* Por Heloísa Motoki

Se você tivesse dinheiro para investir, seu negócio seria um deles?

A pergunta pode soar estranha e sem sentido, afinal, se você não acreditar em seu negócio, quem acreditará? mas todo empreendedor deveria olhar seu negócio sob a ótica de um investidor, isso poderia te livrar de muitas dores de cabeça.

Ultimamente temos vistos várias notícias de empresas que fecharam as portas, seja pela crise, pelas dívidas ou pela falta de clientes, mas quando chega essa hora? Quando é o momento de não investir ou de fechar uma operação? Será que deixar de dar andamento em uma ideia é de fato desistir ou não era o momento? Até quando é preciso insistir para ter resultado?

Culturalmente, a maioria das empresas quando tomam a decisão de encerrar suas atividades já estão endividadas e possuem débitos incontroláveis:  impostos, banco, funcionários, fornecedores etc. Mas será que esse é momento? Será que a decisão não foi tomada tarde demais?

São questões para reflexão, porque ao empreender não temos respostas para a maioria das perguntas, é sempre um risco. Podemos ter uma ótima ideia, as pessoas acharem bacana, começar com algumas vendas e depois o negócio estagnar ou não continuar como no começo.

Conheci o Prof. Liao Yu Chieh, na Virada Empreendedora deste ano, dividi com ele e com o Prof. Marcelo Nakagawa as atividades da Arena de Empreendedorismo Social. Durante uma palestra, o Prof. Liao mostrou uma visão que vi em pouquíssimos empreendedores: a do desapego.

Com várias ideias de futuros empreendimentos, ele contou sem medo que não tinha receio de falar para qualquer pessoa sobre tudo o que tinha planejado e respondia a tudo que lhe era perguntado. Seu princípio é de que se a pessoa copiar sua ideia e colocar o negócio para funcionar antes dele, ela tem o mérito que ele não teve como executar. Se o negócio não for para frente, vê também com bons olhos, afinal não perdeu dinheiro com o investimento.

O desapego dele pela ideia é fora do comum, eu mesma convivo com empreendedores que muitas vezes nem querem contar muita coisa do negócio na hora da formalização, imagina contar detalhes do empreendimento!

E isso não vale apenas para empresas que estão abrindo. No começo deste ano uma situação inusitada também ocorreu, uma empresa que vinha bem nos últimos anos me procurou para planejar seu possível encerramento, Na visão do empresário, se ele fosse investidor não colocaria seu dinheiro no negócio, sabia que o valor investido não teria um retorno desejado, no tempo desejado (mesmo com o lucro do ano anterior).

Situações como essas nos ajudam a refletir e olhar nosso negócio por outro ângulo. O fato de ter uma empresa fechada não quer dizer que os empreendedores estavam falidos nem que a empresa estava ruim, mas pode ter sido uma situação sábia de quem não poderia perder mais.

Mas ainda assim, cada vez que passo pelas ruas e vejo que um negócio fechou fico mexida, porque penso no quanto de tempo foi investido, no quanto de dinheiro foi colocado e que não terá retorno. E que naquele momento um sonho acabou.


heloisa motoki rede mulher empreendedoraHeloisa Motoki é diretora administrativa e financeira da Rede Mulher Empreendedora, fundadora da Quali Contábil e consultora especial do site Fórum Contábeis. Participante do programa de Empreendedorismo pela FGV/Goldman Sachs – 10.000 mulheres. Há 18 anos no mercado contábil, atua diretamente com pequenas e médias empresas em São Paulo.