* Por Gilles Coccoli

Dentre os métodos práticos-criativos de solução de problemas está o design thinking, que auxilia a encontrar respostas inteligentes, priorizando a experiência do usuário. Essa é a metodologia utilizada pelas empresas que são modelos de inovação, já que surgem e progridem em ambientes dinâmicos, e exigem projetos bem estruturados e arrojados.

Porém, frequentemente, o fator determinante para o sucesso do projeto é o tempo que se leva para colocá-lo em prática. Nem sempre é possível esperar muito para lançar um produto no mercado e, às vezes, os contratempos acabam atrasando o curso de desenvolvimento. Para resolver a equação entre tempo e processo é que foi criado o design sprint.

Assim como no design thinking, o foco do design sprint é o usuário. Aliás, algumas características permanecem as mesmas como a interatividade, a colaboração e os protótipos. A diferença fundamental é a duração do processo de design sprint que, normalmente, não passa de 5 dias. Pode parecer precipitado, mas atende ao objetivo de analisar as hipóteses rapidamente e de obter experiências concretas num curto espaço de tempo.

O design sprint é uma técnica para elaborar, desenvolver e lançar o projeto, sem que haja necessariamente o produto. O benefício, além do time-to-market, é a aceleração do processo de desenvolvimento, evitando retrabalhos e frustrações que poderiam exigir investimentos maiores e consumir muito mais recursos.

Não pense, entretanto, que não há um procedimento a seguir. Como todo processo de desenvolvimento, o design sprint respeita cinco etapas: entendimento do problema, brainstorming, decisão dos melhores caminhos, prototipação e teste. Com atividades colaborativas, práticas e centradas no usuário, o processo reúne especialistas de diversas áreas para criar, prototipar e testar soluções de forma bem rápida.

A adoção do design sprint facilita a circulação das ideias pela empresa e a partilha de informações entre todas as equipes, gerando um clima mais coeso e propício à inovação. No ambiente em constantes mudanças em que atua, a Ticket necessita de um sistema quase ininterrupto de inovação associado à tecnologia. Os intercâmbios entre equipes, e as sessões de design sprint têm contribuído com o notável avanço tecnológico da empresa nos últimos anos.

O equilíbrio entre concepção e entrega nos sistemas de inovação é sempre complexo. Manter as equipes envolvidas, em linha com a direção criativa, além de evitar desperdício de tempo e de recursos é ainda mais complicado.  Há diversas coisas que podem, e que irão dar errado. Os processos de sprint permitem acelerar o interminável ciclo de discussões e de retrabalhos, graças ao foco na experiência do usuário e no compartilhamento de conhecimento.

Ao invés de lançar um produto no escuro, sem entender bem se uma ideia é viável, obtêm-se dados claros, a partir de um protótipo realista. O design sprint é como um superpoder: avançamos rapidamente para o futuro, antes de nos dedicarmos a projetos caros, demorados e imprevisíveis.

Gilles Coccoli é presidente da Edenred Brasil