Temos objetivos, metas e aspirações, mas não são eles que motivam o nosso comportamento do dia a dia. A análise é de Dan Ariely, economista comportamental mundialmente aclamado e autor dos best sellers do New York Times Previsivelmente Irracional, Positivamente Irracional. Ariely foi o primeiro palestrante do terceiro e último dia da HSM ExpoManagement 2015, uma realização da HSM Educação Executiva.

“A abordagem padrão para a racionalidade nos leva a pensar que as pessoas levam em consideração todas as ponderações e tomam decisões acertadas, mas sabemos que as pessoas agem de maneira automática e não da maneira que corresponde à realidade”, disse Ariely, que palestrou sobre o tema Clientes e preços irracionais: as forças ocultas que moldam nossas decisões. “O que determina nosso comportamento do dia a dia são os pequenos detalhes”, acrescentou.

O economista trouxe ao evento diversos exemplos de como o ambiente decisório pode ser decisivo para as tomadas de decisões. Entre alguns dos mais curiosos, está uma pesquisa sobre doação de órgãos na Europa. Ariely chamou a atenção para os dados de dois países específicos: Holanda, com 28% de doadores, e Bélgica, com taxa de adesão de 98%.

De acordo com o palestrante, o resultado da Holanda foi baixo apesar de campanhas sobre a importância da doação de órgãos nas TVs e envio de cartas para toda a população. Após diversas pesquisas para entender o que motivou a baixa adesão, uma constatação surpreendente. “Cultura, religião ou o país não explicavam o resultado, mas o formulário de inscrição”, contou.

No formulário de adesão ao programa de doação de órgãos da Holanda havia uma caixa que ao não ser assinalada a pessoa automaticamente não aderia. O mesmo acontecia com o formulário da Bélgica, mas lá o não preenchimento dessa pequena caixa havia a adesão. “Povo não checa a caixa e não participa ou participa. A decisão foi ditada pela pessoa que elaborou o formulário”, disse.

“Mindfulness em uma era de grande complexidade: rompendo barreiras através da consciência plena”, foi o tema da segunda palestra da manhã durante o terceiro dia da HSM ExpoManagement 2015, proferida por Ellen Larger, consagrada profissional da Harvard University, considerada a “mãe da Mindfulness” e autora de 12 livros.

“A consciência plena aumenta a eficácia, a saúde e o bem estar. É algo muito simples, para chegar lá é preciso reparar em coisas novas. Com isso, você está no presente”, afirmou Ellen. Segundo ela, manter uma plena consciência também ajuda as empresas a alcançarem resultados melhores.

O volume de crimes cibernéticos vai crescer exponencialmente no mundo nos próximos anos e as empresas têm que mudar a sua atitude para aumentar o nível de precaução. O alerta é de Marc Goodman, Estrategista global, autor e consultor especializado no impacto disruptivo dos avanços tecnológicos sobre a segurança.

“Nesse mundo interconectado a capacidade de entrar em contato com 1 bilhão de pessoas para o bem ou para o mal é uma coisa que não estamos preparados para lidar”, afirmou Goodman. De acordo com ele, atualmente resolvemos esse crimes cibernéticos com firewalls e antivírus, mas apenas 1,4% dos orçamentos são gastos com treinamento de funcionários. “Isso é um equívoco. Os trabalhadores são a primeira linha de defesa”, acrescentou.

Os criminosos cibernéticos tornam-se cada vez mais organizações estruturadas, com organogramas, políticas de incentivo aos funcionários e até centrais de atendimento ao cliente interessado em entrar nesse mundo, contou Goodman.

Ele citou o exemplo de uma empresa da Ucrânia, cujos cerca de 600 empregados recebem até prêmios e incentivos em função de seu desempenho: uma Ferrari para quem desenvolvesse o melhor ataque.

“Os hackers gostam do Brasil pela falta de legislação. Por aqui, as leis não estão no mesmo nível das leis internacionais. O público não está tão consciente sobre o tema. É fácil enganar a população”, disse Goodman.