O Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões,  versão brasileira de um dos reality shows de maior sucesso nos Estados Unidos, contará com a presença de grandes nomes do mundo dos negócios no Brasil. Entre Sorocaba, Cristiana Arcangeli, Robinson Shiba, João Appolinário e Carlos Wizard Martins está Camila Farani,

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Considerada uma das investidoras-anjo mais admiradas e respeitadas do Brasil, Camila Farani é daquelas empreendedoras que aprendeu tudo sobre negócios desde o berço. Sua rotina é simplesmente frenética. Primeira mulher presidente do Gávea Angels, grupo de investimento-anjo; sócia da aceleradora ACE/Rio de Janeiro, e do Dealmatch, plataforma especializada privada de relacionamento para investidores pré-qualificados; e co-fundadora do MIA – Mulheres Investidoras Anjo, seu portfolio de startups é respeitável, somando 10 investimentos diretos e mais de 20 indiretos em empresas nascentes nos mais variados setores.

O primeiro contato de Camila com o mundo do investimento-anjo e de startups ocorreu quando foi convidada para participar de um fórum do Gávea Angels, um dos primeiros grupos desse tipo de investimento no Brasil. “Me apaixonei imediatamente porque tive a oportunidade de começar a ter contato e analisar novos negócios com os quais eu nunca tinha me envolvido. A equipe era composta por 30 homens e eu era a única mulher. Isso me incomodava”.

Por conta desta inquietação, ela passou a avaliar empresas e estudar muito para entender melhor o funcionamento daquele universo, mesmo sabendo que o setor não era representado por figuras femininas. Com isso, desenvolveu sua carreira através de cursos de especialização em empreendedorismo na Babson College e Customer Development em Stanford.

Cinco anos depois de embarcar no Gávea Angels, Camila se tornou a primeira mulher presidente à frente de um grupo de investidores-anjo no país. Sua longa experiência no mercado off-line, a vocação que despertou desde adolescente para empreender e os aprendizados no universo da tecnologia resultaram em um perfil bastante peculiar e muito procurado no cenário de investimento.

Camila Farani conversou com o Startupi sobre sua visão sobre negócios, vida empreendedora, desafios enfrentados pelas mulheres. Conta como foi sua participação e os bastidores da gravação do primeiro programa do reality e dá um recado aos empreendedores que estão começando sua trajetória. Confira a seguir a entrevista exclusiva, inaugurando o novo espaço no BEST OF THE BEST“, no Startupi:

Startupi: Quem é Camila Farani, na SUA visão?

Adoraria ter certezas, mas parto da premissa que sou uma eterna inquieta, que acredita nas pessoas que colocam paixão naquilo que fazem. Muitas vezes me sinto forte, porém são nos meus momentos de fragilidade que mais cresço. Erro bastante e não tenho vergonha de admitir, eles me provam que estou apendendo. Uma workaholic assumida, que tem no trabalho uma fonte de satisfação, mas que obviamente me traz consequências boas e ruins.

Faço escolhas e sempre me responsabilizo pelos resultados. Tenho medos e inseguranças, mas não descanso enquanto não me sinto realizada no que me propus. Ser mulher me leva a estudar constantemente como a força feminina pode contribuir na construção do  que realmente importa na vida – como alegria, perseverança, união, gratidão e oportunidade para todos.

Startupi: Te vejo com uma postura firme, forte, mas imagino que não deve ser fácil conciliar atividades de empresária, investidora, administradora da casa e mulher.  Como lida com isso tudo ?

 É bem difícil, mas olhe, são essas dificuldades que te levam a algum lugar. Como empreendedora eu apanho muito, fui enganada, aceitei riscos errados, porém vivo dos meus negócios. Desistir para mim nunca foi uma opção. Então tive que entender que com tanta coisa pra resolver eu precisava simplificar eliminando o desnecessário para que o necessário se manifestasse. Talvez por isso adote uma postura mais séria e objetiva. Mas no fundo, sou mais sensível que do que eu mesma gostaria.

Faço isso em prol de um propósito, mas também tenho uma vida pessoal e cultivo uma saúde familiar, porque quando estou com eles, estou inteira. Meus amigos e família estão nos meus planos diários, então reservo momentos que desligo de tudo pois são eles que me dão forças e motivação para seguir. Procuro ainda nos fins de semana estar em contato com a natureza para me energizar. Então no fim dá sim para conciliar, basta priorizar.

Startupi: Quais dicas daria para quem ainda não teve coragem de se atirar de cabeça no mundo do empreendedorismo e do investimento-anjo por medo de não dar conta do recado ou por comodismo?

A principal dica é que o passado não volta mais, mas o futuro você ainda pode construir. Quem espera o melhor momento pode deixar excelentes oportunidades passarem e acredito na máxima de que é melhor se arrepender do que fez ao se lamentar do que não fez. Empreender é uma louca aventura, mas não quer dizer que precise ser insana.

Com atitude, planejamento, persistência e uma boa dose de coragem acredito que qualquer um possa alcançar sucesso, seja alguém que decide abrir um salão de beleza porque está desempregado ou um empreendedor que construirá uma empresa que irá liderar seu mercado e fazer história.

Mas não se iluda, você terá noites sem dormir, vai ser o último a sair da empresa, pode ser que seu negócio fique no azul, mas considere como opção ficar no vermelho. E no fim, se for apaixonado por realizar, vai achar o equilíbrio certo entre sua vida pessoal e profissional.

Startupi: Por que as mulheres deveriam se inspirar em você e em outras mulheres de sucesso e sair da rotina do lar para empreender/investir?

Eu sempre digo que sucesso é relativo. É uma jornada e cada um tem a sua medida para o sucesso. Particularmente acho que esta história de que mulher é “do lar” é uma percepção do século XIX. Conheço mulheres extremamente felizes que são grandes “empreendedoras do lar” e isso não as faz melhor nem pior. São inúmeros os casos de empreendedoras e executivas de sucesso. Sônia Hess, Sofia Esteves, Luiza Trajano, Chieko Aoki e uma nova geração de mulheres empreendedoras, como a Tania Gomes, a Maria Rita Spina, Ana Fontes, Ana Paula Padrão, Natália Leite e a Camila Brennand, não me deixam mentir.

No meu entendimento a mulher de hoje não tem mais opção a não ser buscar sua independência, seja ela como for. Eu entendi que poderia impactar as pessoas através do investimento-anjo, que no fim me tornou uma empreendedora melhor. Não sou uma mega empresária, tampouco uma mega investidora, ainda tenho muito trabalho a fazer e não estou falando como “mimimi” para parecer algo que não sou. A partir do momento que eu acho que cheguei a algum lugar, eu paro de sonhar.

Se as mulheres quiserem se inspirar em mim, tem de vir naturalmente pelos desafios que enfrentei  e, acredite, é uma dádiva ser capaz de sobreviver a eles, de continuar seguindo em frente. Lido com situações embaraçosas, que muitas vezes, eu que me coloquei. Fico mal. No dia seguinte a vida se renova e não olho pra trás. A inspiração não é imposta, ela vem de acordo com quem enxerga em você um exemplo a ser seguido.

Fico extremamente feliz quando me procuram para buscar conselhos e dizem que as inspirei a transformar suas vidas. Porque no fim, quando nossa caixa de e-mails estiver vazia e fizermos um balanço da nossa existência, a única coisa que terá valor foi o legado que deixou, a luz que ofereceu a alguém.

Startupi: Por que decidiu participar do Shark Tank Brasil? Quais suas expectativas e objetivos em expor sua imagem no reality show?

 A Ana Fontes, guerreira da Rede Mulher Empreendedora, me mandou uma mensagem dizendo que havia me indicado. A primeira resposta foi: “Ana, não tenho a bagagem nem capital desses Sharks”. Logo depois a produção entrou em contato e me disse que eu seria a única representante do investimento-anjo, depois de uma dezena de perguntas que fiz. Ser a única anjo me deixou bastante insegura pois sei das dificuldades de todos que atuam no setor possuem. Fora que por ser ainda relativamente novo o movimento,  alguns dos meus argumentos poderiam ser desacreditados.

Consultei alguns investidores-anjo, que foram unânimes em dizer: não perca essa oportunidade. É fundamental para o ecossistema empreendedor e investidor. Liguei para a Ana Paula Padrão, uma mulher visionária, que admiro muito e é da TV, e ela foi enfática : “ Se está com medo, vai com medo mesmo. Mostra tudo que vem construindo e impactando a outras pessoas. Seja você.” Por fim, liguei para minha mãe, que também me apoiou, mas ressaltou que era desafiador.

Se expor dessa forma é um desafio, tem de ter coragem para ouvir a opinião alheia e ela não te afetar. Precisa de equilíbrio emocional para suportar a pressão de quem te olha torto. A verdade é que as pessoas te julgam pela percepção daquilo que elas acham que você é. Vivemos numa arena fértil onde todo mundo está pronto para um linchamento moral, só que a grande verdade é que nesse movimento estamos todos no mesmo barco em uma engrenagem complexa de aprendizado mútuo.

Diante dos conselhos, da auto-análise, criei um pool de investidores para que eu pudesse ter mais capacidade de investimento. Então meu objetivo é fazer negócios e levar conhecimento a público maior sobre investimento-anjo e ainda alavancar nosso cenário empreendedor.

Startupi: É uma experiência diferente pra quem não precisa aparecer para ter sucesso, você acredita que com sua participação na TV possa inspirar outras mulheres a empreender/investir?

