“Se você já dirigiu um carro de alto desempenho, admirou um arranha-céu imponente, usou um smartphone ou assistiu um grande filme, as chances são grandes de você ter experimentado o que milhões dos nossos clientes estão fazendo com o nosso software”. É assim que a Autodesk, empresa de software de design e de conteúdo digital se apresenta ao consumidor.

Criada na Califórnia nos anos 80, a empresa é uma das maiores do mundo em seu segmento. Possui hoje uma série de programas para startups e já administrou diversos fundos de investimento para o fomento da comunidade empreendedora no Brasil e no mundo. Está desenvolvendo uma ideia e precisa de ajuda para por em prática? Augusto Gonçalves, consultor de desenvolvimento da empresa, conversou com o STARTUPI e apresentou os projetos da Autodesk que ajudam a impulsionar o ecossistema de startups.

O primeiro deles é o ADN – Autodesk Developer Network -,  plataforma criada em 1992 para desenvolvedores que buscam ferramentas e tecnologias para estenderem seus projetos a partir dos produtos da Autodesk. Para desenvolver a partir da plataforma da companhia não tem nenhum pré-requisito, é necessário apenas que o empreendedor se cadastre no site como startup, se isentando assim de qualquer custo para trabalhar o produto. “A startup estará gratuitamente trabalhando com nosso software, suporte e marketing por todo o tempo em que ela ainda não obtiver lucro, o que pode ser entre um ou dois anos”, diz Augusto.

Mundialmente, hoje o ADN conta com cerca de 4.500 empresas de todos os tamanhos, desde individuais até com centenas de funcionários. Em média, são 15 desenvolvedores por parceiro do programa, atuando em diversas áreas do mercado. No Brasil, existem 65 empresas parceiras que utilizam as ferramentas Autodesk Developer Network, e o número de desenvolvedores por empresa no País, segundo Augusto, segue a média mundial. “O número de empresas no ADN dobrou nos últimos quatro ou cinco anos no Brasil, e o que a gente quer agora é triplicar este número com o Forge”, diz o consultor.

O programa Forge, lançado pela companhia há cerca de um ano, é um conjunto de serviços em nuvem, APIs e recursos para desenvolvedores focado em fortalecer todo um ecossistema, ligando as etapas entre o projetar, fabricar e utilizar a próxima geração de produtos. A plataforma oferece suporte direto de especialistas da Autodesk para os usuários, uma agenda de eventos locais e internacionais com especialistas de mercado e uma comunidade de blogs, fóruns e amostras de código para os parceiros.

Para se conectar ainda mais com o universo maker, a Autodesk abriu em São Francisco o Pier 9, um espaço para os criativos que quiserem fabricar e testar todo tipo de protótipo. O laboratório é dotado de diversos tipos de impressoras 3D, cortadoras a laser, ferramentas de marcenaria, uma oficina de costura e até uma cozinha onde os makers podem experimentar suas receitas.

Dentro deste universo, também se desenvolveu no Pier 9, uma comunidade de tutoriais, a Instructables, onde usuários publicam sobre seus experimentos e qualquer pessoa pode entrar e procurar o que é produzido no espaço maker. “Lá, qualquer pessoa pode marcar horário e entrar para utilizar as ferramentas do espaço. Até o Carl Bass, nosso CEO, vai utilizar o espaço lá constantemente”, diz Augusto.

pier 9 pier 9-2

Investimento

A Autodesk já geriu diversos fundos ao decorrer de sua história, cada um deles destinado a uma área da tecnologia. Atualmente, a empresa estabeleceu o Forge Fund, com um capital de US$ 100 milhões para investir em startups. Por enquanto o fundo – que não revela o valor do ticket médio de aporte – já investiu em três empresas norte-americanas, mas Augusto não descarta a hipótese de que as próximas empresas a receberem aporte sejam brasileiras.

Já receberam aporte do fundo a 3DR, startup de captura de realidade que programa drones para escanearem um determinado espaço e enviar o mapeamento para os engenheiros envolvidos em uma obra; a Make Time, startup do segmento de manufatura que mapeia a cadeia de produção de um determinado produto, encontra os melhores fornecedores em custo-benefício e envia materiais para o cliente no menor tempo; e a Seebo, empresa de IoT que oferece aos fabricantes um centro integrado de planejamento de produto, desenvolvimento e integração adaptado para superar os desafios da construção de produtos inteligentes.

Para se candidatar a receber investimento do Forge Fund, a startup precisa utilizar alguma ferramenta Forge em sua plataforma, mas não há necessidade de ter participado de outro programa da Autodesk. Basta que o empreendedor se inscreva no site, junto com seu pitch, e esteja dentro de alguma das áreas de interesse da empresa. Dentre os segmentos que estão atraindo o interesse da Autodesk atualmente são: manufatura, cadeia de produção, captura de realidade, realidade aumentada, impressão 3D, drones e Internet das Coisas.

Os empreendedores que se interessarem em submeter seus projetos para o Forge Fund podem se inscrever através deste formulário.