Aconteceu ontem em São Paulo o IV Seminário de Inovação da Câmara do Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. Durante o evento, cinco startups receberam o Prêmio Brasil-Alemanha de Inovação, ação que faz parte da iniciativa Startups Connected.

O prêmio já está em sua quarta edição, mas este ano contou com algumas mudanças no formato. A principal delas foi a criação de cinco categorias para seleção das startups: Mobilidade, Ciências da Vida, Cultura, Digitalização e Cidades do Futuro. Cada uma destas categorias foi patrocinada por uma grande companhia alemã. Foram elas: Volkswagen, Bayer, Club Transatlântico, Siemens e BASF, respectivamente.

Entre os anos de 2013 e 2015, o prêmio selecionava empresas de todos os portes, desde startups a grandes companhias. De acordo com o Diretor de Inovação e Tecnologia da Câmara, Bruno Varth Zarpellon, a mudança desta edição veio para beneficiar ainda mais as startups. “Nós tínhamos startups que competiam com empresas que faturavam acima de R$ 1 bilhão, e entendemos que esta não é a forma mais justa de concorrência”, diz.

Além disso, a Instituição também percebeu em seus associados a forte tendência de buscar nas startups formas de inovar dentro de suas empresas. “Uma vez que a Câmara busca defender os interesses de seus associados brasileiros e das empresas alemãs no País, nós decidimos focar nosso Prêmio de Inovação em startups, para que ele funcionasse como um braço para que as multinacionais alemãs presentes no Brasil possam se comunicar com estas startups”, conclui o Diretor.

Seleção

A edição 2016 do Prêmio recebeu mais de 300 inscrições, e as startups foram analisadas em duas etapas. Na primeira, pelo menos três integrantes da banca julgadora avaliaram cada uma delas por meio de quatro critérios, por meio da plataforma da Fundacity, distribuindo notas de 1 a 5. Os critérios foram: Mercado, Inovação e Tecnologia Empregada, Solução e Equipe. As cinco startups com as melhores notas em cada uma das categorias passou para a segunda fase.

Na segunda etapa, as cinco startups com melhor nota foram avaliadas por pelo menos 10 jurados. “Os critérios de avaliação foram os mesmos, mas a principal diferença foi a quantidade de notas que utilizamos para selecionar os vencedores”, explica Bruno.

Para complementar o Prêmio Brasil-Alemanha, foi lançada este ano a AHK Accelerator, iniciativa que acelera as startups vencedoras da premiação. O foco da iniciativa é gerar negócios entre as startups e as empresas patrocinadoras de cada categoria, além das companhias que também são associadas à Câmara. “Nosso objetivo com o Startups Connected, que engloba tanto o prêmio quanto a AHK Accelerator, é promover negócios entre a velha e a nova economia e ser uma espécie de curador, para que possamos fazer isso da melhor forma possível”, completa.

O Startups Connected é formado pela premiação, pela AHK Accelerator e AHK Startups Hub. Esta última iniciativa é uma categoria da associação à Câmara Brasil-Alemanha exclusiva para startups tecnologicamente inovadoras. Ela foi criada com o objetivo de manter ativa uma rede de startups a partir de benefícios personalizados e condições especiais para acesso.

A aceleração não tem um local físico para alojar as startups que participarão do processo. Elas são acompanhadas de maneira remota, e mensalmente se encontram presencialmente. Por enquanto, a Câmara Brasil-Alemanha não exige participação acionária nos negócios acelerados, mas Bruno afirma que a Instituição está estudando esta possibilidade para os próximos anos.

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Da esq. para dir.: Mauro Rebelo (BioBureau); Danilo Mattos (Nexer); Luis Namura (Solum); Edson Costa (Oxiot), e Bruno Barroso (Prosas)

Conexão

O objetivo da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo é atrair investimentos para Brasil, fomentando as iniciativas e o comércio bilateral, para fortalecer os negócios entre empresas alemãs e brasileiras.

Paulo Stark, CEO da Siemens no Brasil e vice-presidente da Instituição, o interesse das empresas alemãs no mercado brasileiro vem principalmente da estabilidade que o Brasil apresenta para investimentos a longo prazo. “O Brasil tem tudo o que é necessário para ser um grande sucesso dos investimentos estrangeiros. É um País que tem 200 milhões de habitantes, não tem guerra, instabilidade social, limitação de religião ou costumes. Então, a longo prazo, não apresenta riscos ao investidor”, completa Paulo.

