Durante a quarta edição da Conferência Nacional da Anjos do Brasil, realizada em São Paulo esta semana, Cassio Spina, Fundador da organização, falou ao público sobre como anda o cenário do investimento anjo no País. Para ele, mesmo com a economia andando a passos curtos, o crescimento no número de investimentos realizados no Brasil é algo a se comemorar. “Tivemos um crescimento de 14% nos investimentos em relação ao ano anterior”, destaca.

Cassio acredita que este crescimento dos investimentos demonstra um interesse crescente na atividade de investimento anjo, independente da economia em geral. Uma das provas disto é que alguns dos países mais afetados pela crise de 2008 são os mais interessados em aplicar dinheiro em novos negócios. O investimento anjo na Grécia, por exemplo, cresceu neste período pós crise mais de 800%.

Mas por que este número tende a crescer independente de cenário econômico? “O investimento anjo se destina a empresas inovadoras e independentes, onde este modelo de negócio cria oportunidades e novos mercados. Se a empresa é realmente inovadora e cria vantagem competitiva, tende a crescer. O presente é pouco relevante para o investidor anjo”, afirma Cassio. Para ele, os investimentos que mais sofrem impacto são os tradicionais, como bolsa de valores e imóveis, que dependem da situação atual da economia.

Por outro lado, a base de investidores anjo no País teve um acréscimo de apenas 3%. Para explicar o motivo pelo qual este número não acompanhou o crescimento de investimentos realizados, Cassio diz que há uma pesquisa feita internacionalmente que mapeia o número de pessoas com potencial para se tornar um investidor anjo – os high net worth individuals – , pessoas que tem um patrimônio acima de um milhão de dólares. A quantidade de novos investidores anjo no País aumenta de acordo com o crescimento de pessoas que tenham capacidade para realizar este tipo de investimento.

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Foto: Fernanda Santos

Se compararmos com o crescimento nos investimentos internacionais, o Brasil ainda está engatinhando. No último ano, só os EUA investiram mais de 24 bilhões de dólares, a Europa investe anualmente cerca de 5 bilhões e meio de euros, enquanto aqui, são investidos menos de 800 milhões de reais por ano. “Se pegarmos a média de investimento desses mercados, o Brasil representa em torno de 1,3% do que os países europeus e o Estados Unidos investem. Superar este desafio e colocar o Brasil em um alto patamar é o papel do investidor”, afirma Cassio.

Mesmo ainda sendo pequeno em relação aos outros países, qual o potencial deste mercado no Brasil? Cassio acredita que como o investimento aumentou e o número de investidores não acompanhou esse crescimento, há mais dinheiro disponível do que investimentos sendo efetivados. Segundo ele, este dinheiro ainda está esperando um bom projeto para que seja aplicado. “Isso nós investidores dizemos porque vivenciamos na prática. É um desafio essa nossa busca por projetos bons e preparados, que nos apresentem grandes oportunidades, para que a gente consiga abarcar todos os investidores que tem intenção de investir”. Cassio completa dizendo que o empreendedor que se preparar bem para buscar um investimento, certamente encontrará: “Trabalhem mais e se dediquem mais, porque dinheiro tem”, completa.

Foto: Fernanda Santos

Foto: Fernanda Santos

Para impulsionar o investimento anjo no Brasil, como já acontece fortemente em outros países, estão tramitando no Congresso Nacional alguns Projetos de Lei de incentivo fiscal que visam estimular a atuação do investidor anjo. “Temos que deixar claro que esses incentivos não são para o investidor, mas para o empreendedor. As Leis pretendem existir para nos estimular a investir cada vez mais, beneficiando assim o empreendedorismo”, afirma. Os PLs em questão são PLS 54/2014 e PLC 25/2007. Para saber mais, conheça aqui outras ações do Governo que pretendem impactar o empreendedorismo no Brasil.