O Banco Original, instituição financeira 100% digital, lançou hoje o Open Banking, plataforma de APIs abertas para desenvolvedores. “Nós queremos cada vez mais integrar o pessoal das comunidades de desenvolvimento às empresas, que estão percebendo cada vez mais o poder de influência de seus desenvolvedores nas corporações”, diz Marcel Sanches, consultor sênior de Inovação do Banco.

O objetivo da instituição é realizar a partir de agora diversos hackathons para que os desenvolvedores deem feedbacks sobre sua plataforma e possam desenvolver seus softwares. Por enquanto, o Open Banking ainda está em fase de testes alfa, por isso poucas APIs estão disponíveis na plataforma. Mas, segundo Marcel, o plano é que no curto prazo estejam abertas diversas novas.

O portal foi criado para atender não só aos desenvolvedores, mas também ao empreendedor que quer desenvolver um app com as APIs. “Não quisemos que a coisa ficasse mecânica, quisemos que o usuário pudesse enxergar o valor e o que pode fazer com aquele material”, diz Marcel. A plataforma é de fácil navegação e os desafios de como criar uma documentação amigável e segurança para os produtos desenvolvidos também foram pensados e desenvolvidos para trazer praticidade ao usuário.

Na plataforma estão abertas as APIs de: consulta de saldo, histórico de saldos, extrato da conta, investimentos, extratos de fundos de renda variável, extratos de fundo de renda fixa e transferência entre contas do Original. Quem quiser testar a plataforma e começar a trabalhar com as APIs já disponíveis deve entrar em contato com o Banco.

A Era das Fintechs

Com as tecnologias avançando cada vez mais, os mercados de diversos segmentos têm que se reinventar. No caso dos serviços financeiros não é diferente. De um tempo para cá, tradicionais bancos do mundo inteiro estão perdendo espaço com os clientes e pequenas empresas de tecnologia estão mudando a forma como os consumidores lidam com seu dinheiro: é a revolução das fintechs!

Para falar sobre como este cenário pode impactar todos os tipos de indústria no mundo, Guga Stocco, head de Inovação e Estratégia do Banco Original, participou de um MeetUp nesta terça-feira na Plug CLXT.

Fazer escolhas

Guga diz que o princípio da inovação está na estratégia do negócio e estratégia é fazer escolhas. Para explicar melhor sobre o conceito, ele dá o exemplo do BBM, produto da Blackberry. Quando o iPhone foi lançado, a Blackberry tomou a decisão de tirar o app de mensagens de dentro dos smartphones e explorá-lo sozinho. Com esta decisão, o aplicativo poderia ser inserido em outros aparelhos, inclusive no do concorrente. “O CEO achou que isso poderia matar a Blackberry, mas o que realmente poderia matar a empresa era a Apple, não a disponibilização do produto”, diz Guga.

“Hoje o WhatsApp é mais usado em países emergentes, onde enviar SMS ainda é muito caro. Mas ainda assim, o app foi vendido por US$ 22 bilhões para o Facebook. Se o BBM fosse retirado do Blackberry naquela época, estima-se que o aplicativo poderia valer hoje cerca de US$ 60 bilhões”, afirma.

Outro exemplo é o Google, que comprou o produto de diversas empresas para realizar o Google Maps e, após o lançamento da plataforma, a companhia se tornou líder absoluta no segmento de geolocalização pelo mundo. Para ele, as empresas digitais que não forem agressivas e criarem uma grande vantagem competitiva não terão espaço no mercado. “Por isso empresas como o Google trazem para dentro e mantêm talentos nas mais diversas áreas, se mantendo à frente da concorrência”.

Guga Stocco, head de Inovação e Estratégia do Banco Original

Guga Stocco, head de Inovação e Estratégia do Banco Original

Grandes companhias como Tesla, Netflix e Facebook, por exemplo, também se diferenciam da concorrência pela vantagem competitiva e dominam o segmento em que elas trabalham. “A Tesla é a única montadora de carros sem concessionária, que não paga comissão para os vendedores e que consegue ter fila na porta da loja antes do lançamento de seus carros”, diz Guga. A companhia de Elon Musk disponibiliza em seu site tudo o que é preciso para montar um veículo como a dela. Por quê? “Qualquer pessoa pode montar um Tesla, mas para que o carro funcione você precisa licenciar o software da empresa e comprar dela a bateria. Essa é a vantagem deles”, explica o head do Banco Original.

O Facebook se tornou rapidamente o maior player de seu segmento porque apostou na diversificação de seus produtos. Entre Instagram, Facebook, Messenger e WhatsApp, a empresa hoje detém alguns dos maiores apps de conversação e redes sociais do mundo, o que reduz a probabilidade de um único produto derrubar a empresa.

