*Por Dimas Dion – Correspondente Startupi em Austin

Austin, Texas — Uma boa surpresa do SXSW foi a mesa sobre o tema do Leste Asiático composta em sua maioria por empreendedoras femininas, numa comparação direta com o Brasil, país mais aberto culturalmente do que a região asiática, em que um terço são mulheres.

Eis que no debate “Startup Hubs Outside the Valley: Southeast Asia” surgiram diversas preocupações e oportunidades que são análogas ao cenário brasileiro.

Com os países da China, Vietnã, Índia e Paquistão fazendo parte das discussões da mesa, o alcance das startups serviu de introdução para Yeoh, da Malaysian Global Innovation & Creativity Centre, falar do ecossistema regional no mercado do leste asiático.  Como paralelo, ela falou de conexões que podem ser feitas não somente na região, mas também com Países como o Chile pela proximidade do pacífico.

Yeoh também ressaltou para o fato de que investidores interessados em determinadas regiões conseguirão investir a custo baixo em modelos de negócios com alto valor agregado.

“Na Malásia existe um departamento do governo preparado para dar suporte e instruir os empreendedores a diminuir esse abismo entre os empreendedores e os investidores por meio de programas de aceleração”, afirma.

Neste aspecto, a afirmação de Yeoh também encontra uma situação análoga entre o Brasil e o sudeste asiático quanto à criação de políticas que preparem melhor os empreendedores, além do corriqueiro interesse em atrair o mesmo mercado bilateral (os Estados Unidos).

Já Ling, estrategista em crescimento de negócios, gerenciamento de ciclo de vida e diversificação de serviços, mostrou-se otimista sobre o cenário atual na Singapura, uma cidade efervescente no setor com muitas startups se estruturando.  Segundo ela, a barreira atual é o idioma, que não atrai capitais de outros mercados para lá.

A terceira debatedora, Paine, ressaltou sobre a importância de conexão entre as necessidades que se vislumbram para o mundo, além das soluções que as startups do leste asiático têm desenvolvido.

Uma visão, aliás, parecida com a realidade brasileira, onde investidores internacionais demonstram interesses em conhecer soluções aplicadas por aqui, no entanto, ainda esbarram na língua portuguesa, juntamente com o persistente despreparo dos empreendedores.

E quanto ao futuro? Para Ling, o Sudeste Asiático passará por vários desafios, um deles é recorrer às iniciativas que se utilizem de fundos sociais. “Singapura já possui esse mecanismo de ajuda a empreendedores de startups, mas outros países vizinhos não têm. De nossa parte, existe um esforço setorial trabalhando para garantia deste benefício, mas tendo consciência da realidade de mercado de cada um desses Países”, concluí.

Yeoh focou no futuro do ecossistema das startups na região, onde sua experiência mostra a necessidade de atrair mais IPOs para o cenário e cooperação entre as startups. Assim, abrirá caminho para que negócios mais estruturados possam surgir. E novamente a referência está entre nós, como uma estrada semelhante de sinergia e necessidades que a realidade brasileira precisa trilhar.