* Por Hiran Eduardo Murbach

Antes de responder esta pergunta, é pertinente fazer outra: você sabe a diferença entre um empreendedor e um empresário ou para você são sinônimos? Não, não são a mesma coisa, apesar de muita gente achar que sim e aí que mora um grande perigo para qualquer empresa, seja ela startup ou não.

Um empreendedor normalmente é um cara visionário que consegue enxergar oportunidade onde outras pessoas não veem, ele cria ou reinventa algo que os consumidores desejam e, assim, inicia uma empresa baseada em um modelo de negócio inovador e, principalmente, rentável. Ele entende tudo do seu produto e do seu cliente, mas sem ele o negócio não prosperaria.

Porém isso é apenas uma parte da equação chamada “sucesso”, porque esse tal “sucesso” que todos buscam não é atingido apenas com um produto incrível. O ato de ter uma empresa é bem mais complexo e é neste momento que entra em cena o empresário.

O empresário não precisa ser um cara inovador, disruptivo, muito menos ser o mais criativo ou mais carismático, pois ele é o que mais entende do negócio em sí. Ele conhece todos os números da empresa, sabe o que é rentável e o que é deficitário, domina todos os processos de produção e entrega de valores, tem controle de todo o financeiro ao mesmo tempo que gerencia as pessoas envolvidas, mas sem deixar de saber se a parte fiscal está em dia. O empresário é aquele que usa muito mais o Excel do que o PowerPoint.

É neste ponto que muitas startups com potencial derrapam, porque elas são constituídas de excelentes empreendedores, mas nenhum empresário. O pior é que estes empreendedores as vezes acreditam que isso não é necessário, pois uma empresa se sustenta apenas e tão somente com produto e vendas, sendo o resto apenas detalhes menores.

Da mesma forma que nas antigas padarias e vendinhas de bairro, onde o dono tinha um caderno que ele anotava todas as contas, obtendo controle de cada centavo que entrava e saía, fazendo isso de modo automático e natural, é preciso que as startups aprendam que elas precisam sim do empresário. A partir do momento que conseguem o CNPJ, elas não podem mais se eximir das obrigações cabíveis à todas as pessoas jurídicas.

Obviamente que nem todo mundo é empresário, da mesma forma que nem todo mundo é empreendedor, mas o encontro do balanço perfeito entre essas duas condições é a fórmula do sucesso, ou vocês realmente acreditam que Bill Gates, Steve Jobs e Jeff Bezos, entre outros, não tinham controle absoluto sobre todos os números de sua empresa? Isso não aparece em livros e filmes porque não há glamour algum nessas atividades, mas sem isso, jamais teríamos a Microsoft, a Apple e a Amazon.


Hiran Eduardo Murbach é Advogado com MHiranBA em Marketing na PUC-SP, vive o ambiente das startups há pelo menos cinco anos. Foi o responsável pelas relações com os investidores no Startup&Makers da Campus Party 2014, professor convidado do Laboratório de Startups, do Centro de Inovação e Criatividade – ESPM, e Autor dos livros “Quebrando: aprendendo com os erros dos outros”, “O Grátis no Marketing Digital” e “O que é essa tal criatividade?”. Atualmente é sócio e responsável pela área de startups e novos negócios na empresa SeuApoio.