* Por Piero Contezini

Meu primeiro contato com o Vale do Silício foi em 2011 e aconteceu por acaso. Eu e meus sócios tínhamos um produto que não era intuitivo o suficiente para os usuários e precisávamos entender o motivo  disso. Nessa imersão inimaginável, entendemos o papel das aceleradoras e sua importância naquele ecossistema empreendedor. Ao contrário do que vemos no Brasil, as aceleradoras lá não atuam diretamente no negócio, muito pelo contrário: elas fazem questão de ajudar os empresários somente com os pontos-chave: design, métricas e distribuição.

No nosso país, as aceleradoras oferecem de programadores a CEOs temporários e acredito que que essas funções acabam sendo meras muletas para o empreendedor. No final das contas, elas jogam contra a sua própria razão de existir: acelerar o desenvolvimento do empreendedor. Ou seja, ao oferecer esses serviços, essas organizações desenvolvem as empresas e não o empreendedor em si.

Há quase um ano fui convidado para ser mentor no Founder Institute, um instituto sem fins lucrativos criado com o objetivo de pulverizar a cultura do Vale do Silício em todo o mundo. Nesse programa de mentoria, tive o prazer de ajudar empreendedores das mais diferentes áreas e ter certeza de o que recebi do ecossistema, está sendo devolvido da mesma forma.

Para mim, o Founder Institute é literalmente o Uber das aceleradoras, porque segue o modelo de economia do compartilhamento. Qualquer pessoa de qualquer local do planeta, pode se inscrever para disseminar a cultura do instituto na sua cidade ou no seu próprio ecossistema empreendedor. Com um modelo de testes de capacidade cognitiva e conhecimento que deixa o Google e o Facebook no chinelo, o Instituto consegue validar com segurança se o aspirante a diretor de uma empresa terá capacidade de sustentar o desenvolvimento da organização. Junto ao diretor, há uma série de papéis que podem ser desenvolvidos, como mentores e aspirantes a fundadores, pagando uma taxa pequena em relação ao modelo tradicional de aceleradoras.

O programa não perde em nada para as demais aceleradoras do  Vale do Silício, pois com um processo claro e métricas definidas, o Founder Institute parece mais uma Aceleradora as a Service do que qualquer outra coisa. Durante FounderX realizado no início de maio, ao qual fui convidado a participar neste ano, percebi que a cultura de inovação não é mais exclusividade da Califórnia. No mundo inteiro temos pessoas trabalhando para que o empreendedorismo seja a solução para os grandes problemas da humanidade e a economia de compartilhamento é uma dessas soluções que não só podem, como já estão influenciando os empreendedores. É o modelo Uber sendo incorporado em empresas e instituições mundiais, nem o Vale do Silício está imune.

* Piero Contezini foi sócio-fundador da Informant, empresa no segmento de serviços de pesquisa e desenvolvimento de software web, mobile e embarcados e da ContaAzul. Atualmente é CEO e cofundador da fintech Asaas