Já o Netflix, que começou como uma locadora de filmes e séries, precisava de conteúdo para manter sua plataforma no ar. Sem poder veicular produções de grandes canais da TV, como HBO, a empresa desenvolveu um algoritmo que juntou os roteiristas, diretores, histórias e atores mais assistidos pelo seu público para criar um produto próprio. O resultado disso foi House Of Cards, considerada uma das mais importantes séries da atualidade.

Mercado Financeiro

Todas estas empresas citadas acima revolucionaram seus segmentos e, cada uma da sua forma, mudou o comportamento da sociedade na forma como são consumidos determinados produtos. No mercado financeiro não é diferente. Apenas no Brasil, a primeira instituição financeira já tem mais de dois séculos. Pelo mundo, os serviços financeiros já estão em atividade desde o século XV.

Primeiro, nos anos 90, o processo de modernização dos serviços financeiros chegou ao internet banking, onde o cliente pode acessar sua conta de casa. Tempos depois, chegou aos aplicativos mobile, permitindo que o usuário realize transações financeiras de qualquer lugar. Embora facilitados, os processos ainda se espelhavam nas agências físicas destas instituições. Hoje, a fórmula dos bancos tradicionais – engessada, burocrata, com foco nos processos e não no usuário final – está rapidamente sendo substituída pelas startups de tecnologia que simplificaram a forma dos clientes lidarem com dinheiro.

Mas como estas empresas tão jovens podem impactar a indústria tão consolidada dos bancos? Guga diz que o diferencial das fintechs está na experiência, por isso grandes companhias estão cada vez mais realizando investimento nestas startups e se espelhando nelas. O Google, por exemplo, já investiu em quase 40 delas.

Mobile

O produto destas empresas deve ser pensado no cliente, moldado exclusivamente para ele, proporcionando uma experiência única e agradável para as pessoas. “O que uma startup deve fazer é ter um time disciplinado que olhe os problemas dos consumidores, estude-os e use as últimas tecnologias  para resolver esta questão”, diz. “Os bancos são como gorilas e as fintechs são como abelhas. Uma única abelha pode não causar grande desconforto ao gorila, mas certamente centenas delas podem matá-lo.”

Por lei, instituições financeiras podem permitir que seus clientes abram contas online, mas ela também diz que os clientes podem encerrar seu vínculo com o banco através da internet. “Se você entrar em uma agência e o segurança falar para você tirar a roupa para passar pelo detector de metais, você vai poder simplesmente apertar um botão no seu celular e fechar sua conta, entrar na App Store e baixar outro”, diz Guga. “Os bancos têm que entender que depois que os clientes entraram no mobile e se digitalizaram, não tem mais volta. Tecnologias antigas não funcionam mais para o novo comportamento de consumo”.

Cases

Para mostrar a importância das mudanças da sociedade em cuidar e gerenciar seu dinheiro, Guga Stocco explica alguns cases de empresas que prestam os mais diversos serviços e ainda assim, realizam serviços financeiros.

meio-do-texto

Hoje, o segundo produto do Starbucks que dá mais dinheiro que o café é o próprio dinheiro. Com o cartão pré-pago, a companhia controla até 2.5 bilhões de dólares por trimestre em recarga de usuários. São 10 bilhões de dólares que anualmente geram juros para a companhia, sem contar nos 13% dos usuários que não consomem seus créditos até o fim. “Isso mostra que os bancos estão enfrentando uma concorrência ferrenha, e essa concorrência pode ser até uma cafeteria”.

O WeChat, espécie de WhatsApp chinês, também entrou na onda das fintechs e está alcançando muito sucesso. A empresa, que pertence à Tencent – uma das maiores empresas de tecnologia da China -, começou a cobrar poucos usuários alguns centavos por avatares para o chat e juntou-se a outras empresas que faturam no mesmo sistema de microcrédito, como apps de jogos.

Assim, a empresa começou a cobrar em sua plataforma pelas vidas e dinheiros digitais dos games. No primeiro trimestre, a empresa alcançou o lucro de três bilhões de dólares. A empresa fechou ainda uma parceria com um banco para lançar um cartão pré-pago. No primeiro dia, a empresa captou 150 milhões de dólares. Hoje, o WeChat é o primeiro banco privado da China. “Esses casos mostram que vantagem competitiva é tudo, e o mundo, que antes era complicado, hoje é complexo. É preciso aprender a viver no risco e se reinventar para progredir no mundo digital”, completa Guga.

Confira abaixo o recado exclusivo de Guga Stocco, head de Inovação e Estratégia do Banco Original, para os leitores do STARTUPI. Ele aproveitou para dar uma dica para quem está empreendendo no mundo das fintechs: