Essa semana o Startupi foi até Belo Horizonte acompanhar o Demo Day do 14º programa de Aceleração da Startup Farm (SF14indBH), realizado pela Startup Farm em parceria com a The Plant, um escritório de coworking de BH, que está se consolidando como um espaço de fomento e promoção das startups da região.

Foram mais de 100 inscrições para esta edição do programa, das quais foram selecionados apenas 14 projetos, que durante cinco semanas se reuniram para uma programação intensa focada em criar e validar novos negócios com temas relacionados ao mercado, incluindo, solução de problemas, finanças e go to Market.

Além disso, os participantes do programa receberam mentorias de técnicos, especialistas do mercado, cientistas, investidores e empreendedores experientes. Foram cerca de 70 mentores que disponibilizaram mais de 350 horas para ajudar as equipes a transformarem ideias em negócios promissores, com possibilidade de investimento e crescimento.

Foto: Divulgação

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Alan Leite, CEO da Startup Farm, conta que para a seleção das startups são levados em consideração dois critérios essenciais: Equipe e Ideia. A equipe é bem estruturada? Eles possuem conhecimento naquele mercado que estão se propondo a trabalhar? Possuem perfis individuais fortes? São complementares? Esses são os pontos avaliados em relação ao time. Já a ideia precisa ter fundamento, o mercado precisa ser relevante e, ainda, não existir muitos concorrentes. “A distribuição que levamos em consideração é 60% para equipe e 40% da ideia. Em qualquer estágio, o que vale são as pessoas, são elas que entregam resultados. O que determina a capacidade de execução, é o perfil de cada um dos sócios fundadores”, garante Alan.

Foto: Fernanda Santos

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Tânia Machado, CEO do The Plant, contou para o Startupi que sua base é o artesanato e que estava em busca de uma solução para otimizar um espaço, e foi Alan Leite, CEO da Startup Farm, que a incentivou a abrir o The Plant. Tânia, que está com 65 anos, brinca que ao ouvir a palavra coworking pela primeira vez não sabia se era de comer ou de passar no cabelo, e então resolveu estudar sobre o assunto.

Em 2014 foi então aberto o The Plant, que além do espaço de coworking, promove meetups semanais e workshops. Tânia conta que sua intenção é aproximar o artesão do mundo da tecnologia e das metodologias de desenvolvimento das startups, pois considera que são aplicáveis para esse segmento. “Para nós conviver com esse mundo de Startups é muito bom, saímos do nosso mundo que é o artesanato e conhecemos o mundo do empresário, de criação, inovação e tecnologia, que o artesão precisa”.

Foto: Fernanda Santos

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Essa é a segunda edição do programa em parceria com o Startup Farm e Tânia conta que na primeira, realizada no começo do ano foi bem no começo da crise, quando ela lia os jornais e só se deparava com péssimas noticias, o que gerava um grande desânimo, mas ela conta que quando chegava ao coworking e encontrava todos os empreendedores animados, criando coisas e pensando no futuro com energia positiva, ela se deu conta de que o Brasil poderia mudar.

Alan Leite, conta que além do programa em parceira com o The Plant, existem outras iniciativas que eles trabalham em conjunto, como por exemplo, levar iniciativas para fomentar o ecossistema de BH. “A comunidade de BH é bem aquecida e tem um futuro promissor, para a Startup Farm estar em BH, é muito estratégico”.

Ele destaca que o programa realizado em BH conta com toda a energia da comunidade de San Pedro Valley, eleita como a melhor comunidade de startups pelo Spark Awards, principal premiação do universo das startups. “Eles mostram como comunidade que eles estão ativos e sendo os protagonistas da cidade. Fazer o programa aqui é muito prazeroso estamos contribuindo com um ecossistema que já é bem estruturado e maduro”.

Das 14 startups que passaram pelo processo de aceleração, 8 participaram do Demo Day, são aquelas que ao final do programa conseguiram ter um modelo de negócio estruturado e validado.

Foto: Fernanda Santos

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Veja a lista das startups.

Newatt – Inteligência para gestão de energia elétrica do setor varejista. Por meio de seu dispositivo a Newatt coleta dados de consumo de energia em tempo real, e os transforma em informações que permitem o maior controle para o varejista, gerando insights que permitem a redução dos gastos.

Cstorm – Plataforma online de suporte a gestão da inovação para pequenas e médias empreas. Através de uma ferramenta para engajamento em desafios e co-criação de ideias e de um painel de análise e priorização de soluções, a CStorm traz insights para o gestor melhorando a gestão da implantação de inovação.

Kcollector – Gestão de estoque otimizada. Baseado na coleta de dados dos produtos a partir da leitura dos códigos de barra pela câmera do celular, o KCollector elimina a necessidade do coletor de dados, possibilitando uma gestão otimizada de estoque através de uma plataforma web integrável com qualquer ERP.

Fastdezine – Marketplace para terceirização de design gráfico e mídia digital. A Fastdezine permite que as empresas tercerizem sua comunicação visual com qualidade, pontualidade e preços competitivos por meio de uma plataforma que possibilita a gestão otimizada dos projetos.

Pet Book Life – Aplicativo para a gestão da vida de animais de estimação. O Pet Book Life centraliza em uma única plataforma a armazenagem dos dados dos animais e um catálogo de fornecedores que permite o agendamento de serviços e a realização de compras.

