Imagine chegar ao Inatel à noite e conforme você for entrando no campus as luzes irem se acendendo gradativamente. E melhor ainda, por meio de seu celular, saber onde há vagas no estacionamento, caso esteja de carro. Agora isso já é possível, pois o Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, inaugurou hoje seu Smart Campus, projeto que transforma seu campus em um laboratório vivo em que alunos e empresas poderão implantar soluções de automatização e conectividade que irão não só facilitar a vida de quem trafega por ele, como também servir de vitrine para os projetos que são desenvolvidos na Instituição.

Seu primeiro projeto é o de iluminação inteligente. O desenvolvimento dessa solução se deu por meio da parceria entre o ICC e da startup Das Coisas, incubada no Inatel e que conta com alunos e ex-alunos da instituição, além da Tacira, especializada em smart cities.

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Serão 75 postes do campus, que já começaram a receber a solução inteligente de automatização da iluminação, capaz de fazer a leitura da luminosidade local para o acionamento e desligamento das lâmpadas, além da leitura de potência consumida da rede. Todas as informações coletadas serão gravadas e a análise dos dados feita por uma plataforma de Analytics.

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De acordo com o gerente de Desenvolvimento de Negócios do Inatel, Leandro Guerzoni, que coordena as ações do Inatel Smart Campus, a intenção é tornar o Inatel um centro de referência também em Internet das Coisas, “queremos ter um ambiente para aplicar e mostrar toda a tecnologia desenvolvida na instituição tanto no ambiente acadêmico quanto na área de P&D e em nosso ecossistema de empreendedorismo direcionadas para IoT”.

O recém-formado Leonardo Ribeiro Gonçalves, da empresa Das Coisas, afirma que é gratificante ver o trabalho aplicado no campus onde estudou. “Nossa formação é no Inatel, devemos tudo o que sabemos à instituição. Além disso, fazer parte do projeto Smart Campus irá abrir muitas oportunidades de negócio para a área em que atuamos. É uma chance incrível”. Uma prova da força da exposição é que esse projeto piloto de iluminação já tem destino comercial certo. Ele será implantado pela empresa Tacira, também parceira no Smart Campus, no conceito de Cidade Inteligente que realiza no município de Águas de São Pedro, interior de São Paulo.

A iluminação inteligente é apenas o primeiro projeto do Inatel Smart Campus que pretende criar uma rede de conectividade que permita que outros serviços possam ser oferecidos dentro do campus e, acima disso, uma plataforma aberta e convergente com outras redes. Para esse projeto, o momote, desenvolvido pelo pesquisador e empreendedor Marco Casaroli durante as pesquisas do mestrado no Inatel e sócio da empresa Das Coisas, tem papel fundamental.

O momote é um módulo open source, de baixo custo e baixo consumo, capaz de permitir conectividade a qualquer equipamento, em diversos padrões de comunicação. “O projeto é uma excelente oportunidade de mostrar aplicações para a área educacional e para incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias para IoT. Além de iluminação pública, temos vários outros projetos que serão desenvolvidos, testados e implantados no Inatel Smart Campus”, diz Casaroli. Estão previstas soluções para estacionamento, eficiência energética, e tantas outras. Como afirma o gerente de hardware do Inatel Competence Center, Marcelo Carneiro, “o limite das aplicações é a criatividade”.

Outras aplicações desenvolvidas pela comunidade do Inatel para IoT:

IoT Lab – Voltado para alunos que irão desenvolver competências em IoT e testar projetos e aplicações no Smart Campus. O laboratório já tem sete alunos com bolsas de Iniciação Científica e a ideia é esse número ser ampliado com o apoio de empresas parceiras do Inatel.

Novo portal de acesso Wi-Fi – Com identificação do usuário, com possibilidade de interação com os visitantes do campus.

Sistema de gerenciamento de chamados – Um aplicativo desenvolvido pela startup Tacira e pelo ICC para os usuários do campus, que terá comunicação com a Prefeitura do campus.

Solução de estacionamento – Sistema desenvolvido pela empresa incubada Spark Telecom de localização de vagas por meio de um aplicativo e com uso de imagens de câmeras.

A Internet das Coisas é o assunto do momento no mercado de tecnologia e promete uma revolução nunca antes vista. Segundo o Gartner, o número de dispositivos conectados na internet em 2016 é de 6,4 bilhões e as previsões são de que, até 2020, este número salte para 30 bilhões.

A Accenture, player global no setor de tecnologia, aponta que a Internet das Coisas irá revolucionar também processos industriais, o que irá adicionar cerca de US$14 trilhões à economia global até 2030. Empresas como Samsung, Microsoft, Google, Apple, Huawei e Ericsson estão com os olhos voltados para o tema em busca de soluções não só de infraestrutura para suportar o grande volume de dados que passaram a trafegar na internet, mas também de aplicações para a utilização desses dados.

O Inatel também está aberto a parcerias com empresas dispostas a investir na pesquisa e também em testar produtos em desenvolvimento. É um ambiente para aplicar e mostrar toda a tecnologia desenvolvida na instituição, tanto no ambiente acadêmico quanto na área de P&D e no ecossistema de empreendedorismo direcionadas para IoT.

O rápido crescimento do número de objetos conectados e de dados trafegados vão gerar uma verdadeira avalanche na rede. Portanto, alternativas para otimizar a capacidade das redes e de inteligência para balanceamento e direcionamento do tráfego são muito interessantes para esse cenário.