Hoje o STARTUPI participou de um café da manhã com Roberto Jaguaribe, Presidente da Apex-Brasil, que apresentou os resultados das ações da agência deste ano e ainda contou suas estratégias para 2017. Ele iniciou a conversa destacando que Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), passou a ser parte integrante do Itamaraty, mas continua exatamente como era antes, trabalhando para a promoção de exportações e de investimentos no Brasil. O que muda é o seu local de ancoragem, no âmbito do governo federal, que segundo ele, é o seu lugar natural e necessário.

O trabalho desenvolvido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) junto às 11.466 empresas apoiadas em 89 setores da economia, abrange 222 mercados ao redor do mundo. As exportações totais brasileiras somaram, de janeiro a outubro de 2016, US$153,1 bilhões. No mesmo período, as exportações das empresas apoiadas pela Agência somaram US$35 bilhões.

A participação das exportações das empresas apoiadas pela Apex-Brasil representa 22,8% da balança comercial. Entre janeiro e outubro de 2016, as exportações brasileiras registraram uma queda de 4,6%. Já as exportações das empresas apoiadas pela Apex-Brasil tiveram uma queda de 3,9% em relação ao mesmo período de 2015.

Durante o bate-papo, o Presidente também afirmou que a Apex nasceu no âmbito do Sebrae, tentando incentivar a participação da micro e da pequena empresa no processo de exportação, por isso eles tem um foco maior nessa questão, que deve ser ampliado ainda mais.

As diretrizes estratégicas da Apex estão baseadas nos seguintes pilares:

Competitividade: Trabalhar na melhoria da capacidade exportadora dos setores econômicos por meio dos projetos PEIEX, Design Export e ICV Global e de parcerias com os projetos setoriais.

O PEIEX, Projeto Extensão Industrial Exportadora, por exemplo, tem como objetivo incrementar a competitividade e promover a cultura exportadora empresarial. O projeto oferece serviços de capacitação e assessoria gratuita para as empresas de pequeno e médio porte desenvolverem o potencial de exportação e ampliarem mercados.

Reformulação do portfólio de setores econômicos trabalhados pela Apex-Brasil: foco em setores com potencial real de exportação como Biotech, segmentos do Agronegócio e setores com viés de sustentabilidade

O executivo destacou que o agronegócio será um dos maiores focos da promoção comercial brasileira no exterior, com ações que serão realizadas em parceria entre o governo federal e entidades de setores como carne, café e frutas, entre outros.

Promoção de Imagem: Posicionamento da imagem do país em relação a atributos dos produtos brasileiros, com ênfase na sustentabilidade.

Segundo o Presidente, o principal mercado que pode ajudar a melhorar a imagem do País em escala global é a Europa. Segundo ele, é preciso trabalhar em conjunto com os formadores de opinião europeus para mostrar a realidade da agricultura brasileira.

Criação do Núcleo China: fortalecimento da competência analítica da Agência sobre a China, com atuação transversal na promoção das exportações, no apoio à internacionalização de empresas e na atração de investimentos.

A Apex criou um núcleo específico voltado à China que, apesar de ser agrande economia mundial, não é autossustentável em algumas áreas como por exemplo, alimentação e energia, onde o Brasil pode contribuir efetivamente. “O Brasil deverá fazer um esforço concentrado para penetrar esse mercado com bens de valor agregado, o que envolverá a internacionalização de empresas brasileiras dentro da China, o que já vem ocorrendo, uma tendência inclusive para o setor agroindustrial.”

Durante o encontro, aproveitamos para entender o ponto de vista da Apex-Brasil em relação aos empreendedores brasileiros e as iniciativas da agência para auxiliar startups a internacionalizar suas operações em 2017. Veja o depoimento do Presidente sobre o assunto.

Cases de exportação

Dentre os produtos que estão conquistando novos mercados internacionais ou tiveram destaque em sua performance em 2016, foram selecionados alguns para que fossem degustados durante este café da manhã. Veja alguns exemplos:

Forno de Minas

O pão de queijo fit da Forno de Minas é uma das principais apostas do produto para novos mercados. Os pães de queijo fit também fizeram sucesso na Sial 2016, no projeto comprador de supermercados e na rodada de negócios de mulheres empreendedoras da Apex-Brasil.

  • Porte: Média
  • Exporta desde os anos 90, mas expandiu as operações em 2015
  • Empregos gerados: 1000 diretos
  • Mercados: Canadá, Estados Unidos, Peru, Portugal, Inglaterra, Chile, Uruguai, Japão, Emirados Árabes, Portugal e EUA

Native Berries

Conhecido por lutadores e praticantes de esportes, o açaí brasileiro tem feito sucesso lá fora com este nicho. A pequena empresa tem 80% do faturamento anual provenientes de exportação. Os principais mercados são Chile, EUA, Reino Unido e Canadá. Participaram de feiras com a Apex-Brasil em 2016, quando fizeram seu primeiro contato com compradores internacionais.

  • Porte: Pequena
  • Exporta 80% do faturamento
  • Empregos gerados: 9 diretos e 80 indiretos
  • Começou a exportar em janeiro de 2016
  • Mercados: Reino Unido, EUA, Chile e Canadá

Romes queijos desidratados

O provolone e o gouda desidratados da Romess Alimentos foram lançados durante a Sial, em outubro deste ano, e já tem 12 mercados interessados nos produtos. A empresa, uma comercial exportadora que opera desde 2011, está apostando no salgado como seu primeiro produto próprio para exportação. A ideia é que no ano que vem mercados exigentes como o francês e o japonês já estejam com o queijo à venda. As negociações estão avançando.

  • Porte: Pequena
  • Deve exportar em breve
  • Empregos gerados: 8 diretamente e 30 indiretos
  • Mercados: Ucrânia, Chile, França, Inglaterra, França, Portugal, Espanha, Emirados Árabes, Rússia, EUA e Canadá