O empreendedor argentino Guille Freire, após sofrer um assalto nas ruas de Buenos Aires e ter seu iPhone roubado, decidiu criar a startup Trocafone, baseada na cultura de recommerce de smartphones e tablets, que prevê faturar R$ 240 milhões esse ano.

Como tudo começou

Assim que voltou para a Argentina, após viver dois anos em Boston onde foi fazer um MBA no MIT, focado em tecnologia e empreendedorismo, Guille sofreu um assalto na rua de Buenos Aires. Um ladrão colocou uma arma em sua cabeça e levou o seu iPhone.

Como não tinha dinheiro suficiente para comprar um aparelho novo – na época, o preço do iPhone novo era equivalente a 2/3 do salário mínimo – o executivo resolveu comprar um iPhone usado. Depois de fazer várias pesquisas online, ele conheceu um vendedor que tinha um aparelho nas condições que procurava. Marcou um encontro em uma Starbucks e comprou o aparelho celular usado. Ao chegar em casa, constatou que o iPhone não carregava. Ligou para o vendedor, mas ele sumiu, ou seja, Guille tinha sido enganado.

Frustação

Como não tinha outra opção, Guille consertou o aparelho e decidiu vendê-lo novamente. Escolheu um site de compra e venda e fez o anúncio. Depois de uma semana respondendo questões que pouco tinham a ver com o negócio, Guille conseguiu vender o aparelho. Além da frustração pelo negócio, o executivo enxergou uma oportunidade de mercado.

Experiência

Com toda a história que passou para comprar e vender um celular usado, o empreendedor resolveu estudar o mercado e constatou que não foi o único a passar por uma experiência frustrada neste sentido. O empreendedor chamou, então, o seu irmão Guille Arslanian e resolveram criar um negócio que melhorasse a experiência de compra e venda de celulares seminovos e garantisse a qualidade do produto e o serviço de pós-venda.

Criaram assim a Trocafone, que se consolida como uma empresa baseada na cultura de recommerce. Por meio de diferentes plataformas – website e pontos de coleta -, o usuário pode comprar e vender smartphones e tablets seminovos, com a garantia que funcionam como aparelhos novos.

Operação

Em maio de 2014, os irmãos Guille abriram a Trocafone em São Paulo. Em média, as pessoas trocam de celulares a cada 12 meses e o foco, desde o início, foi trabalhar voltado para as classes C/D. De acordo com os argentinos, o Brasil é o maior mercado da América Latina para este tipo de negócio. Hoje, a empresa conta com 40 funcionários brasileiros. No final do ano passado, a Trocafone iniciou operação também na Argentina. Para o início de 2017, o CEO planeja expandir a atuação para Colômbia, Peru e Chile.

Aportes

A empresa acaba de receber sua terceira rodada de investimento no valor de R$ 20 milhões, feita pelo fundo suíço Sallfort. Em menos de dois anos de existência, esse é o terceiro aporte recebido pela empresa, totalizando R$ 36 milhões de investimento. No ano passado, o fundo composto por Wayra (aceleradora global de startups do Grupo Telefônica), 500 Startups, Lumia Capital e Quasar Ventures investiu R$ 12 milhões na empresa. O mesmo grupo, acrescido da NXTP, já havia feito um investimento inicial na companhia em 2014 de R$ 4 milhões.

Funcionamento

Todos os smartphones que recebem para comercializar passam por uma análise técnica rigorosa, composta pela verificação do hardware e do software do aparelho. Além disso, a Trocafone segue um processo de inspeção muito cuidadosa quando recebe um dispositivo. Caso conste qualquer ilegalidade no modelo, a Trocafone devolve para o proprietário o aparelho enviado para venda.

Sustentável

O recomércio de smartphones e tablets é, antes de tudo, um negócio sustentável, pois traz benefícios econômicos para a sociedade, além de contribuir para a redução de lixo eletrônico beneficiando o meio ambiente.  Estima-se que há 100 milhões de smartphones em circulação, só no Brasil.

Crescimento e expansão

Em 2015, a Trocafone faturou R$ 40 milhões. Para 2016, a expectativa é ousada. Os executivos argentinos esperam chegar a R$ 240 milhões de faturamento.

Além da comercialização via website, a companhia também aposta na expansão do seu programa de trade-in. A empresa mantém parcerias com pontos de vendas que podem trocar aparelhos dos seus clientes por produtos novos, beneficiando-os com descontos. Já o varejista incrementa suas vendas e fideliza seus clientes. Atualmente, a Trocafone já está presente em lojas que comercializam aparelhos das marcas Samsung, Motorola, Sony e LG.

Números

Desde a sua fundação, foram comercializados 50 mil aparelhos, sendo uma média de 7 mil por mês. A expectativa é que até o fim do ano sejam comercializados 150 mil aparelhos. O valor médio dos aparelhos para compra é de R$ 500 e de R$ 700 para venda, na média. A empresa ainda não pode dar muitos detalhes, mas irá lançar em breve novos produtos e serviços.