* Por João Kepler

Go Go Go! Foi lançado ontem no Brasil, já no fim do dia, o jogo mais falado dos últimos tempos: o Pokémon Go!

Nas últimas semanas, sem dúvida, este tem sido o assunto mais comentado na internet. Dificilmente algum veículo de comunicação ou escritores e palestrantes não tenha comentado sobre o Pokémon Go. Alguns textos falam sobre o que é, outros como surgiu, como os países estão se adaptando a proposta do jogo e por aí vai. Meu objetivo com este artigo é mostrar como podemos aprender lições valiosas com este case de sucesso mundial.

No Brasil muita gente ainda nem sabe o que significa Pokémon e como funciona o novo jogo da Nitendo que virou uma febre no mundo em poucos dias. Mas com toda certeza, tendo em base o que o jogo já fez, o impacto será grande. O que quero destacar aqui é o Pokémon Go tem feito no mercado em relação a mudança comportamental do consumidor no marketing e nos negócios.

Primeiro ponto: ainda temos muito a aprender, tanto sobre o comportamento e marketing. A verdade é que a sensação de estabilidade e conforto precisam definitivamente serem extintas do nosso mercado contemporâneo. Já aprendemos que não existe sucesso absoluto e que “fenômenos” sempre podem surgir e desconstruir tudo que acreditamos ser impossível até aquele exato momento.

Os números surpreendentes, em menos de uma semana  de lançado, o Pokémon Go superou o Facebook, que tentava não ser ultrapassado pelo Snapchat, mas foi surpreendido por  um novo competidor que,  “correndo por fora”, está deixando o gigante comendo poeira.

E diferente do que muitos pensam, o Pokémon Go não surgiu do nada e de uma hora pra outra, muito pelo contrário. Nos últimos 20 anos o criador do jogo, John Hanke, tem trabalhado no seu propósito que fora definido no início da sua carreira. Ele tem desenvolvido projetos desde 1996 quando já tinha em mente “mapear o mundo”.

O que ele fez e com muito mérito, foi aperfeiçoar suas técnicas e apostar no que acreditava. Só para se ter uma ideia, em 2004 Hanke vendeu o jogo “Keyhole” que utilizava fotos de satélites,  para o Google, que na sequência transformou no que hoje é o Google Earth. Passo a passo as coisas foram acontecendo até que em 2014, Google e Nintendo se unem para fazer uma ação de “brincadeira” no dia da mentira, onde Pokémons apareceriam de forma inusitada no Google Street View. A ação vira um sucesso e Hanke decide investir na ideia para criar um jogo.

Outra lição que podemos tirar com tudo isso é que o jogo tem sido fundamental para mostrar também que produtos intangíveis podem despertar o interesse e o desejo dos consumidores. Ninguém “pega” literalmente um Pokémon. Mas o fato deles existirem, mesmo que virtualmente, tem comprovado ser o suficiente para os consumidores que estão de olhos bem abertos e vidrados nos celulares pelas ruas por onde passam.

E o que podemos dizer então sobre o impacto nos tradicionais pontos de venda nas lojas? Não para de aumentar o número de casos onde estabelecimentos comerciais físicos que estão investindo para tornar seus pontos um “reduto” de Pokémons. Para ter uma ideia, existe especulação de que o McDonalds estaria já planejando uma campanha mundial onde ao invés de dar objetos “de verdade” na caixinha do McLanche Feliz, passaria a oferecer “pokémons virtuais” como brindes para suas ofertas.

Essa mudança será inevitável e abrangente, afinal, shoppings centers, parques temáticos e lojas de departamentos podem usufruir dessa nova tecnologia para atrair clientes com Pokémons exclusivos. O merchandising marketing talvez nunca mais seja o mesmo.

Embora tudo que foi dito até aqui aponte para um futuro promissor e de inúmeras possibilidades, é importante frisar que nem tudo são flores. Também, em função do jogo, vários acidentes graves começaram a ser relatados devido à atenção exigida. Sem contar ainda que a Nitendo terá uma base de dados incrivelmente desafiadora e perigosa ao mesmo tempo (terá seu e-mail, telefone, cartão de crédito, onde você está, quais amigos estão perto, dia, data e horário são apenas algumas das informações que você passa a compartilhar). Mas esses já são assuntos para um outro artigo.


joão João Kepler é reconhecido como um dos conferencistas mais sintonizados com Inovação e Convergência Digital do Brasil; Especialista em e-commerce, marketing, empreendedorismo e vendas; Investidor Anjo, líder do núcleo Nordeste da Anjos Do Brasil; Lead Partner da Plataforma DealMatch; Cotista e Mentor nas Aceleradoras 85Labs e StartYouUp; Vencedor do prêmio Spark Awards da Microsoft como Investidor Anjo do Ano 2015; Speaker internacional; Premiado por anos consecutivos como um dos maiores Incentivadores do Ecossistema Empreendedor Brasileiro.