O Startupi acompanhou ontem, na capital carioca, o Demo Day da quarta turma do Startup NAVE, projeto premiado de pré-aceleração da universidade Estácio. Durante o evento, sete startups, das 11 finalistas, realizaram o pitch para o público, que contava com especialistas, empreendedores do mercado e investidores em potencial. O Demo Day aconteceu no Espaço NAVE, sede do programa, situado na região do Porto Maravilha, o novo polo tecnológico da cidade do Rio de Janeiro.

NAVE

Lindália Reis, diretora de Inovação da Estácio e responsável pelo programa, diz que a pré-aceleração surgiu da missão da Estácio de transformar a vida das pessoas antes de transformar a educação. “A Espaço NAVE vem para abrir esta oportunidade, para que os alunos tenham desenvolvimento de carreiras e para mostrar que eles podem ser protagonistas, podem empreender e podem gerar empregos”, diz. O programa é completamente gratuito e não exige participação nas empresas.

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Por enquanto, a Espaço NAVE está apenas no Rio de Janeiro, mas os planos são de expandir para todo o território nacional, onde a universidade atua. Lindália diz que o objetivo é abrir um espaço físico da NAVE em cada região, mas hoje já existe o PEN – Programa Embaixadores da NAVE -, onde foram capacitados líderes em cada uma das 100 unidades Estácio, em que os embaixadores são multiplicadores que incentivam o empreendedorismo nos alunos. “Tudo o que a Estácio faz é pensando nos 600 mil alunos. Queremos que esta onda seja surfada por todos, não apenas no espaço-mãe aqui no Rio de Janeiro”.

Para participar do programa, entretanto, não há necessidade de residir ou ter estudado na sede do Rio. Os únicos pré-requisitos são que as startups tenham pelo menos um aluno ou ex-aluno de qualquer curso da Estácio e que as equipes sejam formadas por até cinco pessoas. Ao longo destas quatro edições, o programa já recebeu mais de 600 inscrições e a cada semestre, entre 20 e 30 ideias são selecionadas para participar da pré-aceleração. Ou seja, são mais de 100 empreendedores por edição. Ao todo, 60 empresas já concluíram o programa.

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Foto: Divulgação

Fases

Todo o programa dura quatro meses e é dividido em três fases. A cada etapa, as startups que não forem cumprindo com os requisitos necessários vão deixando o Startup NAVE. A primeira fase é focada em capacitar os empreendedores, dando mentorias focadas em cada um dos novos negócios para que eles formatem o produto. A segunda parte é focada na criação do MVP, pivotagem e ajustes no produto das empresas. A última fase é onde os empreendedores lançam seus produtos no mercado, fechando parcerias, encontrando clientes e buscando investidores.

Para a conclusão da pré-aceleração, as startups frequentam o Espaço NAVE diariamente, para a realização de atividades. O diferencial do programa é que ele é gamificado, ou seja, cada uma das atividades realizadas conta pontos e, a cada mês, as startups que não conseguem evoluir nas metas desenhadas por elas mesmas para a conclusão do projeto, são eliminadas do programa. “Os que passam para começar o programa já são bons, mas se você for enfrentar o mercado, tem que ser muito bom. O nosso objetivo é que as chances de sucesso destas empresas no mercado sejam reais”, diz Lindália.

Sucesso

“Segundo uma pesquisa da Endeavor de 2013, 6 em cada 10 universitários querem empreender”, diz Lindália. Para ela, embora existam boas iniciativas das universidades para estimular as boas ideias dos alunos no Brasil, ainda existe uma carência de colocar o universitário para pensar com uma cabeça de negócios. “Existem boas incubadoras nas universidades, mas nem sempre um projeto vira negócio, e vemos muitas aceleradoras e investidores querendo projetos já prontos”, diz. Segundo a diretora, estes universitários enxergam no Espaço NAVE uma solução que preenche esta lacuna, por isso, o número de inscritos para o programa cresce cada vez mais. Hoje, na Estácio, o TCC – Trabalho de Conclusão de Curso – pode ser uma startup.

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Foto: Divulgação

Embora a Estácio não exija equity das empresas da Startup NAVE, nada impede que a universidade se torne cliente delas. Um dos exemplos é a Opa, aplicativo que controla a frequência escolar e avisa em tempo real pais e responsáveis da entrada e saída dos alunos. A empresa foi criada no programa, a Estácio testou, pivotou, contratou e hoje está utilizando e expandindo a solução da startup para todas as unidades da universidade. Outro caso importante é a da Plataforma Saúde, startup criada na primeira turma do programa que começou a atuar na comunidade da Providência, no Rio de Janeiro, e já recebeu os prêmios de Empresa Mais Criativa das Américas pelo BID – EUA e Prêmio de Inovação Social TIC Americas – Panamá.

Demo Day

As empresas que participaram do Demo Day foram:

  • BusinessMeum CRM criado para MEI, micro e pequenas empresas que querem gerenciar suas vendas e alcançar suas metas
  • InkAttUm TripAdvisor da tatuagem, onde os usuários encontram o tatuador ideal para o cliente
  • LegalBeeUma plataforma que ajuda escritórios de advocacia e advogados a contratar o correspondente jurídico mais próximo do local desejado
  • ProseekUma academia de formação profissional para o mercado financeiro e corporativo
  • Rubbia – Uma rede que une prestadoras mulheres em busca de espaço para atuar nas áreas de reforma e manutenção residencial, atendendo clientes que valorizam segurança e mais atenção aos detalhes
  • TechTrainer – App para motivar a prática de exercícios físicos e apoiar na performance, identificando os exercícios em tempo real, contando as repetições e orientando sobre a melhor postura
  • WindieUm shopping de vendedoras do Instagram no mercado de roupas e acessórios de moda. O app é uma vitrine que conecta pequenos empreendedores com clientes por todo o País

A grande vencedora da noite foi a LegalBee, fundada pelas advogadas Tatiana Mendes e Gabriella Ponso, que foram selecionadas por Eduardo Lofego e Carlos Júnior, representantes do Gávea Angels, para apresentarem o pitch para o conselho de investidores do grupo. Segundo eles, a startup já está madura e preparada para começar a receber os primeiros investimentos.

Quando Tatiana e Gabriella chegaram ao NAVE, tinham apenas uma ideia e vontade de empreender. “Por sermos advogadas, passávamos pela dor de não encontrar um profissional para serviços jurídicos no local que precisávamos. É um processo burocrático, tem que fazer ligações interurbanas e muitas vezes, a melhor proposta vem depois que você já fechou negócio com outro advogado”, diz Gabriella. Na plataforma da LegalBee, uma solicitação pode ser cadastrada e o advogado recebe, como no Uber, uma notificação e pode aceitar ou não o serviço solicitado.

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Fundadoras da startup LegalBee. Foto: Divulgação

As equipes que quiserem participar da quinta turma do Startup NAVE devem postar um vídeo no YouTube com um pitch de um minuto e preencher o formulário de inscrição no site. As inscrições estão abertas até o dia 22 de junho.