No Brasil, estamos falando cada vez mais de Big Data e Data Analytics, mas esse mercado para nós, apesar de ter grande potencial, ainda é embrionário. O processo de captação, armazenamento e análise de dados, transformando-os em informação, é cada vez mais necessário dentro de uma empresa, podendo otimizar processos e focar ações de marketing e vendas.

De acordo com Wellington Souza, gerente de marketing da All In, falar sobre o assunto pode parecer um bicho de sete cabeças para quem não conhece o termo, mas Big Data nada mais é que a capacidade de armazenar e analisar novas fontes de dados caracterizadas por volume, velocidade e variedade. “Ele revela padrões de comportamento de um determinado público ou mercado de forma mais rápida e precisa, baseando-se em informações extraídas de eventos ocorridos, preferências e necessidades”, diz. A crescente demanda por iniciativas que utilizam essa nova tecnologia levam a um aumento nas vendas, maior eficiência operacional, melhoram o serviço ao cliente e minimizam os riscos em grandes campanhas.

Mercado brasileiro e mundial

Segundo Rodrigo Arrigoni, especialista em data science e web security, a cultura analítica ainda não está consolidada no mercado brasileiro. “As empresas nacionais ainda estão se ajustando às demandas mercadológicas – que explodiram em diversidade com a proliferação do digital – e construindo repertório de aprendizado para crescer com e pelos dados a serem transformados em inteligência”, diz.

Segundo o WebShoppers 2015, o  e-commerce brasileiro cresceu 15% entre 2014 e 2015, período em que foram mais de 106 milhões de pedidos processados com mais de 39 milhões de e-consumidores ativos. “Alguns bancos brasileiros possuem mais de 10 milhões de usuários ativos no internet banking, um dos principais portais de notícia do país possui 50 milhões de usuários únicos por mês, ou seja, já possuímos números digitais expressivos, isso sem mencionar nossos números nas redes sociais, mesmo com um índice digital baixo”, explica Rodrigo.

O mercado de TI do Brasil cresceu cerca de 7% e o de Big Data por volta dos 30%, enquanto, segundo a Gartner, o mercado norte-americano de TI teve um encolhimento de bilhões de dólares e o mercado de Big Data, segundo a WikiBon, cresceu próximo dos 25%. “Vislumbrar perspectivas de crescimento no Brasil hoje é, especialmente, complexo, e certamente um approach de Big Data ajudaria muito, porém com apenas alguns fatores no horizonte, pode-se dizer que temos um futuro mais positivo que negativo, porém com a atual ausência de investimentos em premissas básicas como preparação de mão de obra dificilmente teremos resultados além de satisfatórios”, completa.

Desafios e oportunidades

O especialista em Tecnologia da Informação, Anderson Figueiredo, destaca que o principal desafio se concentra na carência de ofertas de soluções relacionadas à Big Data / Analytics que demonstrem de forma clara e tangível, como podem auxiliar os negócios das empresas consumidoras de TI. “Apesar de um bom leque de ofertas disponibilizadas no mercado brasileiro, são poucos os provedores que sabem alinhar essas ofertas às estratégias de negócios de seus clientes, atuais ou futuros”, explica.

Segundo ele, a grande oportunidade está na parte “Analytics” desse universo. Fazer a gestão de grandes volumes de dados nos aspectos de armazenamento e acesso não é problema há muito tempo; o que realmente interessa é a capacidade de tratar esses dados transformando-os em informações, na velocidade, na veracidade e na qualidade que as organizações precisam.

A Internet das Coisas (IoT) é também uma excelente oportunidade para alavancar negócios envolvendo Big Data / Analytics, uma vez que no cenário de IoT, bilhões de sensores têm potencial para produzir dados totalmente estruturados e, com isso, a execução de rotinas de Analytics e de algoritmos serão mais eficientes e eficazes.

Capacitação

Para que o Big Data seja aplicado com eficácia em uma startup, grande empresa ou cidade, é necessário que existam profissionais capacitados para realizar os processos de análise de dados. A busca por profissionais no Brasil especializados nesta área tem crescido significantemente no último ano. Por outros países, em especial nos Estados Unidos, esta busca já se tornou mais comum e profissionais de áreas ligadas à estatística e lógica, como matemáticos e desenvolvedores de algoritmos já ocupam cargos relacionados a dados, como é o caso da nova, mas importante posição de CDO (Chief Data Officer).

A revista Forbes publicou uma matéria que listava as principais palavras nos empregos de Big Data, são elas: Data; Scientist; Data Engineer; Big Data Engineer; Machine Learning Scientist; Business Analytics Specialist; Data Visualization Developer; Business Intelligence (BI) Engineer; BI Solutions Architect; BI Specialist; Analytics Manager; Machine Learning Engineer e Statistician.

Cada um desses termos, de acordo com Rodrigo Arrigoni, demanda um conhecimento diferente. “Vale destacar aqui, a necessidade de pensarmos além dos cargos técnicos, por exemplo, a procura por desenvolvedores de software cresceu quase 100% entre 2014 e 2015 e de representantes de vendas para produtos de Big Data mais de 500% segundo a mesma pesquisa”, diz o especialista.