Quanto aos empreendedores, muitas vezes o foco se destina em mercados como o dos Estados Unidos, ignorando muitas vezes grandes potências no mercado de tecnologia, como é o caso da China. Paulo diz que para estes empreendedores, o país europeu pode ser um mercado ideal. “A Alemanha é o maior exportador de bens de capital do mundo. Se uma empresa exporta produtos básicos ou industrializados baseados em insumos que têm no Brasil, a Alemanha é o melhor mercado possível, além de ser um país extremamente receptivo para brasileiro”, diz.

Startups

As empresas vencedoras de cada categoria foram:

Cidades do Futuro – Solum

A empresa venceu com a Vorax, uma unidade de tratamento de resíduos sólidos. A tecnologia utiliza um reator contendo duas fontes térmicas que geram um gradiente de calor. O do reator lixo não é misturado ao ar atmosférico e sofre uma destilação seca, ou seja, é completamente desintegrado e liquefeito na ausência de ar, o que reduz consideravelmente a formação de poluentes danosos ao meio ambiente e à saúde.

Luis Namura, CEO da empresa, diz que foi uma satisfação vencer o prêmio e poder apresentar sua solução para as grandes companhias associadas à Câmara. “As maiores vantagens da premiação são a visibilidade e a possibilidade de interagir com empresas do porte da BASF, por exemplo”, diz o CEO.

Ciências da Vida – BioBureau

A solução da startup reduz em até 90% a quantidade de metais pesados presentes na água, através de uma proteína presente em ostras que foi colocada dentro de bactérias. Mauro Rebelo, fundador da empresa, diz como surgiu a BioBureau, em 2009. “Eu sou professor universitário e trabalhava com efeito de poluentes no ambiente. Em determinado momento eu cansei de fazer diagnósticos de como o ambiente estava ruim e resolvi resolver o problema da poluição”, explica.

Cultura – Prosas

O Prosas é uma plataforma que conecta quem patrocina, quem executa e quem se beneficia de projetos sociais. “Nós temos propostas de valor para cada um desses públicos. Para quem investe, somos uma ferramenta de seleção e monitoramento de projetos. Para quem quem executa, somos um lugar para captar recursos”, explica Bruno Barroso, um dos fundadores da startup.

A empresa, que foi fundada em Belo Horizonte e agora é uma das residentes do Cubo, foi fundada em 2015 e até hoje funciona com investimento dos próprios fundadores, mas já está entrando em processo de captação. Para depois da premiação, os sócios esperar tirar o máximo proveito da oportunidade de trabalhar com o Club Transatlântico – tradicional hub para enriquecimento das relações entre Brasil e Alemanha -, além das outras empresas presentes na Câmara.

Digitalização – Oxiot

“O ecossistema da Alemanha vem complementar a nossa proposta, tanto pela tecnologia quanto pela indústria 4.0, setor de gases e de medição também”, diz Edson Costa, um dos fundadores da startup. A solução desenvolvida pela empresa é um hardware que reduz o desperdício de gases nos hospitais e permite a previsibilidade em HomeCare, sendo capaz de ler o nível exato de consumo de oxigênio, evitando casos de urgência em que seja preciso deslocar um tanque de emergência para a casa de um paciente.

Mobilidade – Nexer

A startup desenvolveu um pequeno dispositivo que pode ser conectado em qualquer carro fabricado a partir de 2010, tornando-o um veículo conectado. O hardware envia informações para o motorista por meio de Bluetooth que ajudam a evitar manutenções desnecessárias, desperdício de combustível e dá total controle ao usuário sobre como o carro está sendo utilizado.

“Nós viemos para esta premiação com bastante expectativa, primeiro porque ela vem seguida de um possível processo de aceleração junto a grandes players do mercado que influenciam diretamente no nosso negócio. Hoje, sendo uma pessoa que vem da área industrial e entrou no mundo de startups, eu consigo perceber a importância que grandes empresas tem em impulsionar startups”, afirma Danilo Mattos, cofundador da Nexer.

Abaixo, Paulo Stark, CEO da Siemens no Brasil e vice-presidente da Câmara Brasil-Alemanha, fala ao Startupi sobre o que aconteceu durante todo o evento. Confira: