Quando falamos de empresários de sucesso sempre nos vem à cabeça pessoas com muitos anos de experiência no currículo. Mas atualmente, cada vez mais jovens colocam diariamente suas ideias na prática, deixando de lado os planos de um emprego formal e passam a empreender, adquirindo e acumulando desde muito cedo experiência e cases de sucesso.

Este é o caso de Gabriel Benarrós (foto), fundador e CEO da Ingresse, startup manauara que oferece, por meio de social ticketing, serviços de compra e venda de ingressos online para eventos de entretenimento em todo o País. Gabriel saiu do Amazonas  e foi morar em Palo Alto, no Vale do Silício, largando um curso de medicina no Brasil para se tornar bolsista da Stanford University.

“Quando estava no Brasil não era claro para mim que empreender era uma opção de carreira. Eu cresci acreditando que você tinha que escolher entre ser médico, advogado ou engenheiro. Eu comecei a pensar em empreender quando tive contato com a cultura do Vale do Silício que tem uma forte veia empreendedora”, explica Gabriel.

A ideia para criar a Ingresse veio de um evento em que ele ajudou a organizar na faculdade norte-americana e que teve um problema financeiro. Às vésperas de uma festa para um amigo que aconteceria em seu alojamento, estudantes de outro alojamento decidiram não comparecer ao evento, prejuízo que custou cerca de cinco mil dólares para os organizadores. “Resolvemos vender os ingressos restantes pela internet e vendemos tudo em poucas horas”, diz.

Ainda durante os tempos de faculdade, ele criou ao lado do irmão um prep program chamado Apply, mas não participa ativamente do projeto. Aos 23 anos, Gabriel já comandava sua própria empresa. “Tornar-se CEO de uma empresa em crescimento ainda jovem é uma experiência extremamente enriquecedora e dolorosa. Você está fazendo muita coisa pela primeira vez e sem script. É uma das coisas mais desafiadoras e emocionantes que um profissional pode fazer”.

Ainda durante a época nos Estados Unidos, a Ingresse foi selecionada para participar do 500 Startups, uma das principais aceleradoras do Vale do Silício, o que rendeu à startup um aporte de R$ 180 mil. Hoje, a startup já recebeu cerca de R$ 20 milhões em três aportes.

Para ele, o período universitário no Vale do Silício foi um dos mais enriquecedores para sua carreira. “Foram anos excelentes, onde eu conheci alguns dos meus melhores amigos e tive oportunidade de aprender com os líderes intelectuais de suas respectivas áreas. Até começar a empresa eu não tinha planos profissionais no Brasil. Eu cheguei a considerar consultoria no final do curso, mas não cheguei a me aprofundar no mercado”, explica Gabriel, que conheceu Mike Krieger, criador do Instagram e  Evan Spiegel, do Snapchat, que o inspiraram se dedicar à sua própria startup.

Gabriel acredita que os maiores aprendizados que você ganha por empreender aos vinte e poucos anos são lições sobre auto-conhecimento. “Eu me tornei menos impaciente e mais flexível com as pessoas. Aprendi a levar uma vida mais equilibrada e buscar eficiência. Acumulei uma série de aprendizados sobre vendas, marketing, produto, gestão de pessoas, plataformas e marketplaces no Brasil”.

O fomento ao empreendedorismo de universitários, entretanto, ainda tem muito o que evoluir no Brasil. Gabriel diz que existem grupos em faculdades que buscam fazer o trabalho de informar e trocar experiências, em universidades como USP e ESPM, porém esses grupos eram iniciativas de estudantes, e “ainda falta um  maior envolvimento e apoio das instituições em si”, diz.

Para o CEO da Ingresse, empreender no Brasil esbarra em três grandes barreiras que devem ser derrubadas pelos empreendedores: burocracia, capital humano e infraestrutura. “Nós vivemos em um ecossistema extremamente engessado, onde se perde muito tempo e dinheiro para realizar as operações básicas de um negócio. É muito difícil encontrar bons profissionais que tenham estômago para trabalhar em um ambiente de alta incerteza como em uma startup de tecnologia, e o nosso País tem seus principais serviços construídos sobre uma base por vezes frágil. É desafiador precisar operar sem poder contar completamente com infraestrutura básica como serviços de telecomunicação, internet e serviços bancários”, diz Gabriel.

Hoje, o empresário tem seu foco inteiramente na Ingresse, mas ocasionalmente ajuda outros empreendedores e grupos que buscam tornar o ecossistema “mais amigável para novos negócios”. O motivo disto é que a plataforma da startup vem se tornando cada vez mais o destino do jovem brasileiro que busca entretenimento.” Através de tecnologia de ponta, nossa equipe vai transformar o mercado de eventos nos próximos anos trazendo uma experiência melhor para o comprador e informação para o organizador”, garante.

Para os jovens que ainda estão em idade de estudar e têm interesse em colocar seus projetos, em prática, Gabriel dá um recado: “comecem já, menos que por tempo parcial e sem saber o ‘caminho das pedras’. O quanto mais cedo começarem mais rápido vão começar a aprender. O caminho é longo é duro, não existe sucesso do dia pra noite nem fórmula mágica”.