EXCLUSIVO: Esse ano a HSM Expomanagement, maior evento de gestão da América Latina, teve um espaço dedicado apenas para empreendedorismo e inovação, o Innovation Garage e quem ficou responsável pela curadoria de conteúdo durante os três dias de evento foi a Aceleratech – uma das mais importantes Aceleradoras do País.

Foto: Fernanda Santos

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Hoje o STARTUPI visitou o espaço e participou de um bate papo exclusivo com Eric Ries, empreendedor, investidor e autor de Lean Startup, best-seller do New York Times. Essa foi a primeira visita de Eric ao Brasil, que compartilhou suas experiências e opiniões sobre o movimento das startups.

Ele criou sua primeira startup ainda na faculdade e a segunda em 2001, ambas acabaram não dando certo. Em 2004 ele fundou a IMVU, uma rede social onde as pessoas interagem por meio de avatares. Em 2008 começou a estudar e analisar os métodos de gerenciamento mais adequados para essas startups e em 2011 lançou o livro Lean Startup, lançado no Brasil com o nome de Startup Enxuta. Após esse lançamento, Eric passou a ser reconhecido como o pioneiro do movimento Lean Startup no mundo.

Foto: Fernanda Santos

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O movimento trata de uma nova abordagem de negócios que vem sendo adotada em todo o mundo e está mudando a forma como as empresas são construídas e novos produtos são lançados. Inspirada por lições de produção enxuta, Lean Startup, baseia-se no princípio de “aprendizagem validada”, na experimentação científica acelerada e em diversas práticas contraintuitivas que encurtam o ciclo de desenvolvimento de produtos, medem o progresso efetivo e esclarecem o que os clientes realmente querem.

Ele compara escrever um livro com criar uma startup, pois você assina um contrato com a editora, se fecha em um quarto durante quase um ano e só depois lança seu produto para o mundo. Ele conta que ficou muito satisfeito com a repercussão do seu livro Lean Startup e pelo fato dele ter sido traduzido em diversas línguas. Eric conta que já está trabalhando em um novo projeto de livro com o nome “Startup Way”.

Ele diz que costuma fazer um crowdfunding para a produção do livro, para que os leitores não sejam apenas leitores, mas sim, co-autores e que interajam com suas ideias e que enviem feedback do seu trabalho.

Sobre seu lado investidor e mentor, ele afirma que não é um investidor profissional, pois não possui um fundo de investimento, mas o que ele mais leva em consideração em uma startup é como seus fundadores e o time trabalham para solucionar um problema. Ele conta que nunca viu uma startup que manteve seu plano de negócio igual desde o começo, por isso, é preciso saber lidar com os problemas que vão surgir e estar aberto a mudanças.

Embora estamos desenvolvendo um ecossistema de startups aqui no Brasil, os empreendedores ainda brilham os olhos para o Vale do Silício, que é o grande sonho de todo empreendedor, que acredita que lá as coisas sejam mais simples. Sobre essa visão, Eric brinca dizendo que existem comunidades que enxergam o Vale do Silício como um zoológico e conta que muitas comunidades de startups quando vão para o Vale, desejam marcar reuniões com ele, ele sempre vai, mas percebeu que ele era o “Chimpanzé” do Zoológico.

Ele também acredita que as pessoas enxergam o Vale do Silício como um reality show, eles têm muita mídia, exportam diversas campanhas publicitárias, sabem de todos os truques, mas segundo Eric, quando você chega lá, você percebe que a realidade não é bem aquela que se imaginava.

“Claro que o Vale do Sílicio é um lugar especial, eu moro lá por algum motivo” diz Eric, que se mudou pra lá por ser um lugar onde a inovação e o empreendedorismo se encontram. Mas ele garante que o que faz a mágica acontecer naquele lugar, não está na água, no ar e não dá para ver, se trata de uma mentalidade de como empresas e negócios devem ser conduzidos e segundo ele, é possível implementar essa mentalidade em qualquer lugar. Ele conta que já conversou com diversas pessoas que nunca foram para o Vale do Silício, nem conheceram o Steve Jobs, mas possuem uma mentalidade sobre os riscos e sucesso muito parecida com a de um nativo do Vale.

Foto: Fernanda Santos

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Parceria das grandes empresas com startups

Sobre esse tema Eric conta uma história engraçada que diz não entender. As grandes empresas compram startups a todo momento e quando decidem fazer a compra, o que mais admiram é a cultura de inovação presente na startup e nos empreendedores. É isso que eles querem e buscam para a grande empresa, então decidem fazer a compra afirmando que depois disso, a cultura de inovação vai se espalhar e contagiar a empresa. Eric afirma que o que geralmente acontece é totalmente ao contrário, a startup acaba adquirindo a cultura da empresa e perdendo sua capacidade de inovar. “Eu não consigo entender isso, eu achei que fosse brincadeira, mas é realmente o que acontece”.

Por causa das startups ele afirma em seu livro que o Lean Startup é apenas o começo do desenvolvimento da gestão. E afirma que esse movimento não é voltado apenas para startups de um determinado lugar ou país, mas para empresas de qualquer lugar do mundo. “São práticas universais que você pode usar quando sua empresa precisar”.

Ele também conta que se surpreendeu com a quantidade de grandes empresas que o procuraram para saber como implantar a inovação nas grandes corporações. Ele dava sempre a mesma resposta: “Se você não está recebendo os resultados esperados de seus funcionários e a inovação que você deseja, o primeiro passo é se olhar no espelho, assim você vai enxergar o problema”, garante Eric.  Se você quer mudar um comportamento, você precisa primeiro mudar o seu e só depois pensar nos seus sistemas, ferramentas e nas prestação de contas que você usa nos seus negócios. “Na maioria das grandes empresas que me convidam para uma reunião e eu falo isso, acaba sendo a nossa última reunião”. Segundo ele, as grandes empresas não querem ouvir esse tipo de “lição”, elas querem o mais simples, como por exemplo, a indicação para comprar uma startup.

Outro problema é que as grandes empresas possuem diversos gerentes que trabalham buscando soluções inovadoras, enquanto isso devia ser trabalho para o dono da companhia. Ele cita o exemplo de que se os funcionários chegarem para o chefe dizendo que tiveram uma grande ideia: colocar os produtos da loja para vender de graça na internet, sem razão nenhuma. A maioria dos gerentes vão dizer obrigado, mas não vão executar devido as estratégias corporativas e ainda vão pedir para que o funcionário pare de ter ideias malucas.

Segundo Eric, 99% das vezes isso é o certo a se fazer, por que é uma ideia maluca e parece estúpida. “Vender produtos de graça na internet realmente não é um bom plano, mas se você não ouve as pessoas loucas você acaba perdendo oportunidades de negócios”. Ele cita o exemplo da Kodak com a transição da fotografia digital e da indústria de música, que também sofreu uma grande mudança. Naquela época podia parecer loucura oferecer música e fotos de graça na internet, não é mesmo?

Eric contou que é super desorganizado e que não tem costume de ouvir podcasts, mas gosta muito de ler e indicou dois livros que segundo ele, são essenciais para quem deseja empreender: “The hard thing about hard things” de Ben Horowitz e “The principles of product developed the flow”, de Donald G. Reinerts, esse segundo ele contou que não são muitas pessoas que conhecem e que é uma leitura difícil, mas que vale a pena. Segundo ele, estamos em uma era privilegiada, com acesso a diversos materiais com ótimos conteúdos disponíveis. Temos que aproveitar!

Quer saber mais sobre o que está acontecendo no Brasil e no ecossistema de startups? Fique ligado aqui no STARTUPI!