Quanto mais perto da especialização em conhecimento, da elaboração e implementação de algoritmos, mais perto o profissional estará de se tornar requisitado para projetos de Big Data/Analytics e estará sempre um passo a frente na corrida por atuar nesse mercado ainda incipiente no Brasil, mas que se mostra promissor tanto no Brasil quanto no mundo.

Depois de decidir a área de atuação, a dica é estudar e não parar de estudar. “A grande oportunidade do Big Data, principalmente nos setores técnicos como engenheiro de dados e visualização de dados, é que se pode estudar praticando e construir um portfolio”, completa Rodrigo.

Quanto às fontes de capacitação, Thoran Rodrigues, CEO da BigData Corp., diz que as principais hoje no Brasil são os cursos online. O especialista cita o Cloudera e o EDX como os dois principais recursos do mercado atualmente. Outra excelente fonte de instrução, segundo Thoran são os Meetups de Big Data que ocorrem regularmente em várias cidades do Brasil, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo. “Neles, discutimos casos reais e trocamos experiências com pessoas dos mais diferentes níveis de conhecimento, e interessados na área são sempre bem vindos, independente do quanto já sabem”, diz.

Fomento

Provando que o assunto é essencial quando se trata do futuro das empresas e das carreiras por todo o mundo, o presidente norte-americano Barack Obama criou há quase um ano, nos Estados Unidos, a secretaria de serviços digitais. A pasta, que tem status de ministério, é a responsável pela imensa quantidade de dados que o governo produz diariamente. Quem chefia o ministério de Barack Obama é DJ Patil, ex-eBay e LinkedIn.

Aqui no Brasil, para o fomento de uma cultura onde cada vez mais os conceitos de Big Data mudem a cultura das empresas, já existem uma série de iniciativas, tanto do governo como de fundações, como o DataViva, que é uma iniciativa que oferece ferramentas de visualização, cruzamento e estudo de informações do Ministério do Trabalho junto com dados de exportação de bens e serviços e o Data Rio, que disponibiliza dados públicos para que qualquer pessoa possa construir suas aplicações em cima deles (programas similares são operados por outras prefeituras). “No entanto, a maioria das iniciativas é focada apenas na disponibilização ou integração dos dados existentes fora do domínio público, com pouco enfoque em estudos e análises”, ressalta Thoran Rodrigues.

Crescimento

Não há nada mais importante para as empresas hoje em dia que as informações que possa extrair dos dados que colete a todo instante. E o que isso tem a ver com o marketing das empresas e o potencial de crescimento delas? Tudo! De acordo com Wellington Souza, a maior vantagem do marketing online é a grande capacidade de gerar dados, estruturados ou não, e disponibilizar informações cada dia mais personalizadas sobre cada cliente.

Quando as estratégias de marketing da empresa tem acesso a algoritmos com capacidade de recomendar, analisar, cruzar e acelerar iniciativas, o retorno de investimento das campanhas aumenta, o custo reduz e, o tempo de concretizar uma venda ou fixar a marca na mente das pessoas cai pela metade. “O Big Data no Marketing auxilia as empresas a entenderem ainda mais a cabeça do consumidor e sua relação com seus produtos. Enviar o conteúdo certo, para o cliente certo, no momento certo, é possível, simples e está mais próximo da sua realidade do que você imagina”, explica Wellington.

Visto todo este cenário de possibilidades, as perspectivas de crescimento das empresas que adotam o Big Data/Analytcs são grandes. “Não só o conceito vem se espalhando e se tornando mais relevante no mercado, mas também conforme os primeiros resultados positivos começam a aparecer, observamos mais e mais empresas interessadas em trazer o Big Data para o seu dia-a-dia, o que oferece excelentes condições de crescimento. Nos últimos dois anos, temos crescido a uma taxa próxima de 100% ao ano”, diz Thoran Rodrigues.

Para começar a aplicar na prática, basta apenas que a empresa tenha um problema a ser resolvido por uma grande quantidade de dados coletados e confiáveis, encontrando assim uma informação qualificada, seja para traçar o perfil de usuários de um serviço ou para identificar possíveis clientes para um produto, por exemplo. Esse conceito pode ser utilizado, sendo assim, para ajudar na validação de um MVP, como explica Thoran: “O Big Data vale para empresas de todo tamanho, independente de terem ou não muitos usuários. Na verdade, se não tiverem muitos usuários é até melhor, porque é mais fácil se organizarem e se prepararem enquanto ainda são pequenas do que tentar fazer isso quando o volume de dados já é muito grande”.

Toda esta coleta de dados, que posteriormente serão transformados em informação, permite, portanto, que as empresas, sejam elas grandes corporações ou startups, conheçam melhor seus concorrentes, seu mercado e o perfil de seus atuais e futuros clientes. Todas essas informações podem ser utilizadas na estratégia e na prática para otimizar e melhorar processos e descobrir novas oportunidades!