O Movimento Maker é uma extensão da cultura Faça-Você-Mesmo, em inglês, Do-It-Yourself (DIY). Esta cultura tem em sua base a ideia de que pessoas comuns podem construir, consertar, modificar e fabricar os mais diversos tipos de objetos e projetos com suas próprias mãos.

Este tipo de cultura já existe há décadas e foi responsável pela criação e evolução de indústrias inteiras como, por exemplo, o caso da indústria dos computadores pessoais que teve suas origens no Homebrew Computer Club, ou Clube dos Computadores Caseiros. Foi no Homebrew Computer Clube que Steve Jobs e Steve Wozniak apresentaram pela primeira vez o Apple I.

Foto: Divulgação

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Aqui no Brasil, muitas pessoas já se juntaram ao movimento. Para se ter ideia, São Paulo foi a primeira cidade a adotar o movimento maker como política pública por meio da rede Fab Lab Livre SP. Hoje existem 12 Fab Labs públicos espalhados pela cidade. Foram mais de R$ 2,2 milhões investidos em equipamentos como impressoras 3D, fresadoras CNC, cortadoras a laser e plotters de recorte.

Um exemplo de que esse movimento está em constante crescimento, é o interesse cada vez maior das grandes empresas por esse universo. Para entender melhor como funciona esse mercado, o Startupi foi conhecer o Distrito Makers, o primeiro coworking do Brasil com laboratório de prototipagem, com foco em IoT (Internet das Coisas) e inovações tecnológicas para startups, empreendedores e inventores que precisem prototipar e desenvolver inovações.

“O movimento maker é uma revolução industrial e veio para ficar. É a tendência da indústria futura, é aquela coisa de você prototipar rápido e a baixo custo, o que democratiza a criatividade e o poder de inovar. O Brasil precisa muito inovar e o nosso foco é fomentar esse movimento”, destaca Rafael Coffani, Gerente Geral do Distrito Makers.

O Distrito Makers funciona como um coworking, qualquer pessoa pode frequentar o espaço, mas como seu diferencial é o laboratório de prototipagem, então o foco são empresas, startups de tecnologia, inventores autônomos ou estudantes que precisam de ferramentas para criar protótipos. Todos esses profissionais encontram um espaço bem adequado para trabalhar com uma área de 1000 m² e toda infraestrutura necessária.

Segundo Rafael, o movimento makers no Brasil ainda está começando, pois as pessoas encontram muita dificuldade em criar produtos, pois muitas delas estão focadas nos apps e nos softwares, não em hardware. “Ainda não temos a visão de que é possível montar um hardware na garagem de casa e que não precisamos de um laboratório ultramoderno. Tendo conhecimento e as ferramentas básicas, você consegue criar muita coisa”.

Equipamentos

O espaço conta com Impressora 3D, CNC, CNC de placa de circuito, cortador a laser, turno de precisão, ferramentas de marcenaria e de acabamento, sensores térmicos, câmara térmica, sensores de ruído, microscópio para soldagem de placas de circuito, entre outros.

Foto: Fernanda

Foto: Fernanda Santos

Foto: Fernanda Santos

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Os grandes destaques dos espaços makers costumam ser as impressoras 3D, em que você consegue prototipar praticamente qualquer coisa, qualquer tipo de produto, a partir de uma arte, de maneira rápida, fácil e a baixo custo.

Rafael conta que para uma grande empresa fazer uma capinha de celular, por exemplo, sem uma impressora 3D, até chegar no produto final, precisam criar moldes de ferro onde será injetado o plástico e o custo disso é gigantesco. “Para fazer um molde pequeno o valor é muito alto. Fora isso, para compensar você precisará fazer em larga escala, o que para uma startup são valores irreais. Isso funciona para a grande indústria. Dentro do Distrito Makers, por 60 reais a hora, você consegue prototipar, fazer o produto, testar e validar seu projeto”, comenta Rafael.

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O cortador a laser também é uma ferramenta muito útil, com ele é possível criar estruturas, desenvolver caixas, cortes, acabamentos e também fazer maquetes. Rafael conta que muitos estudantes de engenharia costumam utilizar o CNC, pois se consegue fazer bastante trabalho em madeira, bem detalhado.

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Outro diferencial do Distrito Makers é que ele funciona como uma espécie de facilitador e intermediário entre as grandes empresas e as startups através do Matchmaking. “Do mesmo jeito que conectamos as grandes empresas com startups voltadas para o software, fazemos esse match com as de hardware também. Levamos startups para grandes empresas que muitas vezes fazem o funding do negócio através de contratos de prestação de serviços. Para as grandes empresas o matchmaking com as startups é incrível porque apenas dessa forma é possível gerar projetos disruptivos na qualidade e na velocidade que o mundo atual exige”, afirma Bernardo Noronha, CEO do Distrito.

Rafael e Bernardo Nogueira, CEO do Distrito - Foto: Fernanda Santos

Rafael Coffani, Gerente Geral do Distrito Makers e Bernardo Noronha, CEO do Distrito – Foto: Fernanda Santos

Casos

Já foram desenvolvidos vários projetos dentro do Distrito Makers, entre eles, um sensor caseiro de análise de sangue, desenvolvido por estudantes; placas de circuito para a ativação dos imobiliários urbanos e inclusive a Absolut Boozebox, feita em parceria com a Pernod Ricard e a agência A.SENSES. Trata-se de uma impressora de drinks que faz coquetéis em menos de 6 segundos.

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A máquina conta com mais de 200 drinks no cardápio e uma precisão inquestionável. A bebida fica pronta em bem menos tempo, economiza até 15% do líquido por evitar o desperdício, vem na temperatura certa e com a doçura que você escolher. Fácil de usar e configurável por meio de uma tela touch, a máquina cria drinks que têm como base a vodca, whisky, ruim, cachaça e outros destilados.

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Além disso, o Distrito Makers costuma realizar cursos, palestras e workshops. Agora em Julho acontece o Robotic Creators, o mais novo curso de férias do Distrito, que busca promover o empreendedorismo juvenil e os valores éticos, inspirando as crianças e jovens a participar do universo das ciências e da tecnologia, possibilitando experiências criativas e com muita prática em questões robóticas, trabalhando com conceitos científicos, meta cognição, raciocínio lógico, engrenagens, motores e sensores.

“O programa estimula a imaginação e a criatividade dos alunos, incentivando-os a assumir o papel de cientistas, engenheiros, matemáticos e designers criativos nas etapas de projetar, construir e programar robôs com LEGOs”, destaca Rafael.

O Distrito Makers fica localizado em Alphaville, Barueri, próximo a São Paulo e foi inaugurado esse ano. Para saber mais sobre o espaço clique aqui.