V-Seller – Automação e otimização de vendas em marketplaces. Por meio de um sistema web, o V-seller permite que, em uma única plataforma, varejistas otimizem seus anúncios e gerenciem seus pedidos em marketplaces possibilitando acesso a mais clientes.

BIMMap – Plataforma de integração e negociação entre empresas e profissionais do mercado de BIM. Através de um sistema de mapeamento, conexão e filtragem dos players pela qualidade dos serviços oferecidos o BIMMap permite que profissionais de BIM se conectem e gerem negócios.

Talugo – Marketplace de aluguel de eletrônicos entre pessoas. Por meio de sua plataforma a Talugo permite que pessoas disponibilizem eletrônicos para aluguel gerando renda extra e permitindo o acesso a quem precisa dos itens para uso pontual.

E não pense que essas cinco semanas são fáceis! Os empreendedores trabalham 12, 13 horas, eles realmente imergem em seus negócios. Foi o que nos contou André Echeveria e Michel Lech, da startup Cstorm, de Porto Alegre. Essa foi a primeira vez dos empreendedores em BH, que se sentiram em casa, pois a comunidade os recebeu muito bem, dando várias dicas e conselhos. “É muito legal ver como o ecossistema se alimenta, todas as pessoas querendo te ajudar de uma forma muito espontânea”. Eles consideram o processo de aceleração muito revelador, pois já começa descontruindo toda a bagagem que você traz e suas crenças, fazendo você refazer e repensar no seu modelo de negócio e produto.

Foto: Divulgação

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Wesley Silva, CEO da V-Seller, de Sergipe, conta que no Brasil não existem muitas aceleradoras voltadas para startups em fase inicial, foi assim que conheceu a Startp Farm.

Ele conta que em Aracaju estão começando a criar uma comunidade de startups e para ele foi incrível a experiência das cinco semanas e a chance de conversar com outros empreendedores de San Pedro Valley que já receberam aporte, como o caso da startup Rock Content.  “É energizante conversar com esse pessoal que está na mesma fase que eu e outros que já passaram pelo que estou passando. Esse networking quase que instantâneo serve como uma ignição digital para qualquer startup. Espero poder levar um pouco do que vivi aqui para o meu estado”.

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Paula Morais, da Talugo, que é de Salvador, conta que decidiu se inscrever para o programa depois da indicação de um colega. “Eu não sabia muito bem o que esperar do programa, mas toda a nossa equipe amou a experiência, é realmente uma escola de empreendedorismo, não só para o projeto, mas para todos nós. Foi super intenso e valeu muito a pena todo o aprendizado e a imersão durante as cinco semanas”.

Foto: Divulgação

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Todas startups apresentaram um Pitch de 7 minutos para uma banca de jurados formada por Carlos Andre Montenegro (Startup Farm), Felipe Travesso (FirCapital), Daniel Coquiere (Empreendedor e Investidor) e Guilherme Junqueira (INSEED), responsáveis por escolher as três startups consideradas destaques da edição. Eles garantem que ficaram impressionados com a qualidade das equipes e da maturidade das soluções apresentadas e escolher apenas três, não foi tarefa fácil. E o resultado ficou assim:

Terceiro lugar: Fastdezine
Segundo lugar: Newatt
Primeiro lugar: Kcollector

A equipe da Kcollector, conversou com o Startupi e contou que eles se conhecem virtualmente há dois anos e meio, mas foram se conhecer pessoalmente apenas há 4 dias, já dentro do programa de aceleração da Startup Farm.

Foto: Fernanda Santos

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Renan Marchi, que é de Santos, conta que durante esse tempo que conversavam online, sempre falavam sobre negócios e como tinham essa ideia da Kcollector, decidiram se inscrever para a aceleração. Antônio e Guilherme, ambos de Belo Horizonte, tentaram negociar folgas e férias com as empresas em que trabalhavam para poderem participar do programa, mas infelizmente as empresas não cederam. O que eles fizeram? Pediram demissão!  Ou seja, se jogaram realmente de cabeça no negócio e no processo de aceleração.

Para eles, a mentoria foi parte fundamental durante o processo melhorando ainda mais o software que eles desenvolveram. “Esse foi apenas o começo, o produto ainda está em desenvolvimento, mas já está disponível para download. A partir de hoje começou para valer e a partir daqui, é só o nosso esforço para continuar”, afirma Renan.

Foto: Fernanda Santos

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Finalizando o evento, Alan destaca que 2015 foi um ano muito produtivo para Startup Farm, eles realizaram quatro programas de aceleração, dois deles em BH, um em parceira com a USP e outro com o Futurecom, ou seja, foi um ano de produtividade alta, com programas muito interessantes. “Para 2016, o objetivo é fazer igual ou melhor do que fizemos esse ano. A gente não quer fazer 200 programas, nosso foco não é esse, nosso foco é continuar fazendo um volume em torno de 4,5 programas por ano, focando cada vez mais na qualidade. Desenvolver e amadurecer o programa e se tornar uma referência quando se fala de desenvolvimento de negócio, pessoas e empreendedores. O objetivo agora é literalmente, cada vez mais, transformar o programa no melhor disponível no mercado para os empreendedores”, finaliza Alan.