresa para ajudar moradores de rua da região do Civic Center;

Computer Lab – espaço com computadores dedicado à ajudar na inclusão digital de crianças e adolescentes carentes; o local possui alguns funcionários, mas a maior parte de quem trabalha por lá e dá aulas são voluntários.

O atual prédio emprega 2.500 funcionários dos quatro mil colaboradores do Twitter. A equipe mudou para o atual prédio do Twitter em 2010 e o edifício ao lado, dedicado à inovação, foi aberto em 2015. A organização está construindo uma ponte que vai ligar ambos os prédios sem precisar descer até a recepção. Ficou a impressão de que a atitude demonstra simbolicamente a inovação como parte integrante e fundamental da empresa.

O STARTUPI Match, um dos novos pilares do STARTUPI, simboliza a inquietude e a vibração de experiências incríveis como fonte de aprendizado, networking e negócios. O intuito é colaborar para a geração de relacionamento e negócios, como: DEMO Tour, Missões Internacionais, Encontros com Investidores e com grandes empresas. Muito mais matchmaking para o ecossistema de Startups é o foco dessa unidade de negócios do STARTUPI! Para conhecer mais, clique aqui e veja a programação.

Participantes da Missão Digitalks 2016 ao Vale do Silício, no HQ do Twiiter

Participantes da Missão Digitalks 2016 ao Vale do Silício, no HQ do Twitter

Fernando Franco, representante da Câmara de Comércio de São Francisco, comenta sobre os diferenciais do Vale do Silicío

Fernando Franco, representante da Câmara de Comércio de São Francisco, comenta sobre os diferenciais do Vale do Silicío

* Gabriela Manzini é gerente de conteúdo no Digitalks