* Por Gustavo Paulillo

Desde a fundação de uma startup, os empreendedores assumem várias responsabilidades diferentes e chega uma hora em que é preciso desapegar (acho essa palavra mais adequada que o famoso “delegar”). Desapegar, pois realmente precisamos deixar nas mãos de outras pessoas as demandas que farão melhor que a gente. Essa diretriz é fundamental! Aqueles que se juntam para o crescimento da empresa devem desempenhar melhor seu trabalho que os fundadores.

Seu papel como empreendedor é trazer as pessoas certas, inspirá-las com um grande propósito e cobrar os resultados. Perceba que “cobrar” é seu dever, não seu direito. Venho percebendo que muitos empreendedores se sentem mal com essa função de cobrar as pessoas. Eu mesmo já passei por isso. Mas nós devemos fazê-lo, como também nos atentar para cobrar de maneira adequada.

A questão que mais desconforta na hora da cobrança é o fator “crítica”. Quando cobramos da forma errada, a cobrança pode acabar parecendo uma crítica ao trabalho feito ou até mesmo uma questão pessoal com o funcionário. Como resultado, o colaborador pode sentir-se injustiçado ou mal compreendido e esse é o último sentimento que você quer despertar em sua equipe.

Mas qual é a melhor forma de cobrar? Tudo começa com o mindset: o objetivo da cobrança precisa estar claro em sua mente muito antes de falar com as pessoas. A cobrança deve visar o crescimento da marca, que é resultado do crescimento das pessoas em conjunto. Sendo assim, ela influencia e depende da evolução de cada colaborador. Isso precisa ser genuíno e comunicado sempre.

Certa vez encontrei um artigo com uma fórmula que me fez refletir: Resultado da empresa = ∑ Resultado do indivíduo = Modo de pensar * Determinação * Habilidade.

Em outras palavras, o crescimento de sua empresa está ligado diretamente à soma dos resultados da sua equipe, que, por sua vez, está ligado ao mindset versus determinação versus habilidade. Se faltar algum desses itens, o resultado não será alcançado da forma desejada. Por isso, lemos por aí que é importante contratar as pessoas que têm brilho no olho pelo propósito de nossa startup, que têm a motivação e o modo de pensar certos (growth-mindset), que tenha a vivência ou esteja aberto para enfrentar desafios e habilidade para o cargo contratado.

Vale lembrar que esse último item, habilidade, é um fator bem delicado. Se você contratar a pessoa certa, mas colocá-la na função errada, isso pode acabar gerando uma série de atritos que irão desmotivar o profissional, o que consequentemente afetará a entrega de resultados.

Bons profissionais querem realizar um grande trabalho, entregar resultados com qualidade, aprender mais e crescer. Sua função é possibilitar que isso aconteça, fazendo com que a empresa também cresça junto. Como CEOs e fundadores de startups, devemos observar nossas equipes todos os dias e fazer os ajustes necessários em prol desse objetivo – o desenvolvimento do negócio e dos talentos que acreditam nele.


Gustavo Paulillo Gustavo Paulillo iniciou sua carreira atuando como analista de sistemas para clientes como Tigre S/A, Cereser, FinanceiraAlfa S/A e GOL Linhas Aéreas, operando também com sistemas da SERASA. Em 2012, em sociedade com seu irmão Júlio Paulillo e Tulio Monte Azul, criou o Agendor, app que ajuda a área comercial de PME’s a organizar e aumentar as vendas e que, atualmente, atende mais de 15 mil clientes.