O Google Campus São Paulo está fazendo uma série especial do Campus Presents, onde founders e CEOs participam de um evento aberto ao público para compartilhar suas experiências e bater um papo com outros empreendedores e representantes do ecossistema.

No mês do Outubro Rosa, eles aproveitaram para convidar Luciana Caletti, cofundadora da startup LoveMondays, recentemente adquirida pela americana Glassdoor, para iniciar a sequência de eventos. Ela contou detalhes sobre a sua trajetória e o desenvolvimento da sua ideia, desde a negociação com investidores até detalhes sobre a venda da startup. Confira abaixo!

Como tudo começou…

Luciana começou a fazer engenharia, depois largou e decidiu cursar Direito, e mesmo odiando a faculdade, ela se esforçou para ter o tão desejado diploma. Enquanto estudava, ela dava aulas de inglês e sempre teve muita vontade de viajar o mundo e morar fora do País, e por algum motivo, sempre teve uma atração especial por Londres. Uma semana depois da sua formatura ela partiu inicialmente para ficar um ano estudando inglês, mas esse um ano acabou virando dez.

Londres e Vale do Silício

Durante os dez anos em que Luciana morou em Londres ela trabalhou como garçonete, babá, depois foi para o Consulado Brasileiro, fez consultoria, terminou seu mestrado e então, começou a trabalhar com marketing. Foi durante o mestrado que ela conheceu um dos fundadores da startup.

“Uma coisa muito legal do MBA foi que ele me trouxe uma vontade muito forte de abrir meu próprio negócio. Sempre tive o sonho de empreender, pois sou de uma família de empreendedores, meus pais tinham empresa, mas eu achava que era legal ter uma experiência no mundo corporativo, viajar, conhecer e errar com o dinheiro dos outros antes de abrir o meu próprio negócio”, comenta Luciana.

Durante o MBA, Luciana conheceu diversos empreendedores e também o Vale do Silício, onde visitou várias empresas. Até aí Luciana não sabia nada sobre tecnologia. “Eu não sabia o que era um negócio escalável, mas quando eu descobri, me apaixonei pelo poder da escalabilidade de um negócio de tecnologia”.

Ao terminar o MBA, ela conta que estava com um rombo na conta bancária, por isso precisou arrumar um emprego, foi quando começou a trabalhar na Johnson & Johnson com marketing.

O ponto chave da mudança

“Ou eu começo meu próprio negócio agora ou eu nunca mais vou começar”. Três anos depois de terminar seu MBA, Luciana estava se sentindo confortável na área corporativa e foi aí que percebeu que era a hora de empreender.

Durante sua apresentação, Luciana citou Jeff Bezos, Fundador da Amazon ao falar sobre o arrependimento. O CEO da Amazon faz um esforço para estar motivado para fazer algo com base na possibilidade de arrependimento. Se você tem medo de tomar uma decisão de negócio e hesita em fazê-lo, pense se um dia irá ou não se arrepender de não ter feito. Se for o caso, a única opção que você tem é agir, sem perder tempo.

Luciana começou então a questionar do que iria se arrepender mais: ficar no mundo corporativo ou ir à falência? Assim ela chegou a conclusão que seu maior arrependimento seria de ter ficado na sua área de conforto e não ter arriscado pelo seu sonho de empreender. “Prefiro ir à falência do que me arrepender de não ter feito”.

Começando um negócio do zero…

Luciana conta que em 2012 ela começou a perceber um movimento muito forte das startups no Brasil e também um interesse dos venture capitals no nosso mercado. Com isso, em 2013, ela decidiu voltar ao País para desenvolver seu negócio por aqui, era um mercado grande e cheio de possibilidades.

Confira no vídeo abaixo Luciana explicando porque decidiu criar um negócio no Brasil e não no Vale do Silício ou em Londres.

Luciana e seu sócio, também marido, decidiram voltar ao Brasil e pela indicação de um amigo, se inscreveram para o programa StartUp Brasil, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) com gestão operacional da Softex em parceria com aceleradoras.

“Chegamos ao Brasil sem uma ideia certa de negócio, sabíamos apenas que queríamos criar uma startup de tecnologia”, destaca Luciana. Ela conta que fizeram uma lista de serviços que eles estavam acostumados a usar lá fora, mas que ainda não estavam disponíveis por aqui. Durante a apresentação, Luciana também deixou claro que se espelhou no modelo de negócio da Glassdoor.  “Se tinha um negócio que nós éramos apaixonados era o Glassdoor, por ser uma ferramenta que empodera o profissional. Nós viemos do mercado corporativo onde durante o momento de contratação a empresa sabe tudo sobre o candidato, mas quem busca a vaga não sabe muito sobre a empresa. Gostamos da forma como eles resolvem essa ineficiência permitindo que as pessoas conheçam melhor a empresa antes de decidirem sua carreira”.

