* Por Juan Bernabó

Com a atual situação econômica do país e do mundo, as startups estão ganhando cada vez mais força nos mercados e nichos em que atuam. Quem mais sofre com esse cenário são as grandes e tradicionais corporações. Um estudo americano afirma que até 2027, cerca de 75% das S&P 500 terão sido substituídas por essas pequenas e disruptivas que surgem diariamente e transformam as industrias onde atuam, assim como a Easy Taxi para cooperativas de taxis, Uber para os próprios taxis, Whatsapp para o SMS e Netflix para as operadoras de TV a cabo.

Isso nos leva a refletir naquilo que as organizações podem fazer e quais são os maiores desafios que elas estão enfrentando para lidar com a ameaça de disrupção dos seus modelos de negócios.

No mercado existe variadas definições de o que é uma startup. Mas afinal, qual é seu verdadeiro significado? A minha definição é que uma startup é uma organização que consegue descobrir como crescer exponencialmente. Mas para essa expansão, elas acabam repensando uma indústria inteira e questionando toda uma cadeia de valor, tornando os seus modelos potencialmente disruptivos para as empresas existentes nesses setores.

Assim, muitas corporações estão perdendo seu espaço. Então saiba quais são os 5 maiores desafios que tornam grandes corporações alvo de disrupção por startups e o que fazer para mudar e não perder espaço:

  1. Otimização: As startups de sucesso conseguem crescer de forma rápida e em um curto período de tempo. Isso se dá pois elas possuem um ou mais componentes, seja a oferta, os processos de aquisição de clientes ou o processo de entrega de valor, onde funciona muitas vezes mais rápido em comparação com os seus concorrentes. Nas grandes corporações, o modelo de gestão otimiza estabilidade e controle de custos, porém muitas vezes as impedem de focar em crescimento e adaptação.
  2. Sistemas de incentivo: Dentro de uma grande organização existem muitos desalinhamentos, porém as startups que conseguem crescer exponencialmente, acabam conseguindo alinhar e focar todas as atividades otimizar o seu crescimento.
  3. Processos: Nas grandes organizações, poucos os processos que são chave e agregam muito valor. Porém, elas possuem muitos processos não essências para o valor fluir, tonando-as lentas e burocráticas.  Já em startups, os processos são muito eficazes e foram pensados para serem enxutos. As startups tem incentivos para fazer menos e não mais, de focar naquilo que é estritamente essencial e em simplificar, sem complicar.
  4. Organização: Grandes corporações geralmente estão estruturadas de forma funcional, o que faz sentido quando se otimizam custos e estruturas de poder.  Isso pode ser vantajoso no curto prazo, mas a longo prazo, pode trazer prejuízos. Startups, por outro lado, são mais rápidas e adaptáveis porque são compostas de  sub sistemas ou células otimizadas para criar valor para os clientes finais. O ideal para as grandes organizações é começar a otimizar o fluxo de valor na horizontal e não dentro de cada departamento, como se fossem um conjunto de startups dentro de uma grande empresa.
  5. Nível de adaptação ao novo mundo digital: Este tema talvez seja o que tenha maior impacto. Muitas organizações se encontram no inicio do processo de luto, elas estão em negação e ainda não aceitaram a mudança do mundo, ou resolvem focar em mudanças cosméticas que não vão trazer os benefícios tão necessários para elas.

Minha sugestão é para que os inovadores e aqueles que queiram causar ou se defender da disrupção nas grandes indústrias, usem esses próximos 10 anos para repensar os seus negócios como se estivessem nascendo hoje, pois se isso não acontecer, vocês podem estar inseridos nos 75% que irão deixar de existir até 2027.

* Juan Bernabó é CEO e fundador da Germinadora, e autor de Pragmatic Management, uma abordagem de gestão que ajuda grandes empresas e startups a criar organizações que aprendem e se adaptam rápida e continuamente, maximizando valor.