Aconteceu esta semana em São Paulo, a 5ª edição da Conferência Anual Anjos do Brasil. O evento reúne investidores-anjo, empreendedores e outros grandes players do ecossistema de startups e empreendedorismo nacional.

Realizada no Centro Universitário Senac Campus Santo Amaro, a Conferência lotou o auditório de convenções do espaço, com 570 participantes que debateram o futuro do mercado e as tendências para os próximos anos para os investidores-anjo.

Temas

De acordo com Cássio Spina, fundador e presidente da Anjos do Brasil, a cada ano o evento tende a crescer em tamanho, qualidade, profundidade e relevância dos assuntos abordados. Um dos temas de destaque do dia estão os empreendimentos de impacto, citados por Ana Fontes, fundadora da RME, como uma das mais importantes tendências para as quais os investidores devem olhar em 2017.

“Cada vez mais empreendedores estão se preparando e especializando para entrar neste mercado, assim como os investidores. Antes eles apenas faziam suas ações sociais através de ONGs, agora eles viram que é possível fazer um modelo de negócio mais sustentável. Isso explica o interesse cada vez maior de pessoas no setor”, diz Cássio.

Outro tema abordado durante a Conferência foi a lei complementar nº 155, de 27 de outubro de 2016. O deputado Otávio Leite, que alterou as regras do regime do Simples Nacional e regulamentou a atuação do investidor-anjo no País.

De acordo com o deputado Otávio Leite, autor do Projeto de Lei Complementar, a medida é um divisor de águas para o empreendedorismo no Brasil, uma vez que os artigos 61-A até 61-D da Lei visam incentivar o investimento-anjo e diminuir os riscos desta atividade. “A lei cria uma retaguarda jurídica que permite que os anjos sejam muito mais atraídos a aportarem capital em boas ideias. A consequência disso é o desenvolvimento do ecossistema”, diz.

“Esta lei é fundamental para a atuação do investidor-anjo no País porque ela dá segurança jurídica que os investidores precisam ter, que outros países já tinham e nós ainda não. Isso facilita muito para que tenhamos muito mais investidores. Ainda não é tudo, mas já é um estímulo para que as startups recebam mais investimentos”, declara Cássio.

Ecossistema

Um dos assuntos do dia foi o que ainda é preciso para que o mercado brasileiro cresça e se aproxime dos grandes mercados do mundo, como Estados Unidos e China.

Para Ana Fontes, o ecossistema hoje é muito mais sólido que há alguns anos, crescendo rapidamente, mas ainda é muito carente de educação empreendedora. “Quando eu comecei a empreender, lá atrás, a gente não tinha entidades de fomento ao empreendedorismo, salvo raras exceções, como o Sebrae. Hoje é mais fácil no sentido de que há muitas entidades e cada vez mais pessoas interessadas que o empreendedor dê certo. Mas educação empreendedora e escolas de negócios ainda são um gap, embora já existam algumas”, diz ela.

Renato Valente, da Wayra, acredita que o cenário de startups do Brasil necessita de mais fundos de investimentos e venture capitals. “A maior parte dos grandes investimentos realizados nas startups daqui vêm de fora. É preciso aumentar o volume de investimentos feitos em brasileiros por brasileiros”.

Rodrigo Baer, do CUBO, concorda com Ana e defende a educação como ponte para o crescimento das startups brasileiras. “Nós temos algumas ilhas de educação e tecnologia, mas a gente não consegue replicar os padrões de fora por falta de educação empreendedora. Nossas faculdades ainda são muito acadêmicas. É preciso colocar o mercado dentro das faculdades, porque existe um gap muito grande entre o mundo real e o acadêmico”, conclui.

Por fim, os participantes deram dicas para quem pretende se tornar investidor-anjo ou aprimorar a prática. Dentre as dicas estão: 1) crie uma proposta de valor única; 2) crie um vasto portfólio para diminuir o risco de perda de dinheiro. Evite investir todo o dinheiro em uma única ideia; 3) faça parcerias com pessoas experientes que já conheçam bem o mercado. Realizar investimentos sem conhecer o mercado é perder dinheiro; 4) conheça bem os fundos de investimento, outros investidores e aceleradoras, saiba quem são as startups que estão no portfólio delas; e 5) se capacite para a atividade.

O STARTUPI Education, braço de educação profissional do STARTUPI, oferece cursos de capacitação para empreendedores que queiram buscar investimento e para investidores-anjo que queiram começar a atuar no segmento ou reciclar seus conhecimentos.

Com um time de especialistas como Fábio Povoa, João Kepler, Cássio Spina, Marcelo Nakagawa, Marcelo Pimenta, Geraldo Santos e Camila Farani, os cursos são desenvolvidos para proporcionar aos participantes aprendizado rápido, completo e com aplicação prática nos negócios. Saiba mais sobre a grade de cursos na página do STARTUPI Education.

Para assistir à Conferência Anual Anjos do Brasil completa, acesse aqui.