Aconteceu ontem (25) na sede da Wayra, o lançamento do AgriHub, uma rede de inovação em agricultura que conecta produtores, startups, mentores, empresas, pesquisadores e investidores, criando um ecossistema de inovação e empreendedorismo no agronegócio por meio da adequação de soluções tecnológicas de empresas agro, para resolver problemas do campo.

Trata-se de uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar – MT) e do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Famato – Entidade mãe que une os elos do sistema sindical rural de Mato Grosso. Em âmbito federal está ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Senar MT – Instituição de ensino não formal, voltada para a qualificação dos produtores, trabalhadores rurais e suas famílias, a fim de mantê-los em sintonia com as exigências do mercado de trabalho e em condições de garantir qualidade de vida.

Imea – Instituto privado, sem fins lucrativos, que trabalha com a coleta, processamento e análise de dados para o desenvolvimento do mercado Mato-Grossense.

Rui Prado, presidente do Sistema Famato/Senar, que também é um produtor rural, conta que percebeu durante os últimos anos e últimas safras, que o agronegócio precisa cada vez mais da tecnologia. “No passado isso era algo que ficava afastado da tecnologia, mas hoje isso está mudando, já existem soluções disponíveis, mas muitas delas com um custo muito alto para os produtores”.

Rui teve a oportunidade de visitar empresas de tecnologia nos EUA há dois anos, e percebeu que inúmeras soluções que estão sendo desenvolvidas na região chegam ao Brasil empacotadas e com características do ecossistema de lá. “Fiquei pensando, se o Brasil tem uma vocação muito boa para a produção agropecuária e o Estado do Mato Grosso é um protagonista nessa produção, por que a tecnologia precisa vir de fora? Por que não produzimos algo aqui com as nossas características? Tenho um sonho que é colocar o Brasil na vanguarda do Agronegócio, não só com a produção, mas também com tecnologia”, comentou Rui.

Daniel Latorraca, Superintendente do Imea, comenta que ao assumir o desafio do Semar, alguns dados chamaram sua atenção. Geralmente quando falamos de agropecuária, olhamos muito a produtividade de uma lavoura em si, e aí temos algumas diferenças quando comparamos o Brasil com outros países, mas quando não olhamos a produtividade, por exemplo, da soja, do boi, mas sim da mão de obra, as diferenças são maiores ainda.

Daniel destaca que, segundo o Banco Mundial, a produtividade do Brasil está em torno de US$10 mil por pessoa/ano, enquanto em alguns países chaga a ser 800% maior. A Argentina, por exemplo, chega a ter uma produtividade de mão de obra 130% maior do que o Brasil

Olhando tudo isso, pensamos que o sucesso do produtor depende do Processo, Pessoas e Produto, por isso usar a tecnologia é a grande chave. “Com novas soluções podemos melhorar os processos e tornar nossa agricultura mais competitiva. Entendemos que não temos condições de investir em P&D, mas esse novo processo de inovação com as startups e aceleradoras estão democratizando as possibilidades de inovação”.

Heygler de Paula, COO da AgriHub, destaca que o Brasil sempre teve vocação para o agronegócio, mas destaca a importância de um alinhamento de planetas, que são fatores extremamente complexos de trabalharem juntos: clientes, informação de mercado consolidadas e processos de educação, o que é válido para qualquer mercado. “Quando vejo essas três instituições criando o AgriHub, eu vejo esse alinhamento de planetas, ele bate muito em uma convergência de lentes que irão efetivamente resolver o problema dos clientes”, comenta Heygler.

O lançamento oficial do AgriHub acontece nesta quinta-feira (27) em Cuiabá, com a presença de produtores rurais, investidores, empreendedores e membros da comunidade empreendedora brasileira, além de autoridades e representantes do mercado. Durante o lançamento, também será feito o projeto piloto do “Conexão Hub”, em que pela primeira vez, algumas startups, já selecionadas, recomendadas por fundos de investimentos e aceleradoras, se conectarão com produtores rurais abertos ao novo, com apetite ao risco e que possuem uma boa visão de cooperação no mercado.

Se as soluções apresentadas e as fazendas estiverem equiparadas, será realizada a ligação para promover a rodada de teste de ao menos um ciclo do produto/serviço. Após cumprida as etapas do processo de testes e implementação da solução, será feia a avaliação Market fit, as quais a empresa deve ter um número de dez clientes e ter conseguido ao menos uma recompra da solução. As startups selecionadas que participarão do evento de lançamento e do projeto piloto são: Inceres; Agronow; Agvali; Bart.Digital; Promip e Agrosmart.

Apesar de ser uma iniciativa de Instituições de Mato Grosso, o AgriHub está aberto para startups de todo o Brasil. Para agendar um bate-papo ou uma sessão de mentoria, entre em contato com o agrihub.youcanbook.me.