Este foi o assunto de um dos painéis da Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo – CASE 2015, do qual participaram Daniel Coquieri, fundador da ezLike e André Macedo, fundador da Zero Paper. Para moderar o debate, esteve presente Rodrigo Borges, da Koolen & Partners e um dos fundadores do Buscapé.

Para alguns, a experiência de vender a própria startup é agradável e renovadora, dando gás para que o empreendedor busque novos desafios. Para outros, é um caminho sem volta que leva à frustração e arrependimento. Por isso, Rodrigo reitera a importância de analisar com calma todas as propostas em conjunto com os sócios, para que todas as partes saiam beneficiadas, além de estudar detalhadamente as cláusulas do contrato para que não existam surpresas para o empreendedor ao final da transação. “A venda não é tão simples quanto ‘a empresa dá o dinheiro e você larga tudo’. Tem coisas rodando lá, tem um time que faz parte disso”, afirma.

Daniel, que vendeu sua startup no início deste ano para a Gravity4, com sede na Califórnia, disse que não se arrepende da escolha do fundo para adquirir a ezLike, porque o acordo entre ambos foi fácil e aconteceu de forma muito rápida. Uma das maiores preocupações do empreendedor, por exemplo, era que o comprador mantivesse todos os funcionários da startup mineira, pedido que foi rapidamente acatado pelos compradores. “Eles estão cuidando muito bem da nossa equipe, o que era uma grande preocupação nossa. Essa atitude é muito importante pra gente”, garante.

vendi minha startup case

Para André, manter a visão e a missão da empresa é essencial na hora de aceitar uma proposta de compra, além de também ajudar a criar uma sinergia entre a companhia que compra e a startup que é adquirida. “Na hora de assinar o contrato eu pensei em tudo e pensei na nossa missão. Poxa, qual era a missão da empresa? Reduzir a mortalidade empresarial do Brasil com a nossa solução. E aí a gente olhou pra Intuit e pensou ‘poxa, vamos fazer o que a gente queria muito mais rápido'”. André vendeu sua startup para a Intuit e continuou na empresa depois da venda como country manager da Intuit no Brasil. “Nossa operação está crescendo, estamos focando em novos produtos e trazendo outros produtos da Intuit para o País”, disse.

Mas o que mais muda na vida do empreendedor? Para André, que deixou de ser o CEO da empresa para ser um executivo da companhia, o processo de trabalho é o maior desafio, porque grandes empresas demandam gestão de quantias de dinheiro e de colaboradores muito maior do que as startups. “Startar uma empresa é uma dificuldade muito grande, mas escalar é tanto quanto, mas são processos completamente diferentes”, diz. Para ele, o empreendedor deve estar preparando para esta grande mudança que acontece de forma rápida.

Para Daniel, o fundador deve estar preparado para as mudanças que acontecem quando a startup é incorporada por outras empresas, porque este empreendedor perde a autonomia na tomada de decisões, uma vez que a empresa passa a fazer parte de um grupo maior. “Às vezes é hora de você abrir mão um pouco, porque às vezes você perde uma oportunidade por achar que vale mais a pena do que realmente vale”, diz, ressaltando a importância de ponderar se vale ou não a pena para o fundador da startup continuar na empresa depois da venda.