Já imaginou um mundo onde robôs pudessem trabalhar juntamente com os humanos e nos ajudar nas coisas mais essenciais, como no dia-a-dia hospitalar? Esse mundo já existe, e o primeiro robô a “trabalhar” em um hospital é brasileiro!

O criador desta tecnologia é Antonio Dianin, fundador da Project Company e desenvolvedor do R1T1, o primeiro robô da América Latina que funciona por telepresença e considerado o melhor do mundo para a área da saúde.

Em entrevista ao Startupi, Antonio diz que começou a empreender desde muito cedo, por influência familiar, e abriu sua primeira empresa quando ainda estava na universidade. “Desde lá já foram mais de 11 negócios, dentre os que deram certo e errado”, explica.

De todos estes negócios, o maior e de mais visibilidade é a Project Company, uma empresa de tecnologia e inovação, não sendo necessariamente uma empresa de robótica, apesar de ser mais conhecida pelo famoso robô hospitalar. O R1T1 está na companhia, dentro da Project Robot, que é uma das várias divisões que a empresa tem. “Nosso objetivo com a Project Company é fazer do Brasil referência mundial em desenvolvimento de tecnologia”.

O robô

r1t1A ideia de criar o robô surgiu quando Antonio estudava nos Estados Unidos, enquanto assistia a um episódio da série norte-americana de comédia The Big Bang Theory. No episódio, Sheldon, o personagem principal da série, cria um robô de telepresença para que ele não precise mais ir até a universidade. “Quando eu vi aquilo eu pensei ‘eu acho que consigo criar um robô desse'”, diz. O objetivo, para Antonio, não era criar um robô comercial como ele se tornou hoje. O foco, quando o R1T1 foi idealizado, era servir como uma comodidade para seu criador, como o robô de Sheldon.

Antonio conta que a maior dificuldade que teve na época de criação de seu robô foi o desenvolvimento de software, mas que teve bastante apoio da Georgia Technology, instituto que faz parte do Sistema de Universidade da Geórgia. “A fórmula de movimentação de robôs que utilizamos dentro do R1T1 é deles”, explica. Mas não só de parceiros de tecnologia foi feito o robô: o maior parceiro da companhia para validar este projeto foi o Hospital Regional Universitário de Maringá, que validou a proposta do primeiro R1T1, em 2013. Atualmente, a Project Company apresenta a quinta versão oficialmente lançada do robô, mas Antonio adianta que a empresa já está desenvolvendo a sexta. Até agora, já são seis robôs do modelo R1T1 nos hospitais brasileiros.

Embora os processos de desenvolvimento de um projeto deste tamanho sejam muito diferentes dentro e fora do Brasil, Antonio diz que o plano é continuar sempre desenvolvendo nacionalmente. Fora do País, segundo ele, é mais fácil conseguir quase tudo que forma o robô; desde peças e capital à mão de obra. “O Brasil tem muito potencial, por isso estamos fazendo um processo de nacionalização do R1T1”, explica Antonio. A primeira versão do projeto tinha cerca de 90% das peças importadas. Hoje, essa mesma quantidade é agora desenvolvida no Brasil.

Tecnologia

A telepresença do R1T1 pode ser aplicada em diversas outras áreas, como educação, eventos, vendas, marketing, segurança, entre outros. Mas a área hospitalar ainda é o foco da companhia: além de consulta médica e monitoramento de pacientes, em especial os da UTI, o robô evoluiu tanto de seu protótipo para os dias atuais que hoje os médicos são capazes de realizar transplantes com o auxílio da ferramenta.

O robô se integra com todos os equipamentos da rede hospitalar, e é capaz de identificar o fluxo sanguíneo, respiratório e batimento cardíaco de uma pessoa sem que seja necessário tocá-la, além de uma espécie de detector de humor, que mostra como a pessoa está se sentindo no momento em que é “lida” pelo robô. “O R1T1 também reconhece pessoas. Se eu paro na frente dele hoje, ele me dá oi e abre todos os sistemas pra mim”, diz.

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A tecnologia também é capaz de detectar sexo, idade aproximada, etnia e até o tipo de roupas que o paciente estiver usando. Além de tudo, o robô também conta com um sistema de imagenologia, ou seja, ele consegue renderizar qualquer tipo de imagem que venha de uma análise clínica, como uma radiografia ou um ultrassom, por exemplo. As compilações de imagens do robô são em três dimensões, o que significa que é possível até imprimir em uma impressora 3D as imagens processadas por ele.

Além de toda a tecnologia interna, que conta com sistemas de fisioterapia completos, o revestimento do R1T1 é antibactericida, o que ajuda no controle de infecções hospitalares. O design é adaptado para pacientes com esclerose, síndrome de rett ou que estejam em processo de adaptação. “Estes pacientes podem controlar o robô através de voz e gestos, e pacientes em situações mais críticas podem controlá-lo apenas com o movimento dos olhos”, explica o criador.

O controle do robô pode ser feito de duas formas: “pela internet, através de qualquer dispositivo conectado à web e localmente, quando nós geralmente utilizamos um controle de Xbox, que é a forma mais divertida de se controlar alguma coisa”, diz. A duração da bateria do R1T1 é de 24 horas. “Uma bateria com essa duração para um robô que pesa 50 quilos é muita coisa. É a maior autonomia mundial. Os celulares modernos não aguentam três horas de bateria se você deixar eles rodando vídeo sem parar como o robô faz”, explica Antonio.

Presente e futuro

Ganhador de inúmeros prêmios, o R1T1 já viajou o mundo, ao lado de seus criador, representando o Brasil. Para o futuro, Antonio acredita que a presença de robôs não se limitará a áreas específicas como a hospitalar, por exemplo. Para ele, essa tecnologia estará presentes em todos os âmbitos do nosso dia-a-dia muito em breve. “Acho que não vai ter um lugar em que a gente não veja pelo menos um tipo de robô exercendo alguma atividade”, diz, acrescentando que esta realidade já está começando a acontecer, mas não na forma de robôs humanoides. “Hoje o R1T1 controla a minha casa inteira. Ela é toda automatizada e eu posso dizer ao robô o que eu quero que ele faça”, destaca.

E não são só os robôs que terão essa participação no cotidiano dos humanos. Hoje já existem tecnologias vestíveis e implantes cibernéticos que aumentam as capacidades humanas. A Project Company está começando a desenvolver, inclusive, implantação de chips NFC (Near Field Communication), que é uma tecnologia que permite troca de informações entre dispositivos, geralmente utilizadas em smartphones. “Este projeto já está basicamente pronto e será lançado super em breve”, diz Antonio. Para ele, é importante que se trabalhe com este tipo de tecnologia porque ela é uma tendência inevitável. “Não é uma competição entre robôs e humanos, estas tecnologias são um auxilio para nós”.

Quer conhecer de perto o R1T1?

Antonio Dianin palestrará pela primeira vez no Festival Path deste ano, um dos principais eventos brasileiros sobre criatividade e inovação, realizado anualmente pelo O Panda Criativo, que acontecerá nos dias 14 e 15 de maio. A palestra acontecerá no primeiro dia do evento, às 15h15, na sala 4 do Instituto Tomie Ohtake. Durante o evento, o público poderá conhecer melhor a Project Company e o R1T1 de perto, interagindo com o robô. O Startupi estará por lá acompanhando de perto todas as novidades, nos vemos lá?