O Startupi acompanhou ontem o AngelHack, uma das maiores maratonas de hackathons do mundo. O concurso reuniu 221 estudantes e profissionais das áreas de programação de software, design e comunicação no prédio da IBM em São Paulo. O Hackathon deste ano é uma iniciativa do AngelHack internacional em parceria com o IBM THINKLab.

Foram cerca 30 horas em que os participantes tiveram uma imersão intensa e com ajuda de 80 mentores, criaram 48 projetos, sendo que a maior parte deles utilizou a plataforma de desenvolvimento na nuvem IBM Bluemix.

Desde 2011, o AngelHack investe na criação e manutenção de maratonas de desenvolvimento e campeonatos para estimular a prática da programação em todo o mundo. Já são mais de 300 hackathons realizados em 53 países. “Programar é democrático, não distingue quem você é ou de onde você vem. Você pode fazer isso de casa, de pijamas, seja menino ou  menina, branco ou negro”, afirma Sabeen Ali, CEO do AngelHack.

O desafio de programar excepcionais linhas de código ou aplicativos levará os ganhadores a um programa de pré-aceleração no Vale do Silício. As categorias a serem julgadas são: aplicativos de negócios e aplicativos de impacto social. A banca avaliadora, composta por especialistas do mercado, considerou o uso de ferramentas de computação cognitiva como um diferencial.

“O Hackathon é uma grande oportunidade de catalisar a criação de ideias de impacto e colocar a prova o empenho e a agilidade das equipes que, em menos de 30 horas, precisam ter ‘rodando’, uma solução funcional”, diz Fernando Tomé, um dos embaixadores do AngelHack no Brasil.

O grande vencedor da noite foi o Mimimi, um app bem humorado que funciona como uma espécie de assistente pessoal para reclamações. O usuário posta a sua reclamação e o Mimimi responde à queixa de maneira divertida. Por exemplo, o usuário diz “Estou entediado” e o app responde “esse problema é só seu”. O app utilizou a API Natural Language Classifier do Watson e, de acordo com o time vencedor, o que deixou o aplicativo mais inteligente foi o intensivo treinamento durante as horas do hackathon.

Equipe vencedora Foto: Kelly Bassi

Equipe vencedora junto com Sergio Borger, Diretor do IBM THINKLAB – Foto: Kelly Bassi

Segundo os vencedores, a motivação para as pessoas usarem o app é que a sua reclamação não ficaria pública, como acontece hoje nas redes sociais e muitas vezes as pessoas são taxadas de “reclamonas”. O usuário também se sentiria muito mais aliviado e passaria a tratar o seu problema de forma mais divertida. A monetização do app viria do banco de dados de reclamações não públicas para as marcas/empresas e também existiria a possibilidade das empresas explorarem oportunidades no momento das queixas, tanto um evento ou estabelecimento que poderá rapidamente resolver a questão ou uma empresa poderá oferecer produtos em uma hora conveniente.

Um ponto interessante da história do Mimimi é que o grupo vencedor foi formado na fila de entrada do hackaton. Parte do grupo foi para o evento com três ideias e durante a competição, com a ajuda dos mentores, decidiram ir em frente com o projeto de maior potencial, sempre olhando para a oportunidade de negócio e a solução de um problema.

Sergio Borger, Diretor do IBM THINKLab, destaca que aprendeu muito com todos os participantes durante os dois dias de imersão e que não é fácil colocar uma solução para funcionar em apenas 30 horas. “As conversas e os olhares mostram uma energia distinta, se eu pudesse, traria todos eles para trabalhar comigo”, diz.

O vencedor na categoria Bluemix (que é a plataforma de nuvem da IBM) seguiu uma linha parecida. O Divanum é um site de apoio emocional e de prevenção de suicídio. A proposta é que as pessoas entrem no site para discutir o que estão sentindo com profissionais voluntários. A conversa pelo chat começa com uma triagem realizada pelo Watson, que depois de entender o problema, direcionaria o usuário para ser atendido por um profissional mais indicado. Por exemplo, se o usuário fala em suicídio, o Watson detectaria o problema e essa questão seria tratada por um psiquiatra.

Marcia Golfieri, líder de relações com o ecossistema de inovação e startups do IBM THINKLab, destaca a importância dessa iniciativa para o mercado. “Ideias extremamente inovadoras, como por exemplo a 99Taxis, surgiram em maratonas de desenvolvimento como esta. Mais do que ganhar, o hackaton serve para criar uma comunidade e colocar as pessoas em contato”, afirma Marcia.

Confira no vídeo abaixo um pouco do que rolou durante o evento.

O AngelRack conecta mais de 65 mil desenvolvedores, designers e empreendedores, espalhados em mais de 65 países, e São Paulo foi uma das 36 cidades do mundo a receber o evento. Se interessou e quer participar? Fique ligado que a próxima edição do AngelRack acontecerá no Rio de Janeiro em junho.