Eles lançaram a primeira versão da Love Mondays em três semanas com 20 avaliações feitas por amigos e familiares, e assim foram aceitos para o programa do Governo e participaram do programa de aceleração da ACE por quatro meses. “O processo de aceleração foi fantástico e eu recomendo para todos aqueles que estão começando um negócio. Para nós, que viemos de grandes empresas, conhecer metodologias ágeis foi uma parte muito importante, além de ter acesso a mentores fundamentais”.

A startup também participou e venceu a competição Latin America Startup Challenge, o que fez com que a LoveMondays ganhasse maior reconhecimento no mercado, o que atraiu o interesse dos investidores. Assim, com 1 ano no mercado, a LoveMondays recebeu duas propostas de investimento e acabou fechando negócio com a Kaszek ventures.

Smart Money

Luciana conta que optaram pela Kaszek pela experiência do fundo em negócios que exigem massa crítica, networking e conhecimento de marketplace. “Trabalhando com eles eu entendi o significado da expressão Smart Money, que muitos falam da importância de um investidor que não traga só dinheiro, mas também expertise para o negócio. Fomos muito felizes com a nossa escolha, o fundo realmente agregou um valor ao negócio, muito mais do que dinheiro em si e isso foi fundamental para o nosso carecimento”. Com o investimento eles conseguiram montar seu primeiro escritório e contrataram mais pessoas para integrar a equipe.

Os fundadores da Love Mondays são a brasileira Luciana Caletti, CEO do site, o irlandês Dave Curran, CFO, e seu compatriota Shane O’Grady, que ocupa o cargo de CTO.

Os fundadores da Love Mondays são a brasileira Luciana Caletti, CEO do site, o irlandês Dave Curran, CFO, e seu compatriota Shane O’Grady, que ocupa o cargo de CTO.

Outro ponto destacado por Luciana durante sua apresentação foi a importância de comemorar as pequenas vitórias. Ela conta que a Love Mondays demorou nove meses para conseguir suas primeiras 1000 avaliações e hoje eles recebem mais de duas mil avaliações por dia. Hoje a Love Mondays conta com mais de 700 mil avaliações no site, no mês passado a startup ajudou mais de 1 milhão de profissionais a tomarem decisões de carreiras e a plataforma conta com 80 mil empresas avaliadas em sua plataforma.

A hora de vender a startup

Luciana conta que a Love Mondays sempre teve uma relação muito boa com os outros players do mercado, tanto do Brasil como América Latina e a cada seis meses, eles tentavam marcar um café, para trocar uma ideia e conversar, o que para ela é muito importante. “Você vai se surpreender com o quão aberto eles são, claro que eles também vão querer saber um pouco do seu negócio, mas é muito importante essa troca de conhecimento”.

Ela conta que tinha um relacionamento muito bom com a Glassdoor há dois anos e em junho, quando foram para o Vale do Silício participar do programa Google LauchPad Accelerator, como de costume, marcaram um café com a Glassdoor. “Começamos a conversar sobre a América Latina, eles estavam interessados nesse mercado e surgiu então a conversa se valia a pena trabalharmos juntos. O desfecho da conversa resultou na aquisição da Love Mondays”, conta Luciana.

A empreendedora conta que antes de aceitar a proposta levou em consideração alguns pontos, entre eles, pensar como a cultura da Love Mondays se encaixaria dentro da empresa. “É como um casamento, para nós não é um exit, mas sim um novo começo. Admiramos muito o trabalho deles, havia muita sinergia entre nós e, por isso, resolvemos aceitar a proposta”. Com a aquisição, Luciana e os dois sócios continuam à frente da startup com a operação do Brasil e passam a atuar também na América Latina. Ela conta que em breve irão investir para entrar em outros países.

Empreender não é fácil, por isso, conhecer a história de pessoas que já passaram por diversas situações é muito importante. Não que os casos se repitam, mas um empreendedor que já recebeu investimento, já passou por um processo de aceleração e já negociou com grandes empresas com certeza irá acrescentar e te dar vários insights positivos para que você implemente no seu negócio. Vamos continuar acompanhando essa série do Google Campus, que em breve receberá ninguém mais ninguém menos do que o criador do Waze. Continue ligado no Startupi para ficar por dentro das novidades.