* Por Cláudio Nascimento

As cidades são espaços heterogêneos, com desafios, necessidades e problemas diferentes. Quando falamos em qualidade de vida, nos referimos às práticas adotadas para seu desenvolvimento econômico e preservação ambiental, contribuindo para a sustentabilidade. O conceito de Human Smart Cities, ou cidades inteligentes, vem sendo disseminado no Brasil, com atividades de sensibilização iniciadas em 2007, em Manaus. Trazendo para a prática, significa uma cidade inteligente e humana, que utiliza a tecnologia para solucionar os problemas ambientais, econômicos e sociais visando à melhoria da qualidade de vida das pessoas.

A necessidade de articulação entre os atores urbanos, municípios, empresas, cidadãos, atuando em conjunto para a construção de um modelo de administração em rede, adaptado estrategicamente à realidade de cada cidade, centrados em infraestruturas tecnológicas e técnicas são alguns dos fatores principais para que uma cidade seja considerada inteligente e humana. O objetivo é desenvolver um caminho para cidades mais democráticas, participativas e sustentáveis, através do investimento em tecnologia.

A Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas atua conectando os agentes públicos, proporcionando um ambiente de colaboração entre os municípios, de forma que eles desenvolvam projetos de cidades inteligentes e humanas de maneira colaborativa. A articulação é a palavra-chave da Rede. Através dela, é possível se conectar com diversas outras entidades e governos nacionais e internacionais, visando desenvolver planos integrados e auxiliar as cidades filiadas na captação de recursos para o desenvolvimento de mais cidades inteligentes e humanas.

cprecife1

A Campus Party Recife fixou-se como um dos mais importantes eventos de geração de conhecimento do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, a CPRecife trouxe as Human Smart Cities como tema, tendo dessa vez o foco nas interfaces humanas das cidades inteligentes. Debater a necessidade de mudanças de paradigmas como transformação da governança das cidades, através da participação dos cidadãos, gera um incentivo para a inovação social. Sendo assim, mesmo num ambiente de tecnologia, o evento tem como foco as pessoas.

Para esta edição, foi realizado o 1º Fórum da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas, ressaltando a importância do envolvimento das pessoas, adoção de laboratórios vivos – living labs, investimentos em plataformas abertas, garantindo a participação dos cidadãos na construção de sol

cprecife2Quando trazemos essa realidade para os municípios brasileiros, encontramos algumas dificuldades. O Brasil é um país com extensão continental, o que nos obriga a realizar uma análise cuidadosa, município a município. Um dos obstáculos que enfrentamos junto à governança, é perceber as prioridades de investimentos em tecnologia. É imprescindível a adoção de um governo com política ativa de participação pública, que envolva os utilizadores na tomada de decisões. No Brasil, onze  cidades foram selecionadas para o programa. Olinda, em Pernambuco foi a primeira cidade do estado a aderir à Rede, realizando um trabalho de articulação e integração diferenciado. As demais cidades são: Vitória-ES, Recife-PE, Porto Alegre-RS, Belo Horizonte-MG, Rio das Ostras-RJ, Anápolis-GO, Taquaritinga-SP, Colinas do Tocantins-TO, Belém-MA, Cachoeiro do Itapemirim-ES e Natal-RN.

Trabalhar as cidades inteligentes, dando bastante foco no aspecto humano, é proporcionar às pessoas não somente uma maior qualidade de vida e bem estar social, mas fundamentalmente proporcionar alternativas de desenvolvimento do empreendedorismo e de geração de renda. Trabalhar a cidade como inteligente e humana é fazer empreendedorismo para inovação e o social, diretamente com o principal interessado: o cidadão!


claudio-nascimento

Cláudio Nascimento é diretor de Tecnologia do Município de Olinda, vice-presidente de Empreendedorismo e Inovação do Fórum Nacional de CT&I e da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas da FNP (Frente Nacional de Prefeitos). Conselheiro do Porto Digital em Recife e Representante da ONG Update Cities no Brasil e America do Sul.