* Por João Silva

Ultimamente venho sempre repetindo uma frase quando me perguntam do ecossistema de inovação e startups no Maranhão: “Saímos de um cenário impossível para um cenário provável.”

Esse cenário provável reflete-se em alguns indicadores que gostamos de compartilhar com um certo orgulho e alegria. Porque saímos de uma situação em que geralmente 80% do recurso de incentivo a inovação enviado pelo governo federal para o nosso estado retornava para os cofres públicos por que não tínhamos projetos suficientes apresentados nos editais públicos abertos com este objetivo.

O primeiro indicador que gostamos de compartilhar em relação ao que mudou é que nos últimos dois anos foram aprovados 29 projetos inovadores, entre hardware, software e arranjo produtivo, que receberam e receberão cerca de R$ 5 milhões de reais entre recursos federais e estaduais, alguns com foco no desenvolvimento do protótipo e/ou MVP e outros com foco no desenvolvimento da startup na sua integralidade, e sim, esses números representam 100% de aproveitamento dos recursos disponibilizados através de editais públicos.

Um segundo indicador que levamos em consideração é a nossa participação em eventos por meio de seleção. Durante o primeiro formato da Startup and Makers, área dedicada a startups e empreendedorismo que acontece na Campus Party Brasil, o Maranhão não teve nenhuma startup entre as 300 que ali fizeram a exposição de suas ideias, produtos e modelos de negócios inovadores. Na verdade, boa parte dos fundadores das oito startups aprovadas este ano e das quatro que participaram no passado sequer sabiam desse evento em seu primeiro ano.

“Existe um termo bíblico chamado kairós, que significa tempo oportuno. Sou grato, porque a startup Ponto Aberto, da qual sou fundador, nasceu neste novo tempo, no Kairós do Estado do Maranhão. Através da Startup-MA fomos orientados, apresentados ao referencial teórico sólido sobre startups, obtivemos acesso a editais para eventos, competições de startups e programas de aceleração. Com estas informações e apoio pessoal e institucional construímos nossa trajetória: Vencedores da Corrida das Startups da Feira do Empreendedor do Sebrae 2015; Finalista da competição do Sebrae Like a Boss 1 UP; Top 3 das startups do varejo durante a Startup&Makers na Campus Party 2016; startup acelerada na 15º edição do programa de aceleração da StartupFarm.”(Bruno Menezes – Ponto Aberto)

No ano de 2015, quatro startups maranhenses ficaram no top 30 de 200 participantes, sendo que a Bookcasting, do empreendedor Daniel Martins, ficou em segundo lugar. Nesse ano de 2016 todas as startups maranhenses foram finalistas nas competições que participaram e uma das startups foi indicada como uma das três maiores promessas do varejo por imprensa especializada.

“É perceptível o crescimento das startups locais, mas crescer sozinho é pouco. O que acontece no maranhão é algo grandioso, é a formação de um ecossistema. É nesse contexto que, em maio, acontece o primeiro Startup Weekend de São Luís. O evento é a cereja do bolo, para inserir mais pessoas ao ecossistema,  descobrindo assim novos talentos. É nítida a ânsia de faculdades, hotéis, grandes empresas, empreendedores, desenvolvedores, designer e da sociedade ludovicense em colocar de uma vez por todas o Maranhão no cenário das grandes startups. Quem sabe não é o início de uma Ludo Valley?” (Laíza Amorim – Líder Organizadora Startup Weekend São Luís)

Mas nem sempre foi assim. Na verdade, sempre tivemos muitas iniciativas e poucas “acabativas”, tínhamos aqui um cenário bem pouco convidativo à inovação. Pra quem não sabe, a capital do Maranhão, São Luís, possui, ainda hoje, um cultura voltada para inserção no mercado de trabalho por meio de cargos públicos. Poucas pessoas empreendiam por oportunidade e os profissionais que mais se destacavam eram absorvidos por grandes empresas ou simplesmente saíam do estado.

Um grupo de jovens profissionais, empreendedores e entusiastas resolveu juntar-se no final de 2013 para falar de startup. Liderados por Bruno Lima, hoje coordenador do curso de sistemas de informação na UNDB- Unidade de Ensino Superior Dom Bosco -, o grupo começou a falar de pitch, modelo de negócios repetível e escalável, além, claro, de investimento-anjo.

Após muitos altos e baixos desse movimento, resolvemos que seria legal virar uma associação, e nosso objetivo nunca foi unir forças para cobrar políticas públicas. Na verdade o intuito da primeira diretoria foi entender os processos para que pudesse existir um ambiente propício para o nascimento de startups e quais seriam os conhecimentos necessários para que isso acontecesse.

Os resultados começaram a aparecer quando conseguimos fazer academia, mercado e governo dialogarem em relação aos seus papéis e como cada um poderia contribuir para a construção desse ambiente acolhedor e que propiciasse o aprendizado necessário para que ideias que resolvem problemas de verdade pudessem nascer, se desenvolver, ganhar forma e chegar ao mercado como uma empresa inovadora.

Hoje temos um núcleo de inovação independente que acontece em um dos cinco espaços de coworking que existem no estado. O ecossistema passou a se desenvolver de tal maneira que um dos principais marcos, o Startup Weekend, veio pela primeira vez ao Maranhão. E é importante ressaltar que os líderes da organização não possuem ligação direta com a nossa associação de startups.

“Ser um dos elementos do ecossistema local é excitante e motivador. Unir gente boa e ser um espaço de convergência de ideais é essencial para o desenvolvimento da comunidade e mostrar que com um pouco de vontade e suor tudo é possível. E como conta Steven Johnson, As melhores ideias surgem quando pessoas com habilidades diversas abordam o mesmo problema e trocam ideias entre si. Se cada uma delas apresenta uma visão diferente da situação, há chances maiores de surgir uma boa solução”(Fábio Freitas – Waka Coworking)

Assim tem sido o começo do nosso ecossistema. Mesmo não objetivando politicas públicas, sempre acreditamos que as mesmas são fundamentais para o desenvolvimento continuado de qualquer sociedade. Ficamos alegres em dizer que estamos participando ativamente da fundação da Rede Maranhense de Inovação, encabeçada pelo governo do estado.

“É notório o progresso e a relevância do ecossistema das startups maranhenses nos últimos anos. Podemos citar o número recorde de inscritos na I Corrida de Startups do SEBRAE/MA realizada na Feira do Empreendedor 2015 e a expressiva presença no I Workshop das Startups Maranhenses realizado em agosto de 2015. Fazer parte deste ecossistema tem sido edificante e desafiador, especialmente por estarmos atuando com um novo perfil de empreendedor, formado por jovens que já nasceram imersos em um ambiente virtual, são curiosos, criativos, inovadores e que estão em busca de uma transformação na sociedade.”(Danielle Abreu – Sebrae Maranhão)

Sebrae, Ifma, Ufma, Uema, Fiema, Undb e outros têm resolvido dar as mãos nesse esforço conjunto até agora. Espera-se ainda que aconteçam as primeiras rodadas de investimento-anjo em startups maranhenses no segundo semestre deste ano, novos editais e, principalmente, novas empresas inovadoras no mercado.


João Silva João Silva, Líder de Inovação – The Creative Pack; Ex-Presidente e Fundador da Associação Maranhense de Startups – Startup Maranhão .