Para falar sobre quanto o ecossistema empreendedor da região influencia na aceleração das startups dali, discutiram em um painel durante o evento, Marcelo Echeverria, fundador da Sywork e Gabriel Senra, da Linte,Vitor Andrade, COO do Start-up Brasil foi o moderador. O painel aconteceu durante o segundo dia da CASE 2015, maior evento de startups e empreendedorismo da América Latina, que aconteceu entre os dias 3 e 4 de novembro.

Para abrir o painel, ambos os empreendedores – que foram acelerados no Vale do Silício – falaram sobre suas experiências no maior ecossistema de startups do mundo. A startup de Marcelo foi a segunda brasileira a ser acelerada por três meses e meio na YCombinator, considerada a primeira aceleradora do mundo e uma das maiores do Vale do Silício.

As aceleradoras

Em dez anos de criação, a YC já investiu em mais de mil startups e de todas, oito são ‘unicórnios’. “A bagagem dela é muito grande e por isso, o processo de aceleração lá é muito bom. O que nós vimos de mais importante dentro desta aceleradora é que ela é sua própria comunidade. Dentro da YC existe um ecossistema próprio, onde o maior valor é que as empresas do mesmo processo de aceleração se ajudam e se fortalecem”, diz Marcelo. Ele acredita que no Vale do Silício, o que torna o ecossistema tão forte é o lema “Eu te ajudo e você ajuda alguém”, ao contrário do “Eu te ajudo e você me ajuda”, que restringe a rede de contatos e, consequentemente, impede o crescimento de uma comunidade sólida.

Para Gabriel, que foi acelerado pela 500Startups, as aceleradoras tem modelos diferentes, mas o objetivo é o mesmo: criar uma comunidade em que se sustente e se ajude. Para ele, o Brasil ainda está muito no início deste processo. “Para mim, a principal diferença com relação ao Silicon Valley, é que a 500Startups tem um foco muito mais global. Durante o meu processo de aceleração, convivi com 15 países diferentes, agregando conhecimento de diferentes ecossistemas ao redor do mundo, tornando a experiência dentro desta comunidade muito mais rica”, diz.

painel aceleracao case

Gabriel diz que o principal motivo que leva os brasileiros a buscarem aceleração no Vale é absorver ao máximo as principais diferenças entre os dois ecossistemas, garantindo uma experiência mais ampla para as startups nacionais e, consequentemente, fomentando a comunidade no Brasil. “Lá existe uma troca de informação absurda, como está começando a acontecer em BH, mas lá é de uma forma muito maior, o Brasil está só começando”, afirma.

Marcelo garante que a maioria das startups aceleradas no Vale do Silício não buscam o dinheiro do investimento, mas a experiência, diferente da realidade brasileira. “Lá é tudo tão grande, é tanta informação, tanta coisa acontecendo, que você tem até vergonha de pensar pequeno perto daquelas pessoas. A maioria busca essencialmente este aprendizado com quem faz parte daquele ecossistema. Muitas startups não precisam mais daquele dinheiro da aceleração, mas mesmo assim participam do programa por causa daquela sinergia”.

Os desafios

Para Vitor Andrade, por mais que o Vale do Silício seja o maior e mais importante ecossistema do mundo, ele também entende que tem muitas dificuldades que devem ser superadas pelos empreendedores, sejam eles membros daquela comunidade ou brasileiros que buscam a experiência de lá. “Independente de onde for, todos nós temos um papel para tornar o ecossistema melhor. Somos nós que formando um todo, transformamos o ecossistema no que ele é”, afirma.

Para Marcelo, um dos maiores obstáculos para as startups que chegam ao Vale do Silício é o custo de vida da região, sendo uma das partes mais caras dos Estados Unidos para se morar. Por isso, por maiores que sejam os investimentos que cada startup consiga receber, dificilmente será suficiente para manter sua estrutura e desenvolvimento na região por muito tempo, o que aumenta exponencialmente a concorrência na região.

Gabriel diz que um problema que deve ser levado em conta é a imagem que se tem fora do Vale do Silício, em que acredita-se que toda startup que nasce lá tende a crescer e se consolidar. “O empreendedor fica muito deslumbrado quando chega lá. Tem que se manter focado o tempo todo, porque distração para o seu caminho é o que não falta”, diz.

O nosso ecossistema

Vitor diz que apesar de ainda estar em processo de expansão, o mercado brasileiro hoje é um dos que mais amadurece. “Temos hoje mais de 20 aceleradoras e estamos trazendo bastante bagagem para os nossos empreendedores. As startups estão evoluindo com as aceleradoras locais, estamos nos tornando cada vez mais fortes”.

Para Gabriel, um passo que deve ser dado em direção à consolidação do nosso ecossistema é abrir a comunidade local e preparar as startups para a competição global, atraindo também empresas de fora que queiram se acelerar no Brasil. “Devemos olhar para fora! As startups do SUP Chile, por exemplo, já nascem globais, querendo atender a todos os ecossistemas, por isso a comunidade deles é tão relevante. Devemos pensar grande!”, afirma.

Para finalizar, Marcelo diz que aprendeu com sua aceleração que todo empreendedor deve se focar exclusivamente em seu propósito, por mais difícil que possa ser e por mais falhas que apareçam no caminho. “Se eu pudesse dar uma dica para cada empreendedor aqui, é que cada um se torne protagonista da própria história. Se cada um de nós fizer o melhor que pudermos fazer, nos tornaremos grandes”, finaliza.