* Por Gustavo Paulillo

Quando criamos uma startup, temos a ideia de que as coisas precisam ser feitas do nosso jeito. Centralizar é algo natural, principalmente quando se empreende pela primeira vez, justamente porque idealizamos cada detalhe sobre o projeto do negócio que criamos e como queremos que seja desenvolvido.

Desde o início, nós executamos tudo da forma como acreditamos ser a melhor. Seja no atendimento ao cliente, na elaboração dos produtos, na rotina de trabalho e no escritório. Em outras palavras, a startup é praticamente uma extensão nossa e agimos conforme julgamos ser a forma certa naquele momento. Porém, quando partimos para contratar parceiros para integrar nossa equipe, precisamos ter jogo de cintura e esses profissionais precisam adquirir uma habilidade fundamental – a paciência, para poderem se adequar ao nosso modelo de negócio.

O problema é que esse modelo não se sustenta. Com o tempo, aprendemos que é impossível crescer e continuar fazendo tudo por nós mesmos, simplesmente porque não temos tempo para cuidar de todos os detalhes e nem sempre nosso modelo é o mais adequado. Precisamos explorar todas as possibilidades em nosso negócio e a grande sacada está em direcionar todas as nossas energias, bem como nossa atenção, às questões que somente nós, fundadores, podemos fazer e trazer pessoas melhores (e mais especializadas) para cuidarem de outras necessidades.

Muito se fala sobre delegar, porém, você precisará desapegar, meu caro! Do contrário, fica difícil escalar a startup tendo de controlar quais materiais de limpeza são comprados, a marca do café que é usada, a quantidade de tempo que seu pessoal gasta em redes sociais, no Whatsapp, em fóruns etc. Esse desapego tem um lado positivo: você mostra que confia nas pessoas que estão trabalhando com você (“com você” e não “para você”). Essencialmente, as pessoas querem fazer um bom trabalho e ser reconhecidas por isso, mas elas precisam trabalhar com o que são apaixonadas.

Então eu desafio você a mudar seu mindset hoje mesmo. Mude de controlar, para desafiar. As pessoas estão realmente trabalhando naquilo que gostam e são capacitadas? Elas estão sendo desafiadas diariamente? Reflita sobre cada pessoa em sua equipe. Ao mesmo tempo, pense se as pessoas estão no lugar certo. No meu caso, por exemplo, já falhei no passado ao colocar pessoas que não estavam preparadas para executar o trabalho que foi selecionado com plenitude. Adivinhe qual foi o resultado? As pessoas “espanaram”, ficaram estressadas e o desempenho delas caiu de forma consideravelmente.

A partir do momento em que se contrata pessoas que irão ajudá-lo a alcançar seu sonho, seu papel passa a ser outro – colocar a pessoa certa na posição certa e cobrar os resultados certos. Outro ponto fundamental são os recursos que você disponibiliza aos colaboradores. Afinal, de nada adianta trabalhar com ótimas pessoas, desempenhando o trabalho pelo qual são apaixonadas e buscando os resultados tangíveis que você deverá cobrar, se elas não têm os recursos para fazer isso acontecer.

Se a todo momento a internet ou a energia cai, se o escritório é muito barulhento ou se as máquinas travam constantemente, dificilmente seus profissionais entregarão aquilo que você espera. Pense na energia e no tempo que essas pessoas estão gastando ao se preocupar em como irão executar suas demandas! Os benefícios para uma melhor execução não param por aí, ofereça condições para seus talentos e você verá resultados cada vez melhores.


Gustavo PaulilloGustavo Paulillo iniciou sua carreira atuando como analista de sistemas para clientes como Tigre S/A, Cereser, Financeira Alfa S/A e GOL Linhas Aéreas, operando também com sistemas da SERASA. Em 2012, em sociedade com seu irmão Júlio Paulillo e Tulio Monte Azul, criou o Agendor, app que ajuda a área comercial de PME’s a organizar e aumentar as vendas e que, atualmente, atende a 15 mil clientes.