Enquanto atletas do mundo todo se preparam para quebrar recordes nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, uma revolução tecnológica acontece nos bastidores para ajudar em suas performances e na experiência visual dos espectadores. Confira abaixo a visita que fizemos ao Centro de Operações Rio e no Centro de Operações Tecnológicas e conheça as novidades presentes nesta edição dos Jogos, como contadores subaquáticos, alvos eletrônicos, sistemas de GPS em canoas e até realidade virtual que serão utilizadas durante as competições.

Conhecemos de perto o Centro de Operações Rio (COR), que integra 30 órgãos que monitoram, 24 horas por dia, o cotidiano da cidade. Localizado no centro do Rio de Janeiro, o espaço funcionará também para oferecer a todos a uma experiência segura da Olimpíada.

Foto: Erik PB

Foto: Erik PB

No espaço estão integradas todas as etapas de um gerenciamento de crise, desde a antecipação, redução e preparação, até a resposta imediata às ocorrências, como chuvas fortes, deslizamentos e acidentes de trânsito.

Além das informações em tempo real das concessionárias e órgãos públicos, o Centro de Operações capta imagens de 560 câmeras instaladas por toda a cidade. Todos os dados são interconectados para visualização, monitoramento e análise na Sala de Controle, em um telão de 80 metros quadrados. Na última semana foi divulgado que o Governo Federal destinou uma verba extra de R$ 78 milhões ao orçamento de segurança dos Jogos Rio 2016.

Para que tudo isso funcione são necessários vários softwares. Além de programas exclusivos, o COR também monitora a cidade com tecnologias como o Google Maps e Waze. O próprio Centro de Operações pode também registrar ocorrências diretamente no Waze.

Uma base remota e com alta tecnologia embarcada é o mais novo recurso do Centro de Operações Rio. Por meio da tecnologia Instant Connect da Cisco, a Unidade Móvel COR (UM-COR) poderá se conectar de qualquer ponto da cidade com os operadores na sede do Centro de Operações de forma instantânea, confiável e segura. O equipamento possibilita comunicação de voz, dados e vídeo além de disponibilizar pontos de acesso Wi-Fi para os usuários que estiverem no local onde o equipamento for instalado.

Foto: Fernanda Santos

Foto: Fernanda Santos

“É a primeira vez que uma cidade brasileira contará com uma solução integrada destas características para operações remotas, mesmo em locais que estejam com comunicação restrita por algum motivo. Estamos compartilhando nossa expertise com a Prefeitura do Rio de Janeiro para que a solução atinja todo seu potencial”, afirma Nina Lualdi, diretora sênior de Inovação da Cisco na América Latina.

O Startupi também conheceu o Centro de Operações Tecnológicas (TOC) para a Olimpíada e Paraolimpíada de 2016. O centro é responsável pelo comando de toda tecnologia relacionada aos Jogos do Rio e pelo monitoramento de 144 locais olímpicos. Confira no vídeo abaixo um depoimento de Elly Resende, Diretor de Tecnologia dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Toda a área de tecnologia da informação dos Jogos está nas mãos da Atos, empresa que pela primeira vez hospeda parte de sua operação na nuvem, diminuindo bastante a necessidade de servidores. Na Olimpíada de Londres, foram necessários 719 servidores,  enquanto no Rio, este ano, haverá apenas 250. Em maio, um ensaio de três dias testou o funcionamento de toda a estrutura Olímpica, mobilizando 500 pessoas nas 37 arenas de competição. Ao todo, 500 cenários foram testados, desde a falta de um chefe até incêndio em uma instalação.

“A equipe está muito bem preparada”, disse Michèle Hyron, chefe de integração para Rio 2016 da Atos. O cuidado é tão grande que há até um centro de operações reserva para o caso de problemas graves na sede do Comitê Rio 2016. Situado num local secreto, o espaço teve sua estrutura testada há cerca de dois meses.

