Acaba de acontecer em São Paulo o 1o Aurum Summit. O evento, que teve o objetivo de compartilhar práticas inovadoras de gestão na advocacia, aconteceu no último dia 17 de novembro, na capital paulista. Quem esteve por lá pôde conferir como redes sociais, novos aplicativos e softwares estão revolucionando a forma de exercer o Direito.

Não importa qual o porte do escritório, o fato é que a inovação está presente em todas as frentes, desde o controle de prazos até o atendimento a cliente. Conforme o advogado Gerson Salvi Cunha, o mundo está passando por uma mudança de era e não por uma era de mudança.

Sócio do ASC Advogados Associados, em Porto Alegre/RS, Cunha tem ciência de que a adaptação para a era digital não é uma escolha, mas uma necessidade. Em seu escritório, processos judiciais são geridos como um projeto, com planejamento e controle de alocação de recursos, tudo via sistema. “Assim conseguimos precificar o trabalho e fazer com que o cliente perceba valor no serviço”, explicou.

Cunha reforçou que trata da gestão como se fossem duas engrenagens: sistemas e pessoas. “Querer que uma funcione sem a outra é como acelerar o carro sem as mãos na direção”, comparou. Ele tem a ajuda do jovem advogado Leonardo Souza Lanzini para trazer inovação ao negócio.

Ferramentas

Com três anos de formado e entendedor do universo digital, Lanzini passou a integrar diversas ferramentas para tornar a rotina de trabalho da equipe mais produtiva. Ele citou exemplos de softwares de gestão de projetos e gestão financeira e apps usados na comunicação interna do escritório e na comunicação com clientes.

Eduardo Koetz, advogado em Tramandaí/RS, também lançou mão de tecnologias disponíveis no mercado para melhorar os resultados do negócio. Com a ajuda da irmã, a publicitária Juliana, desenvolveu uma estratégia de marketing digital para atrair clientes. Como o escritório é focado em direito previdenciário, apostaram na produção de conteúdo relevante (inboud marketing) sobre aposentaria para postar constantemente no site.

No final de 2013, quando as ações começaram a ser implementadas, o site registrava cerca de 600 usuários por mês. Em setembro de 2016, esse número já superava os 126 mil usuários. A banca, que prioriza o atendimento virtual a clientes, recebe mensalmente cerca de 6 mil consultas, o que rende, em média, 35 novas ações por mês – no passado, eram duas.

YouTubers

Mariana Gonçalves, advogada especialista em Direito Imobiliário, também marca presença no mundo virtual, porém, faz questão de prestar atendimento personalizado aos clientes, recebendo-os no seu escritório em Itajaí/SC. Dona de um canal no Youtube, o Minutos de Direito, com mais de 33 mil inscritos, ela está nas redes sociais Facebook, Snapchat, Instagram e Periscope, além de alimentar seu próprio blog. É assim que Mariana ultrapassa as fronteiras e conquista clientes em estados, como Minas Gerais e São Paulo, além de ser convidada para aulas e palestras.

João Raphael Imperato é outro advogado youtuber. Seu canal, Direito em 60”, tem mais de 25 mil seguidores, todos ávidos pelas dicas que ele oferece aos recém-formados. Os temas dos vídeos, segundo ele, são sempre baseados nas dúvidas que recebe do público e vão desde como cobrar honorários a como fazer uma determinada atividade. Imperato disse que o processo de geração de conteúdo para o canal exige que estude alguns assuntos e isso, muitas vezes, contribui para o seu próprio desenvolvimento profissional.

De fato, não é mais possível separar o mundo on-line do off-line no Direito. Segundo a advogada Flavia Penido, especialista em Direito Digital, qualquer área da advocacia tem tecnologia envolvida. Na trabalhista, há questões que passam pelo comportamento dos funcionários nas redes sociais, acesso restrito a sites ou horas extras a partir do uso de smartphone da empresa.

Na tributária, ela citou como exemplo a cobrança do ICMS sobre os produtos vendidos via e-commerce. “Os advogados devem estar atentos aos movimentos de transformação que a tecnologia traz a diferentes negócios e setores da economia. O desafio é interpretar a lei e ter a disciplina de voltar aos princípios fundamentais do Direito para orientar os clientes”, ressaltou.

I.A.

Mario Esequiel, autor do livro Gestão eficiente de escritórios de advocacia, corroborou com o discurso de Flavia. Ele falou do uso da inteligência artificial para rastrear, por exemplo, pareceres de juízes e, assim, ter melhores argumentos na construção das teses de defesa.

Marco Antônio Gonçalves, responsável pelo marketing do Veirano Advogados, mostrou como é possível colocar business intelligence a favor dos resultados do negócio. “Havendo dados de qualidade no início dos processos, é possível fazer análises estratégicas com a consolidação das informações”, afirmou, ao esclarecer que, desta forma, os advogados conseguem ser protagonistas que mudanças que querem promover nos seus escritórios.

Em se tratando de mudanças e melhorias, a palestra de Felipe Castro, especialista em OKR (Objectives and Key Results), comprovou que boas práticas de gestão cabem em qualquer negócio, por mais peculiaridades que ele possa ter, como é o caso da advocacia. O método exposto por Castro foi criado pela Intel e é muito utilizado no Vale do Silício.

Ele consiste na definição e no acompanhamento de metas de forma clara e simples. Adepta ao OKR, a Aurum colhe os resultados de uma gestão cada vez mais eficiente e foi daí que surgiu a ideia de realizar o evento. “Ao compartilhar boas práticas e expor o novo, mostramos que a era da próxima advocacia já chegou”, constatou Antonio Neto, CEO da Aurum, durante a abertura do evento.