Não sou a única mulher convidada para participar do Shark Tank. Terei a alegria de compartilhar desta experiência com a Cristiana Arcangeli, outra empreendedora por quem tenho enorme admiração. Se conseguirmos sensibilizar as mulheres para que despertem para seus potenciais, certamente nossa participação já terá sido mais que recompensada. Espero que a gente consiga mostrar a força feminina nos negócios lembrando que a complementariedade com os homens são essenciais também. Que podemos ser sérias mas também engraçadas e humanas. Que possamos ser mulher sem perder a feminilidade.

Startupi: Como foi sua participação na primeira gravação do programa? O que sentiu? Quais suas expectativas para os próximos?

Desafiadora. Olhei para o lado e vi o dono da Polishop, o Sorocaba, o Shiba e a Cris e que eu ainda revezaria com o Carlos Wizard. Daí pensei: Quem sou eu aqui? São pessoas que eu já admirava. Senti uma mistura de orgulho e nervosismo. Mas eu fiz uma escolha, então precisava seguir mesmo sabendo que é um business entertainment.

Não estou habituada aos holofotes das câmeras como estou acostumada aos palcos por conta da minha experiência como palestrante e professora. Procurei esquecer que era um reality show e busquei atuar da forma mais natural possível, exatamente como me comporto no meu dia a dia profissional.

No fim, foi muito divertido, com uma produção impecável e com muitos bons negócios de verdade. Me impressionei e isso me trouxe uma imensa satisfação.

Startupi: Acha que com sua participação no Shark Tank Brasil você abre espaço para mostrar ao País o que está sendo feito no ecossistema de Startups e no ambiente de investimento-anjo?

Espero realmente que sim. O ecossistema de startups e especialmente o cenário do investimento-anjo estão ganhando muita tração nos últimos tempos com organizações e empresas como a Anjos do Brasil, o Gávea Angels, outros grupos de anjos, bem como todas as iniciativas de aceleradoras como a ACE, Startup Farm, a Artemisia, pioneira em negócios de impacto social e  novos modelos de investimento como o Deal Match que participo além de  tantos outros que de uma forma alavancam nosso país no que tange a empreendedorismo e investimento. Fora as iniciativas de mulheres como Rede Mulher Empreendedora, o MIA, a Escola de Você…

Eu costumo dizer que muitas dessas pessoas fazem verdadeiros milagres. Posso dizer com assertividade que muitas vezes liderar esses grupos de investimento ou organizações, requer uma estrutura necessária que ainda não temos. É uma árdua tarefa. No Gávea Angels, que sou presidente, sou eu e um estagiário. Então não tem escolha e sim sobrevivência. Fazer dentro das nossas limitações.

No investimento-anjo , você tem de capacitar novos investidores e os mais experientes precisam de ter o chamado exit para ganharem fôlego para permanecerem investindo.

Além disso, tem a figura do investidor líder, que faz a roda girar entre empreendedores e investidores. Posso contar nos dedos os investidores líderes no Brasil. Não por falta de vontade, mas muitas vezes por falta de tempo e falta de conhecimento sobre o tema.

Soma-se  essa equação com nossa estrutura de capital e legislação. Então se com o Shark Tank cada vez mais as pessoas entenderem que investir em negócios é possível, que é como apostar seu capital em outras fontes e que o Brasil oferece muitas oportunidades de investimento para quem já construiu uma boa jornada  como empreendedor e executivo  e quer agora se tornar investidor e mentor. Há muito aprendizado a ser compartilhado por quem já viveu as dores do empreendedorismo. Espero que o programa traga motivação e inspiração para quem ainda não mergulhou de cabeça.

Startupi: Deixe um recado para o leitor do Startupi!

Não percam o Shark Tank, rs. Aproveitem o reality para tirar boas lições que poderão ser aplicadas no seu negócio. O programa nem estreou e já estou tendo muito feedback positivo. Fiquei muito impressionada em como o reality já é conhecido. Com o programa vamos mostrar que o empreendedor brasileiro tem seu valor e reúne todas as condições para construir negócios globais de grande sucesso. O brasileiro é criativo, inovador e tem jogo de cintura para empreender em um ambiente econômico desfavorável, o que é uma vantagem, porque está sempre pronto para lidar com as adversidades inerentes à aventura de empreender. Assistam o programa e, por favor, torçam por mim!

Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões é uma parceria entre o Canal Sony e a Floresta Produções que levará empreendedores em busca de aporte financeiro à frente de grandes investidores. Para convencê-los, será necessário aproveitar bem a chance de impressioná-los na hora de apresentar o negócio ou projeto em andamento. Tem estreia prevista para Quinta, 13 de Outubro, às 21h, no Canal Sony.

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