A partir do Centro de Operações Tecnológicas, um time de mais de 690 pessoas da Atos, Rio 2016 e de todos os parceiros de tecnologia irão monitorar durante 24 horas durante os sete dias da semana a operação dos sistemas durante os jogos. O centro será mais importante do que nunca, pois é esperado o processamento de mais dados de resultados do que em Londres para atender as crescentes demandas da mídia e fãs em tempo real.

Foto: Divulgação Cisco

Foto: Divulgação Cisco

Os dados acima foram disponibilizados pela Cisco, que forneceu e suportou a infraestrutura tecnológica que possibilitará todas essas conexões.

Confira abaixo a aplicação de algumas tecnologias que serão utilizadas durante os Jogos.

Voleibol e vôlei de praia

Quando um time contestar a decisão do árbitro, estreiará no Rio 2016 o sistema de challenge (desafio), com cerca de 10 câmeras instaladas em quadra e na rede para tirar dúvidas da arbitragem e também do público. O objetivo é analisar bola dentro ou fora da quadra, toque no bloqueio, invasão de quadra, saque e invasão da linha de três. As cenas da jogada em questão são exibidas no telão para os espectadores.

“O sistema deu um upgrade na arbitragem”, diz Cristiana Figueira, gerente de competição do voleibol no Comitê Rio 2016, que destaca também a dose extra de emoção dos torcedores. “O público fica desesperado esperando. Tem vaia, tem aplauso…”.

Nas mesmas modalidades, o que antes era escrito à mão agora é digital, com a ajuda de tablets. A súmula eletrônica do jogo reúne informações como pontuação, cartão amarelo e pedidos de tempo, tudo disponibilizado automaticamente na internet.

Natação

Um contador eletrônico é instalado debaixo d’água na raia de cada nadador para registrar o número de voltas nas provas longas de 800 e 1.500 metros nado livre. O equipamento da Omega também exibe as parciais de cada volta. O atleta pode optar pelo desligamento no momento da prova. “Desobriga o atleta a pensar sobre onde ele está para poder focar mais na performance”, diz Eduardo Gayotto, gerente de competição de natação.

O sistema foi usado pela primeira vez no Campeonato Mundial de Kazan, em 2015 e testado no Troféu Maria Lenk, evento-teste do Rio 2016. O contador, que tem cerca de 30cm por 20cm, fica próximo da virada dos dois lados da piscina, a cerca de 10 metros da borda. “Assim que ele vira já vê quantos metros percorreu”, afirma Gayotto.

Foto: Rio 2016

Foto: Rio 2016

Canoagem de velocidade e remo

Um aparelho de GPS colado nas embarcações das duas modalidades mostra em tempo real a posição do atleta, sua velocidade e seu deslocamento. Os dados são transmitidos para o telão e o público pode acompanhar o desempenho dos barcos, principalmente a aceleração e a velocidade em relação aos adversários. O sistema já foi usado com sucesso durante o evento-teste.

“O atleta não recebe nenhuma informação, nem sobre o que está acontecendo com ele ou com seus adversários”, explica Sebastián Cuattrin, gerente de competição da canoagem do Rio 2016. “Para o espectador, muda a dinâmica completamente porque no telão é possível enxergar a diferença entre as táticas de um atleta e de outro, principalmente nos momentos de troca de velocidade”.

Tiro com arco

A pontuação deixa de depender apenas do olhar do árbitro e ganha um sistema eletrônico que dá o resultado imediato na mesa técnica dos árbitros. O alvo de 1,22m continua sendo o mesmo de papel, mas aplicado sobre uma estrutura calibrada eletronicamente. A tecnologia da Omega não aparece para o espectador, mas agiliza a competição. “Na hora que a flecha atinge o alvo, aparece de imediato o resultado na tela com extrema precisão, o que ajuda na rapidez dos resultados e para tirar quaisquer dúvidas”, diz Luiz Eduardo Almeida, gerente de competição da modalidade.

Evento-teste de tiro com arco (Foto: Rio 2016/Mathilde Molla)

Evento-teste de tiro com arco – Foto: Rio 2016/Mathilde Molla

Na “flecha da morte”, quando os atletas empatam e têm mais uma única tentativa de tiro, caso os dois acertem a mesma faixa de pontuação, o espectador vê na tela a medição imediata da distância das flechas ao centro. Através de um gráfico, sabe-se imediatamente o vencedor da disputa. O público também pode acompanhar o batimento cardíaco do atleta ao vivo.

Tiro esportivo

O alvo eletrônico, um grande avanço tecnológico adotado desde Pequim 2008, evoluiu e agora faz a leitura e o cálculo do local do impacto do projétil por meio de um feixe de laser, em substituição ao modelo anterior por onda sonora. “Agora temos uma precisão milimétrica na apuração do resultado”, diz Ericson Andreatta, gerente de competição.

Outra inovação é na segurança, com um registro em tempo real do controle de estoque das armas. “Todas as armas são identificadas com etiquetas de rádio frequência. Ao saírem da reserva de armamento, elas são automaticamente identificadas, fotografadas e filmadas para garantir que estão sendo transportadas por seu dono”, explica.

Pentatlo moderno

Durante o aquecimento para o tiro, os atletas podem ajustar a mira por meio de um aplicativo que indica a posição exata onde o tiro a laser atingiu o alvo. A informação é transmitida por meio de wifi para o celular ou tablet do atleta e do treinador.

Levantamento de peso

Uma câmera traz novos ângulos, instalada num trilho em L de 10 metros que segue os movimentos do atleta desde o momento em que ele pisa na plataforma. “Vamos conseguir ter tomadas do movimento bastante completas. Normalmente, você tem ou uma tomada de lado ou uma tomada de frente. Agora, temos todos os ângulos”, diz Eduardo Villanova, gerente de operações técnicas da modalidade.

Evento-teste de levantamento de peso na Arena Carioca 1 (Foto: Rio 2016/Gabriel Nascimento)

Evento-teste de levantamento de peso na Arena Carioca 1 (Foto: Rio 2016/Gabriel Nascimento)

Realidade virtual

A realidade virtual é uma das maiores novidades destes Jogos. A Olympic Broadcasting Services (OBS), responsável pela geração e transmissão de imagens do Rio 2016, captará pela primeira vez imagens de alta definição em VR nas cerimônias de abertura e encerramento, além de mais um evento por dia. As imagens em 360 graus podem ser acessadas com ou sem óculos especiais.

Já a Samsung, lançou um vídeo em 360 graus batizado “Vanuatu Dreams”, que pode ser visto com os recém-lançados óculos de realidade virtual da marca. O vídeo deve ser baixado no aplicativo Milk VR, disponível apenas para celulares da linha Galaxy. Durante três minutos, o usuário acompanha um treino da dupla de vôlei de praia Miller Pata e Linline Matauatu, de Vanuatu, na Oceania.

Miller Pata e Linline Matauatu, de Vanuatu, em vídeo 360 graus (Foto: Divulgação)

Miller Pata e Linline Matauatu, de Vanuatu, em vídeo 360 graus (Foto: Divulgação)

Anel de pagamento

A Visa lança, em parceria com o Bradesco, uma pulseira que funciona nas maquininhas de débito, através de uma tecnologia chamada NFC (Near Field Communication), que opera por proximidade para trocar dados criptografados. Todos os 4 mil pontos de venda nas arenas Olímpicas têm suporte NFC, e cerca de 3 mil pessoas vão testar a pulseira.

No mesmo período também será lançado um anel de pagamento, que utiliza a mesma tecnologia e será distribuído aos 45 atletas que a Visa patrocina no Rio 2016, incluindo oito brasileiros. O acessório é resistente à água até uma profundidade de 50 metros.

Foto: Rio 2016

Foto: Divulgação Rio 2016

Quer acompanhar os jogos de perto? Ainda há ingressos disponíveis que podem ser comprados no Portal de Ingressos ou nos postos físicos de venda.