*Por Dimas Dion – Correspondente Startupi em Austin

Austin, Texas — A recente abertura de mercado dos Estados Unidos a Cuba gerou inúmeras possibilidades de negócios entre os dois países, cujo embargo imposto pelos norte-americanos colocou a ilha de Fidel em uma interdição de caráter econômico, financeiro e comercial desde os anos 60, tornando-se lei no começo dos anos 90.

Com a ilha mais próspera ao investimento do capitalismo e sem as antigas amarras idealistas do Comunismo, uma aproximação vem sendo construída desde o início de 2014. Primeiramente com os americanos reabrindo a sua embaixada em Havana e a adoção de maiores facilidades para viagens de negócios e transações econômicas, comerciais e financeiras entre cidadãos e empresas dos dois lados.

A cartada final foi dada após 18 meses num depoimento que espantou o mundo no dia histórico de 17 de dezembro de 2015, quando Obama estende as mãos para a geração de abertura de novos empreendimentos americanos na ilha caribenha.

Os ânimos, enfim, amistosos e a volta do diálogo entre dois países separados apenas por alguns quilômetros de mar, suscitou o interesse do SXSW de levar adiante o debate sobre o processo que envolve a cooperação nos negócios entre os dois países.

Sob o comando de Alana Tummino, diretora de políticas e líder do Cuba Working Group na AS/COA, a abertura da mesa teve um breve histórico desse processo de aproximação diplomática que remete diretamente ao conflito da Guerra Fria e o domínio soviético na ilha até o ponto em que os dois países reatam os laços.

O consultor de investimentos para empresas americanas, Aho, afirmou que este é o momento de uma juventude cheia de vida, ansiosa para ter acesso a consumo de produtos e serviços de toda parte do mundo.

“Estamos num período de adaptação, onde os dois lados precisam trabalhar duro e ter muito cuidado para o que virá a seguir”, ressalta o consultor sobre a abertura de novos negócios entre os dois países. E isso não nos remete somente ao autêntico sabor cubano de seus famosos runs e charutos pelos americanos, mas sim, olhar para a ilha com a sua população carente em décadas pelo desenvolvimento de novas tecnologias e empreendedorismo.

Foto: Dimas Dion

Foto: Dimas Dion

Seguindo o mesmo ponto de vista, o consultor em relações públicas internacionais, Bilbao, afirma que mesmo tardiamente a entrada da globalização em Cuba é uma oportunidade para as empresas locais se transformarem em novos atores no mercado mundial.

Para ele, o ambiente de criação em Cuba é muito bom, mesmo mantendo um relacionamento com países “inéditos” e de conflitos políticos constantes com os Estados Unidos como Irã e Coréia do Norte. “A proximidade com a baía americana, faz de Cuba um país com possibilidades únicas de oferecer uma cultura diferente direto da fonte, como gastronomia, experiências e festivais musicais como você não veria em qualquer outro lugar do mundo, sem contar os atrativos das águas cristalinas do Caribe, agora aberto a possibilidade dos turistas americanos.

Para Tummino, Cuba ainda tem que investir na deficiência tecnológica de seu parque industrial com a aplicação de regulações políticas voltadas ao crescimento. “O momento é de paciência, de dar tempo ao tempo para que seu povo se adapte a uma nova realidade de relacionamento interno e externo com os americanos”.

Harvin, sócio na Sanitas Internacional, empresa que desenvolve comunicação estratégica global, assuntos públicos, mídia digital e consultoria política, discorda de seu colega. “É muito fácil falar que Cuba tem de se desenvolver e isso leva tempo, mas a pergunta é – o que já está sendo feito para se chegar a um nível esperado?”

Aho responde que desde o final do ano passado até hoje, é que nesse pouco tempo houve bastante interesse das empresas americanas de fazer pesquisas em Cuba para desenvolver seus negócios.

A verdade é que a política de Obama já traz alguns resultados práticos, com algumas empresas já entrando no país como a Chipotle, do ramo de medicamentos. E até os Rolling Stones, que em uma jogada de marketing de sua última turnê, desembarcarão em um show gratuito por lá dia 25 de março, com previsão de público de 400 mil espectadores. Quantas virão depois que os setentões roqueiros ingleses abrirem este “mercado” à música de língua não hispânica?

Cuba ainda é uma incógnita e o que será da ilha depois que estes tais investimentos virarem realidade e o quão próspero eles demonstrarão na prática, só o tempo dirá. A verdade é que a ilha não é mais a mesma e muitos Países olham para a sua direção como um oásis virgem de investimentos.

Por outro lado, mesmo que uma nova “revolução” esteja em andamento neste momento, ela sempre terá aquele ar perdido no tempo, com seus excêntricos carros antigos e casas coloridas. O sabor saudosista perdurará.