*Por Adam Patterson

O planejamento financeiro é o processo de determinar como uma empresa terá os recursos necessários para atingir seus objetivos estratégicos através da compreensão e projeção de receitas, custos e investimentos. Ele ajuda você a ver a “big picture” e definir roteiros de longo e curto prazo, dando-lhe mais poder na tomada de decisões. Este é um passo essencial para mapear o futuro e contar a história de sua startup em 3, 5 e até 10 anos para frente.

A questão-chave é “what does good look like” quando se trata de projeções financeiras? Especificamente, o que você precisa considerar para garantir que elas sejam robustas e levadas a sério pelos stakeholders internos (sua equipe) e externos (parceiros e investidores). Com base em nossa experiência conversando com empreendedores e startuppers sobre valuation e planos de negócios apontaremos aqui algumas das principais maneiras que você pode melhorar suas projeções e surpreender os investidores com os seus insights financeiros.

  1. Usar assumptions factíveis e conservadoras em seu plano de negócio

Isso é fundamental. Por exemplo, é realista projetar o crescimento da sua receita em 1.000% ao ano para os próximos cinco anos? Faz sentido esperar uma margem líquida de 80%? Pode até ser que seja, mas baseado em que? O ponto é que sempre deve-se verificar os seus pressupostos, tanto financeiros como estratégicos, em relação a referências da mesma indústria ou empresas parecidas (fazer um benchmarking). Vincular suas suposições a fatos e ao mesmo tempo fazer com que reflitam a realidade. Em resumo, garantir que seus assumptions “keep their feet on the ground” e acima de tudo façam sentido. Ou seja, apenas faça projeções que você pode defender facilmente.

  1. Crescimento não é grátis

Crescimento cria um trade off entre custos e benefícios. Assim, você está pagando um preço para o crescimento. É sempre útil saber o valor agregado deste crescimento. Por exemplo, o quanto vai custar para adquirir 1.000 clientes e depois de descontar este investimento, qual é o retorno projetado? Retornos esperados devem ter base em seus retornos sobre o capital (lucro sobre capital próprio ou ativos). Estes indicadores vão te ajudar a entender se o valor está sendo criado ou destruído, ou seja, se o crescimento se paga.

    3. Entender os “drivers” da sua empresa

No final do dia, uma empresa tem como objetivo gerar valor aos donos. Assim, é importante entender como monetizar seu negócio. O primeiro passo é fazer um deep-drive nos “economics”. Entender quais são os principais drivers de valor, o que traz o retorno e diferenciais competitivos. Por exemplo, qual é seu “bottom line”, ou resultado final? Qual retorno de investimento? Os sócios ou um investidor potencial podem esperar um payback em quantos anos? Qual é a margem de contribuição por produto ou custo de aquisição por cliente? Respondendo as estas perguntas – para você mesmo ou para investidores – sempre é um exercício válido e vai te ajudar entender onde você está e para onde você vai no futuro e convencer outros do seu potencial.

  4. Sempre trabalhe com cenários dinâmicos

O mercado é incerto e dinâmico, e como em todas as questões complexas, não existe uma resposta simples ou única. O mesmo raciocínio se aplica para suas projeções e planos de negócio. Exemplo: o que acontece se você atingir somente metade da meta ou dobrar os custos previstos? Qual seria o impacto na sua performance e, principalmente, no valor do seu negócio? Ou seja, podemos esperar o melhor, mas não podemos deixar de se planejar para o pior. Isso também é valido para fatores externos, por exemplo: variações na taxa de câmbio ou PIB podem ter um impacto direto na sua empresa. Não existe uma bola de cristal que irá te dizer exatamente o que vai acontecer, por isso é importante considerar o maior número de cenários possíveis. Além disso, estas previsões não devem ser estáticas, então você deve acompanhar constantemente, reavaliar e fazer alterações quando necessário.


Adam linkedinAdam Patterson é economista britânico, graduado em Ciências Políticas e Estudos Parlamentares pela Universidade de Leeds e pós-graduado em Economia e investimentos pelas universidades de Londres e  o Instituto Real de Investimentos do Reino Unido. Trabalhou na equipe de valuation do HSBC e no parlamento britânico.  Adam é sócio-fundador da ALFA Valuation, empresa especializada no valuation e planejamento financeiro de startups. A ALFA foi idealizadora e criadora da ferramenta i-Valuation, o pioneiro portal online para o valuation de startups & PMEs no Brasil.